O Santo Rosário e o Escapulário do Carmo de Nossa Senhora nas prefiguras e profecias bíblicas

A arca da aliança na arte medieval
Para entender alguns conceitos mencionados aqui, recomendamos os seguintes artigos (clique):

A Arca da Aliança é a prefigura de Maria Santíssima, por isso a ela deve-se maior veneração

Hipótese teológica da vinda no fim do mundo de S.João Evangelista ressurrecto, pela Escritura e os Doutores da Igreja

A Escritura e os Doutores da Igreja dizem que Elias e Enoch virão no fim dos tempos na época do Anti-Cristo

Clique aqui para ler mais sobre o Grande Castigo e o Reino de Maria

Extraído do livro "O Príncipe dos Cruzados" (inédito) de autoria nossa.

Antes de entrar no tema
[1] lembramos primeiro da numerologia presente no Rosário: 3 terços, 15 misrios, uma década por mistério.

Antigo Testamento - Gênesis 

Na Vulgata "Inimicitias ponam inter te et mulierem, et semen tuum et semen illius : ipsa conteret caput tuum, et tu insidiaberis calcaneo ejus" justamente no versículo 15 do capítulo 3 Deus profetiza que a mulher, na tradição da Igreja tomada como Nossa Senhora (óbvio, Eva não esmagou serpente alguma) esmagará a cabeça da serpente quando conceber Nosso Senhor Jesus Cristo. E por isto há "inimizades entre ti [serpente] e a mulher, e entre a tua posteridade [da serpente] e dela". Porque ela é a Mãe de Deus, e por isso torna-se mãe de toda a humanidade. Logo no capítulo terceiro, simbolizando não só a trindade como o rosário, e no versículo 15, símbolo dos mistérios do rosário e dezenas que esta primeira profecia previu. Ao falar da luta contra o demônio e os seguidores dele, Deus quer deixar bem indicado, colocando a numerologia correta, que o rosário precisa estar presente.

Se faz presente a numerologia do Rosário na medida da Arca de Noé, pois "o comprimento da arca será de trezentos côvados, a largura de cinquenta côvados, e a altura de trinta côvados" Gn 6, 15. Ora, são estes exatamente os números do rosário, com o número cem multiplicador do comprimento significando uma número maior de gente (assim como 144.000 dos santos do Apocalipse significa doze vezes doze, sendo mil o fator de multidão), pois havia mais de uma pessoa na Arca. Também havia exatamente três andares, explica Gn 6, 16, e Noé saiu junto com seus três filhos, "por eles se propagou todo o gênero humano sobre a terra" Gn 9, 19.

O escapulário na construção é a janela de "um côvado de alto ao seu cume", mais ou menos cinquenta centímetros, o que seria suficiente para colocar a cabeça para fora, e que é a medida usada para o comprimento do escapulário do Carmo comumente utilizado pelos leigos católicos. A Arca é justamente a habitação dos justos e daqueles que procuram a salvação e não o mundo, e por isto é conveniente que tenha exatamente uma equivalência com estas duas devoções. Não por acaso Nosso Senhor, ao profetizar o Castigo (prefigura do fim do mundo) em Mateus 24, que Nossa Senhora do Rosário de Fátima também profetizou, menciona que "como foi nos dias de Noé, assim será também à vinda do Filho do homem", ou seja, a Bíblia recomenda para este tempo, de um jeito sutil, a mesma devoção que Fátima recomendou.


Êxodo - Significados na Arca do Testamento, prefigura de Nossa Senhora

Mostramos antes que a Arca da Aliança é a prefigura de Nossa Senhora. Então, com as coisas mais próximas de Nossa Senhora, como o rosário e o escapulário, podemos analisar um dos aspectos (porque podem existir vários) do simbolismo da Arca.

Nela havia dois querubins, conforme mandou Deus: "Um querubim esteja dum lado, o outro do outro. Cubram ambos os lados do propiciatório, estendendo as asas e cobrindo o oráculo, e estejam olhando um para o outro com os rostos voltados para o propiciatório, com o qual deve estar coberta a arca, na qual porás o testemunho, que eu te hei de dar" Ex 25, 19-22. Estes dois querubins representam o escapulário e o rosário, as duas coisas estavam diante da Arca da Aliança, Nossa Senhora, e uma olhava a outra, em sinal de extrema sintonia.
Era daquele local que Deus dava as ordens, "lá te darei as minhas ordens" Ex 25, 22, as quais serviam para a edificação do povo que era prefigura da Igreja, "te direi todas as coisas que por meio de ti intimarei aos filhos de Israel" Ex 25, 22. Esta combinação de coisas era s
umamente desejável por Deus, e precisa estar presente no ministério profético principalmente, que não se faz sem Nossa Senhora, como indica esta mesma parte.

Os querubins também nos lembra o primeiro querubim que aparece na Escritura: aquele posto para guardar o caminho para o paraíso terrestre com a espada flamejante
depois da expulsão de Adão e Eva de lá. A relação do querubim com o lugar onde o homem estava quando não tinha pecado nos recorda Nossa Senhora, que é imaculada.

Alguns podem argumentar que a numerologia do rosário não está correta para a medida da Arca da Aliança, mas isto não é assim, porque principalmente ela representa Nossa Senhora, e dentro a Palavra de Deus, Nosso Senhor Jesus, e a Igreja também, porque a aliança depois se renova com Cristo. Diferente da Arca de Noé, que era o lugar onde residiam aqueles que não se corromperam pelo mundo, aqueles que eram como Noé, "que achou graça diante do Senhor" Gn 6, 8.

 
Antigo Testamento - I Samuel

No combate entre Davi e Golias, que significa o combate entre o bem o mal, entre os filhos de Maria e os filhos da serpente podemos ver uma simbologia do rosário. Saul em I Sm 17, 38-40 reveste Davi de armadura, dando a ele espada, elmo e vários aparatos para a luta. Mas Davi sabe que tudo isto não tem o mesmo valor que o que ele tem: a prefigura do terço. As cinco pedrinhas na mão. No entanto alguns podem argumentar que ele usou só uma, mas isto é justamente o motivo pelo qual as cinco pedrinhas representam o terço, porque ele apanhou cinco e não uma, que já era o bastante. O estilingue é a prefigura do escapulário, já que ele é o acessório remanescente.

Antigo Testamento - Ester

Ester contra Aman (ou Hamã) é  uma outra história bíblica de luta entre o bem e o mal, e Aman acaba enforcado por tentar conspirar contra o povo judeu procurando a morte deles. A corda que o enforcou tinha 50 comprimentos, significando novamente o terço. E a corda em volta do pescoço significa o escapulário.

A vitória ocorre no 15 dia do mês de Adar do antigo calendário judaico. Quinze completa os mistérios ou dezenas do rosário.

Aquele mês era o último do ano, o décimo segundo e dependendo do ano o décimo terceiro também, portanto a história era uma justa prefigura do fim dos tempos, com a vinda do Anti-Cristo na décima terceira era global que discutimos antes (sete antes de Cristo, e sete Cristãs, sendo a Cristã uma era nova também, mas englobadora).

Novo Testamento - Pescas milagrosas com Jesus

  
"Disse-lhes (Jesus): Lançai a rede para o lado direito da barca e encontrareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. Simão Pedro, ao ouvir dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu), e lançou-se ao mar. Os outros discípulos foram com a barca (porque não estavam distantes de terra, senão duzentos côvados), tirando a rede cheia de peixes." Jo 21, 6-9."Subiu Simão Pedro (à barca), e tirou a rede para terra, cheia de cinquenta e três grandes peixes. E, sendo tantos, não se rompeu a rede." Jo 21, 11

São Pedro pesca 153 peixes, o número de ave-marias no rosário. Veja que Pedro pega os peixes passando pela tribulação das águas, símbolo da a tribulação ou castigo mundial próximo da nossa época e que é prefigura da verdadeira tribulação que é o tempo do Anti-Cristo. O barco estava a duzentos côvados da margem. A margem sendo a finalidade, temos o barco o começo, são três elementos que o homem precisa percorrer para chegar na sua meta final, significando os três terços do rosário. O barco é justamente aonde o homem fica em pé, e significa a unidade comum, aonde o homem consegue as graças do terço (lembramos que o terço já fornece graças e indulgências, sendo o rosário mais dois terços somente, que fornecem mais graças e indulgências ainda, mas o terço é a devoção mínima, já simboliza o rosário). Então o sentido fica assim: o homem tem um porto seguro, o terço, onde poderá se manter de pé, mas para um encontro mais frutífero e ardente com Cristo ele deverá percorrer as águas das duas outras partes, simbolizadas pelos duzentos côvados, e é bom que ele o faça com o escapulário, como fez S.Pedro.

Isto se explica porque S.Pedro coloca uma túnica para entrar na água, a qual significa o escapulário. E há uma concordância na sequência dos acontecimentos aqui, porque o rosário aparece na Igreja pouco antes (começo do século XIII) do escapulário do Carmo (metade do século XIII). 

"Foi esta já a terceira vez que Jesus se manifestou a seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos". Jo 21, 14.

Aqui mais uma numerologia profética. Aquela era justamente a terceira aparição de Jesus, e logo depois três reconciliações são feitas por Pedro, e três vezes Nosso Senhor dá a ele poder temporal em Jo 21, 15-18. Notamos também que 21 (número do capítulo) é 2+1 ou 3 segundo algumas técnicas de numerologia, mas isto só notamos por não sabermos se a técnica é válida. Nossa interpretação portanto, dá a resposta à inquietação de Santo Agostinho quando tratou da importância dos números na Sagrada Escritura e de sua simbologia,
dando uma interpretação própria para a pesca dos 153 peixes [2].
Em Lucas 5, 1-11 também acontece uma pesca milagrosa, na qual se conhece a missão que Nosso Senhor dá para São Pedro, "não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens". Esta pesca envolve dois barcos, que estão prestes a afundar de tanto peixe, e as redes cheias de peixes se rompem ao contrário da pesca dos 153 peixes (embora não saiam os peixes). Isto significa que a devoção dada por Nosso Senhor que mais sustenta a ordem temporal é o rosário, que não rompeu a rede nem quase afundou o barco. E é rosário que Deus dá previamente à confirmação da missão do Católico, como aconteceu em Jo 21. Notamos que tanto nesta primeira pesca, quanto na dos 153 peixes estavam presentes as três testemunhas principais de Cristo, que são prefiguras das três testemunhas da sexta era cristã (Papa Santo, Grande Monarca e profeta como João Evangelista), e das três testemunhas do fim do mundo (Elias, Enoch e o próprio João Evangelista), conforme argumentamos antes. Obviamente, os três representam o rosário porque representam a plenitude de quem faz testemunho de Cristo, e por isso não podiam não ter papel dominante nestas partes da Escritura que mencionam o rosário.


Novo Testamento
-
Profecia de Nosso Senhor sobre o Fim do mundo no monte da Oliveiras

O discurso de Cristo sobre o fim do mundo em Mt 24 também tem numerologia significativa. De 6-24 são dezoito versículos falando sobre a influência dos maus, e dezoito são 6 + 6 + 6, o 666 do Anti-Cristo, a plenitude do mau na terra. Logo em seguida, "depois da tribulação", dos versículos 29-44 temos 15 versículos que simbolizam o rosário, e então contra a plenitude do mal temos o símbolo do rosário 5 + 5 + 5.

É claro, alguns podem argumentar que 13-14 não contam nisto porque falam da vitória,
"mas o que perseverar até o fim, esse será salvo. Será pregado este evangelho por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes; e então chegará o fim". Estes não falam da tribulação propriamente, mas dá um conselho e fala algo de bom para acontecer nela. Não acreditamos que essa parte invalidaria a interpretação, pois é um conselho para a tribulação, diferente da segunda parte (da vitória pelo rosário), que tem direcionamento profético em relação à segunda vinda de Cristo. E a pregação é algo também com o mesmo direcionamento, embora não seja tenha caráter de tribulação, está no contexto. Por fim, é interessante notar que dois versículos distoam um pouco, assim como o 5 e o 24, que simbolizam a prévia da tribulação (os 18 versículos) e o término dela na profecia, e os dois falam da vinda de falsos Cristos, deixando mais claro ainda que estes se referem à plenitude do mal na terra, o anti-Cristo.

O escritor William Tapley
fala que a divisão começa no versículo 9 por causa da menção da tribulação, mas mesmo se ele estiver correto, não descartaria nossa interpretação, que é, na primeira parte, baseada na menção do Anti-Cristo.


A oração "Ave-Maria" tem estrutura profética
 
1.Ave Maria, 2. grátia plena, 3. Dominus tecum, 4. benedicta tu in mulieribus, 5.et benedictus fructus ventris tui, 6.Jesus.7.Sancta Maria, 8.Mater Dei, 9.ora pro nobis peccatoribus, 10.nunc 11.et in hora mortis nostrae. 12.Amen"


Vejamos que a primeira parte, de 1-6, é bíblica literalmente, sendo a segunda parte uma adição piedosa (mas obviamente com base teológica bíblica, como tudo na Santa Igreja). Esta primeira parte, podendo ser dividida a partir de cada significado ali, possui seis partes. Lembramos que Nosso Senhor aparece justamente na sexta era antiga, inaugura a sétima, e abre a era cristã. Portanto o nome de Jesus aparece só na sexta parte da oração, evidenciando o caráter profético da oração.

O mesmo ocorre no Pai-Nosso se fizermos uma divisão adequada:

1.Pater Noster qui es in caelis, 2.sanctificetur nomen tuum. 3.Adveniat regnum tuum. 4.Fiat voluntas tua, 5.sicut in caelo et 6.in terra. 7.Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, 8.et dimitte nobis debita nostra 9.sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. 10.Et ne nos inducas in tentationem, 11.sed libera nos a malo. 12.Amen.

A sexta parte completa o sentido da vinda do Reino de Deus na terra, e este Reino é em parte conseguido pelo próprio Cristo na sexta era antiga, quando estabeleceu a Igreja, e será na sexta era cristã em sua plenitude de modo temporal, isto é, o Reino de Maria que tratamos. Portanto, novamente a numerologia tem sentido profético.

N
as duas orações a estrutura tem doze partes, sendo "Amén" a última. Isto também indicaria uma equivalência numerológica nas orações. Lembrando que doze é o número perfeito segundo as Escrituras, que fala no Apocalipse dos 144.000 santos que são doze vezes doze vezes mil (que significa uma multidão). Estas duas orações são como o rosário e o escapulário que nós tratamos aqui, por serem numerologicamente equivalentes, tendo a sexta parte o mesmo significado profético, por terem aparecido as duas na sexta parte da era antiga, e porque inclusive faz parte destas devoções prefiguradas em plenitude naquele tempo.
 

Livro do Apocalipse

Na parte da abertura dos selos vemos que o terceiro selo, equivalente aos três terços tem um significado relacionado. E por que não consideramos o terceiro anjo, a terceira trombeta ? Porque estes representam mais especificamente castigos, e os selos representam são os mistérios, que podem ser razões por trás destes castigos, missões de outros, inimigos ou amigos da Igreja.

Quando o sétimo anjo toca a trombeta, e começam os sinais, podemos analisar o sinal da mulher, normalmente considerada na tradição como Nossa Senhora. Ela ganha, em Ap 12, 14, duas asas de uma grande águia para voar ao deserto.

Estas duas asas são os dois querubins acima citados, que possuíam asas cobrindo a arca da aliança, eles são o escapulário e o rosário que servem na luta contra a serpente, e servem grandemente para o retiro no deserto, isto é, para a meditação, a contemplação, e por isso é de grande importância na vida monástica. Se são duas asas, no entanto é uma águia só, porque as duas devoções são do mesmo conjunto como Nossa Senhora bem mostrou nas aparições de Fátima.

Mas ela é sustentada, não como ela precisasse destas coisas, mas sustentada na atenção ao fiel que exerce sua devoção
, então ela se sustentada nesta atenção por Deus, porque Deus faz os seus santos ouvirem as orações dos fiéis devotos deles.

É sustentada por um tempo, por tempos, e por metade de um tempo, "
ubi alitur per tempus et tempora, et dimidium temporis". São três relacionados à um só: o "tempo", que representa a unidade em comum, portanto o terço no caso. Se falamos "um metro, uns metros, e metade de um metro", o denominador comum é o metro.

Por que um, depois mais de um e então metade ? A razão é que um, adicionando mais de um ou dois conforme nosso entendimento, dá três. E a metade de um tem o significado deste conjunto que é o escapulário e o rosário, e por isto a metade é mencionada por último, porque a metade do conjunto que mais dá graças é o escapulário neste contexto, já que antes foi mencionado o rosário no "por um tempo, por tempos".

Se esta interpretação está correta, por que a escritura não diz logo
"por três tempos, e metade de um"? Porque ela é sustentada por estes tempos. O primeiro não é o denominador comum, mas denota que uma pessoa é sustentada por esse tempo, que é o símbolo do terço. Depois mais de um refere-se ao dois ou mais, estes também sustentam a atenção da Mãe de Deus na oração de seus filhos. A Escritura precisava deixar claro que um sustenta, dá a graça do terço, conforme a Igreja atualmente estipula para as indulgências do terço, que só valem a partir de um terço inteiro, embora valham mais com o rosário completo.


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Fontes:
[1] Muitas das interpretações aqui foram tiradas e ampliadas a partir da de William Tapley, que as expôs nos vídeos "Mary's Rosary in Bible Prophecy" enviado em 13/09/2008, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=AOwFfqXOaRw e "Where is Mary's Rosary in Bible Prophecy?" publicado em 01/12/2013 disponível em https://www.youtube.com/watch?v=jdu7R8qJ-zs. Ambos acessados em 29/09/2014. Apesar de ter boas intuições, recusamos muitas de suas interpretações, por elas serem permeadas de progressismo e raciocínio ruim.
[2] Santo Agostinho, A Doutrina Cristã, Ed.Paulus, pg 112, o simbolismo dos números.