S.Paulo Apóstolo fala do advento da apostasia. S.Tomás confirma: a apostasia da fé católica na Igreja Romana. Nossa exegese

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II Tessalonicenses 2.

Análise puramente da parte profética.

Ora nós vos rogamos, irmãos, pela vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, 

 
O Apóstolo agora fala da segunda vinda de Nosso Senhor, como o próprio falou quando predisse a destruição do Templo, usando essa prefigura para denotar a vinda Dele.

que não vos movais facilmente dos vossos sentimentos nem vos perturbeis por qualquer espírito, ou por certos discursos, ou por qualquer carta como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse perto.


Toda a profecia é para mostrar os sinais da vinda do Senhor, para que com isso se reconheça o tempo próximo. O apóstolo se preocupa mais em sua carta em ensinar como se deve agir constantemente para evitar cair na armadilha do anti-Cristo do que mostrar os detalhes da vinda deste.

"mover os sentimentos", "se perturbar": trata-se de mover fora do sentir da Igreja

"qualquer espírito" "espíritos de profecia": pseudo-profetas que não sentem com a Igreja, ou que querem tirar o profeta principal, que naquele caso era São Paulo e outros apóstolos. Isto é, deve se tomar cuidado com profetas que não são oriundos tanto da Igreja, como não são prelados oficiais. Mais para frente o apóstolo vai admitir que ele e os tessalonicenses são a prefigura desses eventos, então podemos admitir que não se pode confiar em absoluto no espírito profético de alguém que não seja da Igreja docente. Na época de crise da Igreja certamente não aparecerá ninguém, até que venha quem discurse sobre isso realmente, que sustentamos antes ser o Pontífice Santo. 


"certos discursos": certos, isto é, alguns, não todos. Como saber quais são os certos discursos ?  Quando o apóstolo fala da apostasia que virá e dos falsos doutores, temos mais detalhes.

"qualquer carta": ou seja, só o Apóstolo vivo é que pode dizer realmente a hora do fim, as cartas ficarão enganosas, a presença será fundamental. É claro, não se abolirá o ministério escrito, mas este terá que estar em perfeita união com o magistério vivo. Essa parte parece confusa pois mais a frente (vers.14) o Apóstolo fala para conservar as tradições, até por cartas, então é sobre cartas enganosas. Isto quer dizer não só carta mas qualquer meio de comunicação não oficial.


Quando o dia do Senhor estará perto será evidente, por estes sinais e ministérios proféticos dos quais foi São Paulo prefigura.

Ninguém de modo algum vos engane, porque (isto não será) sem que antes venha a apostasia e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição

Antes a apostasia da fé, como salienta o próprio São Tomás:

"O evento que precederá é a apostasia (separação) que se explica de diversas maneiras na Glosa. Se diz ali que será a apostasia da fé. A fé, com efeito, nesses tempos terá sido pregada por todo o mundo (Mt 24, 14).

Isto é então o que precederá, e segundo Santo Agostinho, ainda não foi cumprido. Mas tempos virão, um grande número de pessoas se separarão da fé, etc (I Tim IV, 1): "Naqueles tempos, alguns abandonarão a fé, etc" (Mt 24, 12): "A caridade de muitos esfriará". Pois bem, se pode entender pela separação aquela do império romano, o qual o universo inteiro era submetido. Santo Agostinho diz que essa separação está figurada no Capítulo 2 de Daniel, 31-35, pela estátua que designa os quatro reinos, e depois destes quatro reinos, chega o advento de Cristo. Essa figura está plenamente correta, porque o império romano foi estabelecido, para que, à sombra de seu poder, a fé fosse pregada por todo o universo.

Mas como será isso verdade, sendo que depois de muito tempo as nações foram separadas do império romano, sem contudo que o anti-Cristo aparecesse ? Pode se dizer que o Império Romano não desapareceu ainda, mas o reino temporal que ele tinha foi transformado em um reino espiritual, como disse o Papa São Leão no seu sermão sobre os apóstolos. Disse então que a separação do império romano deve ser entendida, não somente no sentido temporal, mas no sentido espiritual, isto é, a apostasia da fé católica na Igreja Romana. E o sinal dado é justo, porque do mesmo jeito que Cristo veio nos tempos do domínio do império Romano sobre toda a gente, assim, em um sentido oposto, o sinal da vinda do anti-Cristo será a separação dos povos com o Império Romano"[1].

Esse comentário de São Tomás é bom, e adicionamos somente mais um sentido de beleza exegética: o império romano foi também uma prefigura do Reino de Maria no sentido de domínio global, pois vimos o RM ser a restauração completa da civilização cristã como nunca visto antes, e o domínio mais perfeito do Evangelho sobre o mundo. É nesse contexto que aparecerá o anti-Cristo, e isso tem o sentido tanto espiritual como material. A época que precede o Castigo, como vimos, é de apostasia da fé somente, pois materialmente quem domina é esse "império romano" que é o conjunto das nações anti-católicas, não juntadas ainda em um governo global.


o qual se oporá (a Deus) e se elevará sobre tudo o que se chama Deus ou que é adorado, de sorte que se sentará no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus.

Ele se oporá a tudo que é de Deus, se elevará acima, isto é, destruirá todas os santíssimos expostos, banirá as missas, consagrações, etc. Só nesse sentido pode se entender a frase "tudo que é adorado", pois a multiplicidade das hóstias são adoradas como um único Deus Trino, Nosso Senhor Jesus Cristo. E por isso virão Elias, Enoch, e São João Apóstolo para que não acabe a linhagem e o sacrifício da missa até a segunda vinda de Nosso Senhor, por isso mesmo, argumentamos antes que São João os consagrou e vive com esses profetas no paraíso terrestre.

Ele se sentará no templo de Deus é mais uma prefigura da apostasia que se sentou no lugar santo, e se apresentou como nova doutrina, como novo caminho, verdade e vida.

Não vos lembrais que eu vos dizia estas coisas, quando ainda estava convosco ? E vós agora sabeis o que é que o retém, a fim de que seja manifestado a seu tempo. Com efeito, o mistério da iniquidade já se opera, somente falta que aquele, que agora o retém, desapareça.

O que retém o anti-Cristo é exatamente o sacrifício da missa, a presença de Nosso Senhor sacramentado na terra, garantida por Elias, Enoch e São João Evangelista. Quem precisa desaparecer é exatamente o santo sacrifício e a presença dos apóstolos, mais especificamente de São João que recebeu a missão profética de garantir a linhagem apostólica. O mistério da iniquidade é exatamente o conjunto das prefiguras do anti-Cristo, os hereges, cismáticos e perseguidores da Santa Religião.

E então se manifestará esse iníquo (a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da sua vinda); a vinda dele é por obra de satanás, com todo o poder, com sinais e prodígios mentirosos e com todas as seduções da iniquidade para aqueles que se perdem, porque não abraçaram o amor da verdade para serem salvos. Por isso Deus lhes enviará o artifício do erro, de tal modo que creiam na mentira, para que sejam condenados todos os que não deram crédito à verdade mas se comprazeram na iniquidade.


Sinais e prodígios mentirosos serão a coisa característica do filho da perdição, ainda mais no Reino de Maria, que segundo calculamos haverá um grande avanço tecnológico em continuação com o que foi feito até então. Também se refere aos usos da tecnologia na nossa era para propagar a iniquidade, mas ela não cumpre exatamente a profecia por não ser comandada por um só, se bem que por uma mentalidade.

Todas as seduções da iniquidade, isto já tem suas prefiguras nos tempos atuais, onde as opções de prazeres são inúmeras, variáveis, em cada esquina, no ouvido, no tato, na visão, ela invade até a casa. E aqueles que se perdem são aqueles que tomaram gosto pelo mundo, tomaram gosto por estas seduções incríveis e elaboradas, pelo "moderno que ultrapassou o antigo". Deus guarda estes não só no fim dos tempos mas no castigo pois eles serão confundidos e castigados nele, e a condenação, citada pelo Apóstolo, não será só a quem perecerá na confusão geral amando as delícias do século, mas será para aqueles que antes da vinda do Papa Santo, amaram a iniquidade, e sua irmã a abominação da desolação. Então este Prelado os condenarão.

Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, ó irmãos queridos de Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para a salvação, pela santificação do Espírito e pela verdadeira fé, à qual vos chamou por meio do nosso Evangelho, para vos fazer alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

Primícias, isto é, as prefiguras das quais já falamos.

Permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservais as tradições, que aprendestes, ou por nossas palavras ou por nossa carta. O mesmo nosso Senhor Jesus Cristo, e Deus e Pai nosso , o qual nos amou e nos deu uma consolação eterna e uma boa esperança pela graça, console os vossos corações e os confirme em toda a boa obra e palavra.

Esta parte deixa bem claro, que as primícias dos tempos vindouros haverão de manter tradições para não cair no erro.

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Fontes: 
[1] Nouvelle traduction Charles Duyck, 08 février 2007, reprise et complément de la traduction Louis Vivès, 1856, Paris. Disponível em http://docteurangelique.free.fr/