Santos e Teólogos sobre a música que deve ser evitada

São Basílio, rogai por nós!

Veja também o artigo anterior: Modéstia nos bailes e danças em livro elogiado por Pio XII e Paulo VI, prefaciado pelo Núncio D.Bento Masela

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

Teólogos

Certas danças foram enumeradas como imodestas por teólogos de renome (algumas vezes com aprovação do Pontífice Reinante) ainda na primeira metade do século XX.

Se algumas danças foram proibidas como opostas à moral católica, logo, os ritmos que levavam as pessoas para aquelas danças são, no mínimo, suspeitos.

Por isso, segue a transcrição da tese compilada do artigo anterior: "são proibidas como intrinsecamente más as seguintes danças: cordões carnavalescos, conga, tango, o fox-tro, bailes infantis, foxtrote, turkey-trot, o kamel-trot, o schymmy, o check-to-check, o one-step, o two-spep, o Boston, o blues, o samba, o charleston, o jazz, o boogy-woogey, o chachachá, o calipso, o twist, o rock-and-roll, o guapachá, o kanndidance.  

Outras danças que ordinariamente são más pelas circunstâncias são: valsa, a polca, a mazurca, o xote, a redowa, a habanera".

São Basílio Magno

"Ora, é preciso que purifiqueis vossas almas, para dizer o mínimo, ainda que em poucas palavras, desprezando os prazeres dos sentidos, não alimentando os olhos com espetáculos vãos que levam todos a se perder em ilusões, evitando, enfim, coisas e pessoas que acendam o fogo da concupiscência, e também jamais admitindo que, pelos ouvidos, entrem na lama os sons que a corrompem, pois uma música efeminada faz nascer os vícios mais vergonhosos e baixos. Devemos procurar uma música mais útil, que nos inspire sentimentos virtuosos, tal como Davi, que com sua harpa tocava divinamente as músicas sacras e fazia acalmar a fúria de Saul (1 Sm 16, 23). Dizem que um dia Pitágoras encontrou homens bêbados bastante animados, vindos de um banquete onde se haviam entregado a copiosas libações, e pediu ao músico que marchava à frente para mudar o tom e cantar somente no modo dórico. Isso os acalmou de tal modo que jogaram suas coroas no chão e deram meia volta, dirigindo-se para suas casas bastante confusos.

Podem-se se ver outros que se agitam ao som de flautas como coribantes ou bacantes (*coribantes, sacerdotes de cibele, celebravam as festas dessa deusa batendo tambores, pulando, dançando e correndo para todos os lados como dementes. E sabe-se com quais loucuras as mulheres, chamadas bacantes, celebravam as festas de Baco), tanto que há diferença entre uma música honesta e uma música licenciosa. Devemos, então, evitar aquelas que dominam os nossos dias, da mesma forma que se evitam os vícios mais vergonhosos.

Constrange-me ter de advertir que não se deve espalhar no ar fragrâncias de todas as espécies apenas para agradar o olfato, e ainda menos esfregar essências no corpo. O que dizer, então, dos prazeres do toque e do gosto, senão que aqueles que os procuram são escravos que vivem como animais a satisfazer seus ventres e os apetites mais grosseiros?

Em suma, é preciso desprezar o corpo se não quisermos nos afundar nas volúpias, assim como se afunda no lamaçal. Seu cuidado não deve exceder além daquilo que pode ser útil à sabedoria. É o que dizia Platão [1] e está de acordo com o que o Apóstolo Paulo nos advertiu sobre não satisfazer os desejos da carne, no temor de acender em nós os maus desejos. Os que têm cuidado excessivo com o corpo e negligenciam, como não tendo valor, a alma, assemelham-se àqueles que muito amam os instrumentos de uma arte, sem ao menos se dedicar à arte a qual eles servem. É preciso o quanto antes castigar o corpo e domá-lo como a um animal feroz. E a razão nos serve de freio para conter os movimentos tumultuosos que se agitam na alma. Não deixemos as rédeas soltas, para que o espírito não seja impulsionado pelas paixões, assim como um cocheiro é arrastado por cavalos indóceis.

Lembremos das palavras de Pitágoras que, vendo um de seus discípulos entregando-se à boa mesa e ganhando muito peso, disse-lhe: "Quando deixará de preparar a si mesmo uma prisão tão severa?". Também de Platão, que sabia o quanto o corpo pode prejudicar a alma: dizem ter ele escolhido propositalmente um lugar insalubre para a sua Academia para podar os confortos do corpo [2], assim como se poda uma videira quando ela tem folhas em excesso. Eu mesmo já ouvi um médico dizer que o excesso de saúde é perigoso" [3].

São João Crisóstomo

"Eu preferiria que amasses o silêncio mais que tudo, mas se tu gostas de canções, escolhe as edificantes, não as satânicas. Em vez de dançarinas, convida o coro dos anjos para teu casamento. "Mas como podemos vê-los?", perguntas. Se rechaçares todas as outras coisas, o próprio Cristo virá para teu casamento, e onde Cristo vai, o coro de anjos o segue. Se tu pedires a Ele, Ele realizará para ti um milagre ainda maior que o de Caná: Ele transformará a água das tuas paixões instáveis no vinho da unidade espiritual, mas lembra: se Ele aparecer e encontrar os músicos e os convidados fazendo tumulto, Ele expulsará a todos antes de operar Seus milagres (S. Mateus IX, 23). O que é mais desagradável que essas pompas demoníacas? É tanto barulho que nem se consegue ouvir nada. Quando dá para ouvir alguma palavra, é coisa sem sentido, vergonhosa e nojenta.

Nada há de mais prazeroso que a virtude, nada mais doce que a ordem (...)" [4].

"Na verdade, nunca foi um costume celebrar casamento de forma desonrada; isso é uma novidade. Considera como Isaac se casou com Rebeca, como Jacó se casou com Raquel. A Escritura nos fala desses casamentos, e do modo como essas noivas entraram nos lares de seus noivos. Nada é dito sobre esses costumes. Eles deram banquetes e jantares mais luxuosos que o normal e convidaram seus parentes para o casamento. Flautas, tamborins, pratos, bagunça e bebedeira e todo o resto de nossos costumes impróprios eram evitados. Hoje, em dia de casamento, as pessoas dançam e cantam hinos a Afrodite, canções repletas de referência a adultério, corrupção do casamento, amores ilícitos, uniões proscritas e muitos outros temas vergonhosos e ímpios. Eles acompanham a noiva em público com vevedeira abjeta e discursos vergonhosos. Diz, como é possível esperar castidade da noiva se a acostumas a tal comportamento despudorado desde o primeiro dia (...) [5].

"Por que tu convidas o clero, se planejas celebrar tais ritos no dia seguinte? Queres demonstrar generosidade, bondade? Então convida os coros dos pobres. Tens vergonha dessa idéia? Estás corando? O que pode ser mais irracional que isso? Quando arrastas o diabo para tua casa, não pensas que estás fazendo nada vergonhoso, mas quando pensas em trazer Cristo para tua casa, tu coras? Assim como Cristo está presente quando os pobres entram, da mesma forma, quando os efeminados e os saltimbancos dançam na tua casa, o diabo saracoteia entre eles. Não há benefício nesse tipo de extravagância, mas sim um grande prejuízo. Mas do outro tipo de gasto, poderás esperar rapidamente uma grande recompensa.

Mas ninguém mais na cidade fez isso, é o que me dizes? Ora, por que não te apressas a ser o criador desse bom costume, para que a posteridade o atribua a ti? Se alguém invejar ou imitar esse costume, teus descendentes poderão dizer para quem perguntar que foste tu quem introduziste a prática. Nas competições dos descrentes, nos banquetes, muitos cantam louvores aos que introduziram melhorias em tais ritos, que eram pouco edificantes. Assim, nos ritos espirituais, todos louvarão e darão graças a quem trouxer essa inovação maravilhosa. Isso trará honra e benefícios a quem o fizer. Quando outros continuarem desse costume, ele te dará a recompensa de seus frutos, pois tu foste o primeiro a realizá-lo (...). Assim como Deus ameaça os pecadores continuamente dizendo: as vossas mulheres ficarão viúvas, e os vossos filhos órfãos (Ex 22, 24), da mesma forma Ele promete àqueles que são sempre obedientes uma idade avançada aprazível, acrescida de todas as boas dádivas" [6].

São Clemente de Alexandria

"É preciso não olhar nada, nem escutar nada de vergonhoso, e para dizer tudo em uma palavra: fechemos nossas almas a todo acesso à intemperança, guardemos nossos olhos, nossas orelhas, pelo medo que a voluptuosidade os atice, fujamos das canções lascivas ou moles, e esta arte impura de uma música degenerada, que corrompe os costumes e redobra o ardor da libertinagem. Devemos empregar os instrumentos de música para cantar os louvores de Deus.

(...) Então, admitamos uma harmonia modesta e casta; mas tenhamos tão longe quanto possível, de nossos pensamentos fortes e generosos, uma música suave e irritante cujos concertos, estudados e artificiais, logo nos levariam à vergonha de uma vida suave e desordenada. Os sons graves e severos banem a imprudência e a embriaguez. Deixemos os sons irritantes da música cromática para os devassos que se cobrem de flores e se chafurdam na insolência e no vinho [7].

Plinio Corrêa de Oliveira, no mensário Catolicismo, denunciando o Jazz e o Rock-and-Roll. Subtítulos deste artigo

1935 - O repouso, a diversão, a arte, não comportam a excitação

"Ora, não é possível admitir-se como meio de repouso um gênero de divertimentos como estes, que esgotam, em lugar de refazer, que excitam, em lugar de repousar, e que exaltam, em lugar de acalmar."

A "verdadeira arte não afasta, mas conduz a Deus a alma", ao contrário do Jazz

"(...) a verdadeira arte não afasta, mas conduz a Deus a alma; e a verdadeira piedade não fecha, mas abre a alma aos encantos da verdadeira arte (exclusão feita, portanto, da arte que não é verdadeira, e de que é expressão característica o shimmy tocado por um jazz-band)." [1]
 
1955 - Os adeptos do Jazz como viciados na excitação e na intemperança


"A distensão dos prazeres castos e calmos do lar, ou de uma vida razoável, temperante, tranqüila, parecem aos viciados em excitações, das megalópoles, de um tédio insuportável.

E, assim, só a intemperança, a excitação e o vício divertem. É de admirar que nesse ambiente sejam tantos os pecados, tão terríveis as psicoses?

Nossa fotografia apresenta um dos mil, ou antes dos milhões de aspectos que essa excitação apresenta. Lado a lado, um jovem robusto urra num rictus que tem um que de entusiasmo, um que de gemido, um que de imprecação, uma jovem sorri deliciada, enlevada, como que sentindo escorrer um deleite interior em todos os seus nervos, e outro jovem, sumamente atento, utiliza uma revista como corneta. São três jovens que "descansam" divertindo-se. Com o que? Um match? Um torneio? Não... ouvem um jazz!"

Esses hábitos acabam por levam à psicose


"Aí está uma manifestação extrema de um fato psicológico que em proporções mais discretas é comum. Se assim se vibra com um jazz, que dizer das vibrações provocadas pelo cinema, pelo rádio, pelo esporte? Não é precisamente assim, que as almas acabam por perder o gosto do lar e do trabalho, ou por cair na psicose?" [2]


1960 - Uma sociedade assim só "
encontrará a verdadeira paz quando tiver reencontrado o verdadeiro Deus"
 
"Mas os sons típicos das imensas babéis modernas, o ruído das máquinas, o tropel e as vozes dos homens que se afanam em pós do ouro e dos prazeres; que não sabem mais andar, mas correr; que não sabem trabalhar sem se extenuar; que não conseguem dormir sem calmantes nem se divertir sem excitantes; cuja gargalhada é um ricto frenético e triste; que não sabem mais apreciar as harmonias da verdadeira música, mas só cacofonias do jazz; tudo isto é a excitação na desordem, de uma sociedade que só encontrará a verdadeira paz quando tiver reencontrado o verdadeiro Deus." [3]


O Rock 

1956 - O Rei do Rock recém-coroado, e Dr. Plinio lá estava novamente para denunciar, em meio ao caos do século XX

"Com o o violão a tiracolo, e o microfone na mão, o "artista" campeão mundial do frenesi, que está pondo em delírio milhões de pessoas. Elvis Presley, canta e dança em meio de instrumentos de orquestra, diante de um público alucinado.

No homem a inteligência deve dirigir a vontade, e ambas devem, por sua vez esclarecer a sensibilidade, guiá-la, e ampará-la contra a fraqueza que lhe é própria. Pois, das faculdades humanas, todas nobres si mesmas, mas todas atingidas pelo pecado original, aquela por onde mais freqüentemente começam as desordens, as crises, os desmandos, é precisamente a sensibilidade."

O ritmo do rock tem como efeito a desordem na sensibilidade


"Pelo contrário, no porte, no gesto, na fisionomia deste pobre jovem, tudo indica o desencadeamento total da sensibilidade, subjugando inteiramente a vontade, e determinando movimentos em que absolutamente não se notam o equilíbrio, o bom senso, a compostura inerentes, ação rectrix da inteligência.

E, ainda, no caso presente nem sequer se trata precisamente da hipertrofia da sensibilidade, à maneira dos românticos. Censurável nestes era o excesso de emotividade em relação a determinados assuntos políticos, sociais, artísticos ou literários, ou em face de certas situações pessoais como a orfandade, a viuvez, a solidão afetiva, etc. De um certo ângulo, o erro do romântico consistia em fazer do sentimento o ápice e o termo de toda a vida mental. Erro, sem dúvida, e erro grave, que produziu na história da cultura ocidental funestas conseqüências. Mas erro que, pelo menos, ainda pressupunha uma verdade, ou seja, que o sentimento é um dos elementos integrantes do processus intelectual."


Essa desordem na sensibilidade vem do desejo mórbido de vibrar

"No caso concreto, há um mero vibrar de nervos. De nervos doentios e superexcitados, que vibram sem outra razão, sem outro ponto de partida e sem outro objetivo senão o prazer mórbido de vibrar, e cujo frenesi pede por sua vez vibrações sempre maiores. Por onde se chega rapidamente às manifestações extremas: ritmos delirantes, gestos desordenados, expressões fisionômicas contorcidas, um conjunto de desmandos, enfim, típicos dos que, segundo a expressão incisiva de Dante, "perderam a luz do intelecto".

Em uma palavra, e baixando o nível destas considerações, se um bêbado cantasse e dançasse, fá-lo-ia estertorando assim. Embriaguez contagiosa, pois se estende como uma nova "dança de São Guido" a milhões de pessoas. Embriaguez muito mais perigosa do que a do álcool, porque indica uma desordem fundamental da alma, que não passa como os efeitos do vinho.(...)


Neste clichê, tudo faz pensar na grande verdade enunciada por Claudel: a mocidade não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo. Ao passo que na primeira gravura tudo parece dizer-nos que a mocidade não foi feita para o heroísmo, mas para o prazer. Ou pior ainda, para o gozo." [4]
 

1959 - Tratando dos valores metafísicos da revolução no seu livro principal, uma denúncia de uma geração inteira como exemplo de manifestação do sensualismo

"d. A geração do “rock and roll”: o processo revolucionário nas almas, assim descrito, produziu nas gerações mais recentes, e especialmente nos adolescentes atuais que se hipnotizam com o “rock and roll”, um feitio de espírito que se caracteriza pela espontaneidade das reações primárias, sem o controle da inteligência nem a participação efetiva da vontade; pelo predomínio da fantasia e das “vivências” sobre a análise metódica da realidade: fruto, tudo, em larga medida, de uma pedagogia que reduz a quase nada o papel da lógica e da verdadeira formação da vontade." [5]

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[1] Platão, Fédon 67a: E enquanto vivermos, não nos aproximaremos da verdade enquanto não nos agastarmos do corpo; renunciemos a qualquer comunicação com ele naquilo que não seja estritamente necessário; não permitamos que ele nos ocupe de sua corrupção natural, mas conservemo-nos puros de suas mancha, até que a própria divindade venha nos libertar".
[2] Porfírio relata, no terceiro século a.C., que "Platão escolheu a Academia para viver, um lugar que não era somente solitário e isolado da cidade, mas também, segundo dizem, nada saudável" (sobre a abstinência, livro I, 36); alguns autores contestam dizendo que nem Diógnes Laércio nem Plutarco fizeram comentários a respeito.
[3] São Basílio, carta aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã, Ed. Ecclesiae, Pg. 52-54
[4] "Casamento e Vida em Família", Edição Biblioteca Católica, Homilia 12, Pg.109
[5] "Casamento e Vida em Família", Edição Biblioteca Católica, Pg. 118
[6] "Casamento e Vida em Família", Edição Biblioteca Católica, Pg. 120-121
[7] S. Clément d'Alexandrie, "le divin maitre, ou le pédagogue, Livre II, Traduction française: M. DE GENOUDE. Link: http://remacle.org/bloodwolf/eglise/clementalexandrie/pedagogue3.htm#IV. Também conferido com outra tradução do inglês: Chapter 4. How to Conduct Ourselves at Feasts, The Paedagogus (Clement of Alexandria) The Instructor (Book II), Translated by William Wilson. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 2. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. <http://www.newadvent.org/fathers/02092.htm>
[8] Repouso autêntico, O Jornal, 29 de outubro de 1935
[9] Prazeres que conduzem à psicose, distrações que preparam para o trabalho, "Catolicismo" Nº 54 - Junho de 1955
[10] Tranqüilidade da ordem, Excitação na desordem, "Catolicismo" Nº 110 - Fevereiro de 1960
[11] A mocidade foi feita para o heroísmo ou para o gozo? "Catolicismo" Nº 72 - Dezembro de 1956
[12] Revolução e Contra-Revolução, Parte I, cap. VII.