A escritura, os Papas e os Santos falaram sobre beleza e adequação nas vestes ?

A escritura fala sobre beleza e adequação nas vestes ?
 
Impossível conceber Nosso Senhor Jesus Cristo vestido casualmente como índio, ou com farrapos sujos. De fato, quando Nosso Senhor foi crucificado, os soldados tomaram as vestes dele e tiraram a sorte nela. “A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura”, João 19. Quem iria querer uma túnica feia ou de pouco valor ? Nosso Senhor era de extrema elegância. [1]

No vestir digno dos padres a Sagrada Escritura em Êxodo 25 e 28 dá estritas ordens para a confecção de vestimentas em “sinal de dignidade” e ornato, usando os paramentos mais belos. Se era para ser assim antes da instituição do Santo Sacrifício da Missa, imagina-se depois, onde o ritual tornou-se muito mais importante.

E nas vestimentas dos leigos se vê a pompa de Ester, nos capítulos 6 e 15. Ela que era bem vista aos olhos do Senhor. Sem contar o próprio Moisés, que era o maior dos profetas e por isso era revestido com roupas de extrema beleza, “nunca antes dele houve coisa tão magnífica” (Eclo 45).


Pio XII

E aqui chegamos ao terceiro propósito do vestir, do qual a moda tira sua origem mais diretamente, e que responde a uma necessidade inata, sentida mais pela mulher, de melhorar a beleza e a dignidade da pessoa (...).
Nestes casos em que o objetivo é melhorar a beleza moral da pessoa, o estilo de roupa seria quase como um disfarce para a beleza física na sombra austera do ocultamento, distraindo a atenção dos sentidos, e concentrando a reflexão no espírito. [2]


São Tomás de Aquino citando Santo Agostinho

Comentando o mau uso das coisas exteriores: “Primeiramente, considerando-se o costume das pessoas com quem se vive. Por isso, diz Agostinho: ‘Os excessos contrários aos costumes humanos devem ser evitados, respeitando suas diversidades. Uma convenção estabelecida numa cidade ou num povo por costume ou por lei não deve ser violada pelo capricho de um cidadão ou de um forasteiro, pois toda parte em desarmonia com o seu todo é uma aberração’.

A segunda é a dos que se vangloriam dessa mesma falta de cuidado com a aparência. Por isso, Agostinho diz que ‘pode haver vaidade não só no brilho e no luxo dos ornatos do corpo, mas até numa apresentação negligente e degradante e tanto mais perigosa quanto procura nos enganar, a pretexto de serviço de Deus’. E o Filósofo diz que ‘tanto o excesso quanto a deficiência dizem respeito à jactância’

(...) deve-se dizer que as pessoas revestidas de dignidade como também os ministros do altar usam hábitos mais preciosos que os demais não para a glória pessoal, mas para acentuar a excelência de seu cargo ou do culto divino. Nada, portanto, de errado nesse caso. E Agostinho diz: “Todo aquele que, no uso das coisas exteriores, sai fora dos limites habituais das pessoas de sua convivência, ou tem algo a representar, ou quer satisfazer sua própria vaidade,” pois usa disso para a sensualidade ou para ostentação.” [3]

São Francisco de Sales com citação de São Luís Rei da França

São Paulo quer que as mulheres cristãs (o que há de entender-se também dos homens) se vistam segundo as regras da decência, deixando de todo excesso e imodéstia em seus ornatos. Ora, a decência dos vestidos e ornatos depende da matéria, da forma e do asseio.

O asseio deve ser geral e contínuo, de sorte que evitemos toda mancha ou coisa semelhante que possa ofender os olhos; esta limpeza exterior considera-se como um indício da pureza da alma, a ponto de o mesmo Deus exigir dos seus ministros dos altares uma pureza e honestidade perfeita quanto ao corpo.

No tocante à matéria e à forma dos vestidos, a decência só se pode determinar com relação às circunstâncias do tempo, da época, dos estados ou vocações, da sociedade em que se vive e das ocasiões. É uso geral vestir-se melhor nos dias de festas, à proporção de sua solenidade, ao passo que no tempo da penitência, como na Quaresma, escusa-se muita coisa. Os dias de casamento e os de luto têm igualmente grande diferença e regras peculiares. Achando-se na corte de príncipe, o vestuário terá mais dignidade e esplendor do que quando se está em casa. Uma mulher pode e deve se enfeitar melhor quando está com seu marido, sabendo que ele a deseja; mas, se o fizesse em sua ausência, haveria de perguntar-me a quem quererá agradar com isso. As moças se concedem mais adornos, porque podem desejar agradar a muitos, contanto que suas intenções sejam de ganhar um só coração para o casamento legítimo. O mesmo se há de dizer das viúvas que estão pensando em novas núpcias, contanto que não queiram imitar em tudo as jovens, porque, depois de ter passado pelo estado matrimonial e pelos desgostos da viuvez, pensa-se que devem ser mais sóbrias e moderadas. Para aquelas que são verdadeiras viúvas, como diz apóstolo, isto é, aquelas que possuem no coração as virtudes da viuvez, nenhum adorno convém além de um ou outro, conforme à humildade, modéstia ou devoção; se querem, pois, dar amor aos homens, não são verdadeiras viúvas e, se não o querem dar, por que atrair a si os olhares ¿ Quem não quer receber hóspedes tem de tirar de sua casa a tabuleta. Ri-se sempre dos velhos que se querem fazer de bonitos: é esta uma fraqueza que mesmo o mundo só perdoa na mocidade.

Conserva um asseio esmerado, Filoteia, e nada permitas em ti rasgado ou desarranjado. É um desprezo das pessoas com quem se convive andar no meio delas com roupas que as podem desgostar; mas guarda-te cuidadosamente das vaidades e afetações, das curiosidades e das modas levianas. Observa as regras da simplicidade e da modéstia, que são indubitavelmente o mais precioso ornato da beleza e a melhor escusa da fealdade. São Pedro adverte principalmente as moças que não usem penteados extravagantes. Os homens de tão pouco caráter, que se divertem com essas coisas de sensualidade e vaidade, são tidos por toda parte na contra de espíritos efeminados. Diz-se que não se tem má intenção nessas coisas, mas eu replico, como fiz outras vezes, que o demônio sempre tem. Para mim eu desejava que uma pessoa  devota fosse sempre a mais bem-vestida de uma reunião, mas a menos pomposa e afetada, e que fosse ornada , como se lê nos Provérbios de graça, de decência e dignidade. São Luís resume tudo isso numa palavra, dizendo que cada um deve vestir-se segundo o seu estado; de modo que as pessoas prudentes e a gente de bem não possam achar exagero e os jovens nenhuma falta de ornato e decência; e no caso em que os jovens não se deem por contentes, é preciso seguir o conselho das pessoas prudentes. [4]

CLIQUE: Modéstia, Pureza e Elegância: masculina e feminina

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Fontes:
[1] Santo Tomás em seu comentário nessa parte lembra o comentário de S. João Crisóstomo de que a túnica era simples para a época, e ao mesmo tempo ressalta que outros disseram que a túnica era cara, que é a nossa posição.

[2] S.S. Pio XII, 8 de novembro de 1957, The Pope Speaks  Vol. IV, No. 3, págs. 273-285. 
[3] Suma Teológica, Segunda Parte da Segunda Parte, Questão 169, Artigo 1, Ed.Loyola
[4] São Francisco Sales, Filotéia, parte III, cap. 25.