Nosso Senhor diz que aqueles dias serão como foram nos dias de Noé. Exegese.

Exegese sobre Noé e o Dilúvio como prefiguras do Castigo Mundial ou Bagarre.

Antes do Dilúvio ou Castigo

 
"Porque assim como nos dias antes do dilúvio (os homens) estavam comendo, bebendo, casando-se e casando seus filhos, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não souberam nada até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também na vinda do Filho do Homem" Mateus 24, 38-39

Aqui distinguimos duas coisas: a afeição pelas coisas materiais e o desconhecimento do fim dos tempos. Como a profecia de Nosso Senhor é por excelência profecia maior, porque pertence ao livro inspirado por excelência e vem do homem por excelência (o homem Deus), ela deve conter nela mais do que uma relação unívoca profética no sentido de simbolizar só uma época. Portanto, tratamos o dia desconhecido, na ordem das coisas que nos são eminentes, como os dias de trevas já tratados em outros artigos, pois as guerras e os rumores de guerras já estarão presentes, como Nosso Senhor afirma antes no mesmo capítulo. A afeição pelas coisas materiais é o materialismo atual que nunca igual houve na terra, com a luxúria completamente espalhada pela terra.

"Como sucedeu também no tempo de Lot; comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas, no dia em que Lot saiu de Sodoma, caiu fogo e enxofre do céu, que exterminou a todos. Assim será no dia em que manifestará o Filho do homem." Lc, 17, 28-29


Isso confirma a luxúria completa no mundo, coisa atual prévia ao castigo.

Sobre Noé

 
Noé foi o décimo desde Adão, em clara alusão às 10 pragas, que por sua vez representam os dez maiores castigos ao mundo de Moisés até o Anti-Cristo, sendo um castigo para cada era, enquanto eras não formada de conjuntos, isto é, unitárias, pois a sétima era (não contando a partir das pragas de Moisés, mas a sétima a partir de Adão, no sistema Agostiniano) é na verdade o conjunto das outras sete eras reveladas no Apocalipse. Ajunta a isso o fato de que Enoch foi o sétimo, sendo arrebatado para o paraíso terrestre, porque ele voltará na sétima e última era.


Lamec profetiza seu destino, dizendo no Gn. 5, 29: "este nos consolará nos trabalhos e nas fadigas das nossas mãos, neste terra que o Senhor amaldiçoou". Consolará nas coisas boas que fizemos, isto é, os trabalhos, e nas coisas más, isto é, as fadigas. Separação do joio do trigo. Esta terra amaldiçoada significa a terra com o pecado original, e também uma alusão às profecias de Enoch. Esse ato de Lamec representa, ao nosso ver, uma geração anterior ao Noé que anunciará a missão dele, que é bem representada pelos profetas anteriores que anunciaram a vinda de um "novo Noé", alguém com missão parecida.

Noé com 500 anos gerou os filhos que haveria de salvar. A quinta era é significada pela idade de Noé nesse tempo, pois ela precede o grande Castigo que cairá sobre a terra como vimos em outros artigos. Noé gera três filhos porque três são as testemunhas prediletas nos tempos semelhantes a estes. Na época de Nosso Senhor eram três os apóstolos preferidos: Tiago, João e Pedro. Estes testemunharam a transfiguração do Senhor, que era  a prova que ele era Deus e tinha poder sobre os vivos e os mortos (como diz São Tomás), e por isso na transfiguração juntou a si Moisés, que havia morrido, e Elias, que tinha sido arrebatado ao paraíso terrestre e lá vivia. No dilúvio esse poder também foi evidente, e no Castigo também será, e acreditamos que estas serão o Pastor Angélico, o Grande Monarca e o que significaria a prefigura de João Apóstolo, tendo o poder de interpretar os acontecimentos e sendo testemunha do Pastor Angélico. No fim dos tempos serão três as testemunhas prediletas também: Elias, que voltará, Enoch, que também voltará do paraíso terrestre, e o próprio João Apóstolo, segundo atestam muitos e o capítulo final de seu Evangelho indica, embora crie mistério. A volta de João também é apontada porque ele é quem viu tudo do apocalipse, ele é quem deveria sagrar bispos Elias e Enoch e não permitir que a linhagem apostólica acabe (se bem que bastaria ele de Bispo, e Nosso Senhor poderia ir ao lugar deles e sagrá-los), e por fim, ele é quem testemunhou a transfiguração.


No capitulo 6 do Gênesis se conta a concupiscência que havia entre os homens, pois viam que as mulheres eram formosas, estas eram as filhas dos homens, isto é, as mulheres da linhagem de Caim, que representa a cidade dos homens, em contrário a Set, representante da Cidade de Deus conforme Santo Agostinho (Cidade de Deus, Livro 15, cap. 23). Este mesmo Santo acrescenta que gigantes haviam sobre a terra antes desta mistura, como a Escritura diz, como de porte belo e grande. Essa formosura simboliza as grandes técnicas e conquistas que fazem o homem parecer gigante, porque o Santo Doutor até atesta que nem todos eram enormes. Na nossa sociedade prévia ao Castigo nem todos são altos também, mas há muitos prédios altos, veículos altos, as proporções são sempre gigantescas, dando a impressão de ser uma sociedade de gigantes, que é exatamente o que a Sagrada Escritura diz. Os cento e vinte anos de vida do homem em Gn 6, 3, Santo Agostinho comenta no capítulo seguinte da mesma obra, foi o tempo que Deus estipulou até o dilúvio, e curiosamente, nos nossos tempos, quase ninguém chega a esta idade se tomarmos literalmente.

Então Deus diz para Noé guardar tudo que se possa comer, e levar na Arca um casal de cada espécie. Aqui simboliza o fato que na nova Arca tudo o que havia antes será ainda utilizado, mas de modo restaurado.


Por último ressaltamos que com 600 anos Noé entra na Arca, isto é, o castigo que é na verdade uma parte da restauração, vem na sexta idade, confirmada por esse número de 600. Outras interpretações com os números podem ser feitas. Os quarenta dias de dilúvio poderiam se equivaler a quarenta dias de Castigo propriamente ou ao tempo em que a Igreja, representada pela Arca, navega em um mundo em turbulência que é de ordem natural, e a Igreja, representada pelo Santo Padre, não tem lugar fixo. Os cento e cinquenta dias nos quais se encontra os quarenta mais perigosos, seriam os dias das águas ainda presentes (o castigo ainda se fazendo sentir), mas não mais bravas, castigando. Mas o peso ainda presente das águas seria a guerra mundial, e quando aparece o primeiro cume de monte, que é o Ararat, e a Igreja/ Arca para ali, porque o cume é o vitorioso da guerra, e a Igreja assim sai dela e se une ao vitorioso, que conseguiu erguer-se acima dos outros , pelo menos assim aqui é entendido o cume. Tanto é que Gn 8 só fala da aparição dos cumes dos montes no décimo mês, no entanto, a Arca/Igreja fixou no monte Ararat 33 dias antes. Isto também é clara alusão à história da salvação: o povo de Deus, antes era peregrino no mundo, como a Arca nas águas, e quando se fixa, fixa-se no alto, como a cruz de Cristo, e outros cumes, simbolizados por outros de grande elevação e santidade quanto a Arca Nosso Senhor, só aparecem 33 dias depois, símbolo dos 33 anos de Cristo, os quais depois iriam aparecer os santos, os cumes dos montes, cumes de santidade.

Então quarenta dias depois Noé solta um corvo ao mundo. Este não volta até a secura das águas, o que equivale a dizer que a morte não para de rondar o mundo até o fim completo da guerra. Ou poderia ainda simbolizar um outro castigo causador de mortes. E a pomba solta que o segue é o espírito santo que emana da Igreja e volta, sem nunca sair, pois havia um par de pombas na Arca. As três saídas da pomba representando o começo de uma era, sendo a primeira a própria era antiga que culminava na sexta com a vinda de Nosso Senhor, e a segunda saída, feita após 7 dias ou 7 eras, é o começo da segunda grande era, que o Salvador abre, e que tem em si outras 7 eras representadas pelos outros 7 dias de espera até soltar a pomba que não mais retorna, ou seja, está acabado o ciclo das eras. A segunda vinda da pomba trazendo o ramo de oliveira é símbolo da paixão de Nosso Senhor evidentemente. No entanto, não temos uma interpretação para dizer o que estas coisas significariam nos acontecimentos do Castigo e da restauração.


CLIQUE: Profecias Católicas