Nosso Senhor profetiza a abominação da desolação no lugar santo, a crise na Igreja e castigos como nunca haverão na humanidade


Nossa exegese sobre essa parte. Os números seguintes indicam o versículo comentado. Bagarre = Castigo Mundial.

"Estando sentado sobre o monte das Oliveiras, aproximaram-se dele seus discípulos à parte, dizendo: Dize-nos quando sucederá isto, e qual sera o sinal da tua vinda e do fim do mundo ?" Mt 24, 3

S.Mateus diz que foram os discípulos que perguntaram, mas S.Marcos (Cap. 13) diz que foram S.Pedro, S.Tiago, S.João e S.André, ou seja, diz respeito também aos três apóstolos principais, e mais um outro, S.André, porque os três significam as testemunhas do Apocalipse que já falamos: Elias e Enoch e o próprio S.João (e suas prefiguras na Bagarre). Mais também concerne ao apóstolo S.André por causa que é de interesse também daqueles que não estarão entre os principais mas foram os primeiros a acreditar no Senhor, a manter a fé no tempo de crise, e de chamar os outros para esta fé, como S.André fez quando conheceu o Salvador: ele foi logo chamar o irmão S.Pedro, "encontramos o Messias".

Os discípulos fazem três perguntas sobre: a destruição de Jerusalém, a segunda vinda de Nosso Senhor ou o juízo, e o fim dos tempos. Portanto a resposta engloba as três perguntas. Não seria o fim do mundo e o sinal da volta a mesma coisa ? O Filho do Homem vem no fim do mundo, então seria o fim do mundo e o sinal da volta a mesma coisa. Mas não é esse o sentido da Escritura, porque ela não é redundante, senão para mostrar uma verdade mística impressionante. Assim, "fim do mundo" significa "fim de uma era", de um período em semelhança com o fim do mundo propriamente. Se as três coisas não tivessem relação elas não estariam respondidas juntas. Elas são uma prefigura da outra, assim como os hábitos antigos dos judeus, e as provações deles são prefiguras do Cristianismo.


"Respondendo Jesus, disse-lhes: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e seduzirão muitos. Porque ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras. Olhai, não vos turbeis, porque importa que estas coisas aconteçam, mas não é ainda o fim. Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, pestilências e terremotos em diversos lugares. Todas estas coisas são o príncipio das dores. Então sereis sujeitos às tribulações e vos matarão, e sereis odiados por todas as gentes por causa do meu nome. E muitos então se escandalizarão, e uns aos outros se entregarão e se odiarão. Levantar-se-ão muitos falsos profetas, e seduzirão a muitos. Por causa de multiplicar a iniquidade, se resfriará a caridade de muitos. Mas o que perseverar até o fim, este será salvo" Mt 24, 4-13.

Antes de tudo é preciso tomar cuidado com aqueles que são prefiguras do anti-cristo, os hereges e demais que levarão muitos. Não são as guerras que Nosso Senhor fala primeiro, porque estas matam o corpo, já os falsos-profetas e heresiarcas que virão farão um dano muito maior. Afinal, é a confusão instalada por eles durante os sécuulos, no fim das contas, que trará esta guerra.

Guerras e rumores de guerra, rumores de guerra são os conflitos internos, as tensões. Mas não será o fim do mundo, isto é o Cristo avisa que são prefiguras do fim. Guerras e desgraças naturais, isso será o princípio das dores, um castigo maior estará por vir.

"Nação contra nação, reino contra reino" indica que naquele tempo as nações serão mais importantes, porque vem em primeiro, já que a maioria das nações não serão reinos monárquicos. Esta parte indica uma guerra tão espantosa que muitos pensaram ser o fim do mundo, por isso o Salvador adverte, "mas ainda não é o fim". Os rumores de guerras mostram uma confusão geral sobre o que realmente está acontecendo, adicionando mais ainda o elemento de apocalipse para esta guerra universal profetizada.

Os tormentos não são necessariamente um martírio corporal, pode ser de isolamento. Mas depois dos tormentos virá o martírio de fato, e por todo o mundo será odiado os herdeiros verdadeiros de Cristo. Sucumbirão a estes tormentos, trairão a causa o que fará o martírio dos outros, primeiramente espiritual como dito acima, e depois corporal, e daí virá o ódio mútuo.

Falsos profetas aproveitarão a situação. A revolução chegará ao auge, e a caridade, sem a qual o apóstolo diz que não é nada, se resfriará. É de notar também que o cisma é um pecado contra a unidade, contra a caridade, logo pode significar um cisma grande, ou vários cismas. Será salvo aquele que perseverar até o fim fiel, não se entregar a nenhum hábito do mundo no auge da revolução

"Será pregado este Evangelho do Reino por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então chegará o fim" Mt 24, 14


O Evangelho do Reino é do Reino dos céus e do Reino de Maria que estará próximo, e isso é prefigura não só do evangelho pregado pelos apóstolos em toda nação da época deles, como o evangelho que será pregado na vinda de Elias e Enoch pouco antes do juízo.

Por que há de ter pregação por toda a Terra nesses tempos e não em outros ?

É necessário que o reinado da palavra de Nosso Senhor esteja sobre toda a Terra, pois "céu e terra passarão, mas minhas palavras não passarão". Esse primeiro durará eternamente.

Quando ele parecer destronado e deixado de lado, é preciso nova pregação, que agora virá a ser pregado com o segundo reinado, o Reino de Maria, que durará desde a instalação dele até a vinda do anti-cristo. Então será pregado novamente só que junto do vinda do verdadeiro Reino de Cristo, que é o dos Céus, o Eterno.

"Quando, pois, virdes a "abominação da desolação", que foi predita pelo profeta Daniel, "posta no lugar santo", o que lê entenda, então, os que se acham na Judéia, fujam para os montes, o que se acha sorbe o terraço, não desça para tomar coisa alguma de sua casa, e o que está no campo, não volte atrás para tomar o seu manto. Ai das mulheres grávidas e das que tiverem crianças de peito naqueles dias ! Rogai para que não seja a vossa fuga no inverno, ou em dia de sábado, porque então será grande a "tribulação, como nunca foi, desde o princípio do mundo até agora", nem jamais será" Mt 24, 15-21

A abominação da desolação é a crise na Igreja. O termo sempre foi, na escritura, o símbolo de abusos no culto, no templo e na disposição dos sacerdotes judeus. Também significa o tempo depois da paixão de Nosso Senhor.

Essa parte trata da destruição de Jerusalém mas também da Bagarre. É preciso fugir de lá, e também fugir de Roma, porque também ela significa o centro da abominação.

As casas serão saqueadas. Comenta São Beda que aqui significa aquele que subiu espiritualmente, na hora da destruição não deve voltar a pensar no que era antes, nem tentar voltar fisicamente para quem está "em baixo". Quem está no terraço vê mais longe. Deus vai tomar tudo naquela hora, para tentar os bons e punir os homens, não se apegue o homem ao sensível. As dificuldades provenientes da fuga mostram que a locomoção não será tão fácil, visto que hoje o inverno não é, com todas as tecnologias, um obstáculo para a locomoção.

"porque então será grande a "tribulação, como nunca foi, desde o princípio do mundo até agora", nem jamais será. Se não se abreviassem aqueles dias, não se salvaria pessoa alguma, porém, serão abreviados aqueles dias em atenção aos escolhidos. Então, se alguém vos disser: Eis aqui está o Cristo, ou ei-lo acolá, não deis crédito, porque se levantarão falsos profetas, e farão grandes milagres e prodígios, de tal modo que, se fosse possível, até os escolhidos seriam enganados. Eis que eu vo-lo predisse. Se pois vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais, ei-lo no lugar mais retirado da casa, não deis crédito. Porque, assim como relâmpago sai do Oriente e se mostra até ao Ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem. Em qualquer lugar, em que estiver um cadáver, juntar-se-ão as águias. Logo depois da tribulação daqueles dias, "escurer-se-á o sol, a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão" do céu, "e as potências dos céus" serão abaladas." Mt 24, 21-29. 

A tribulação será como nunca antes vista, o maior castigo que a humanidade já viu e verá, a iniquidade será tanta que clamará a intervenção divina. 

A parte em que muitos dizem que o Cristo está aqui ou lá se refere mais ao tempo do anti-cristo, onde haverão prodígios, falsos-profetas e o próprio anti-Cristo. Também no castigo pode haver demônios a solta para levar os homens atrás de si. Na época apostólica eram os magos.

Os fenômenos meteorológicos depois da tribulação. No juízo significa literalmente a destruição do mundo. No castigo, as estrelas serão os sacerdotes, o sol é a Igreja, a lua é Nossa Senhora que não mais pedirá clemência, então virá o castigo sobre a Terra.

Por que "no castigo" se diz que é depois da tribulação ? Se refere à tribulação da destruição de Jerusalém.

"Então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu, e todas "as tribos da terra chorarão" e verão o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade". Mt 24, 30

O fim dos tempos propriamente, mas o "sinal" do Filho do Homem é mencionado primeiro, o que indica o castigo antes da vinda de Nosso Senhor.