O Santo Rosário e o Escapulário do Carmo da Virge Maria nas prefiguras e profecias bíblicas

A arca da aliança na arte medieval
Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós! Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Anterior deste capítulo: O livro do Apocalipse fala do Castigo Mundial na quinta e na sexta Era (parte 2)


Para entender alguns conceitos mencionados aqui, recomendamos os seguintes artigos (clique):

A Arca da Aliança é a prefigura de Maria Santíssima. Provas bíblicas

Hipótese teológica da vinda no fim do mundo de S. João Evangelista ressurrecto, pela Escritura e os Doutores da Igreja

A Escritura e os Doutores da Igreja dizem que Elias e Enoch virão no fim dos tempos na época do Anti-Cristo

Clique aqui para ler mais sobre o Grande Castigo e o Reino de Maria


Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Vol. I, parte I, 3a edição, Cap. IV)".

Falaremos da importância desses dois sacramentais importantíssimos para o católico, através de eventos bíblicos que parecem fazer paralelo com estes, conforme outros autores também [1]. Antes, lembramos
dos números presentes no Rosário: 3 terços, 15 misrios, uma dezena por mistério.

- Antigo Testamento - Gênesis 

Profecia após a expulsão do paraíso terrestre

Justamente no versículo 15, do capítulo 3 da Vulgata: "Inimicitias ponam inter te et mulierem, et semen tuum et semen illius: ipsa conteret caput tuum, et tu insidiaberis calcaneo ejus".

Deus profetiza que a mulher, interpretada pela tradição da Igreja como Nossa Senhora (o que é evidente, já que Eva não esmagou serpente alguma) esmagará a cabeça da serpente quando conceber Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, há "inimizades entre ti [serpente] e a mulher, e entre a tua posteridade [da serpente] e a dela". Porque a Virgem Maria é a Mãe de Deus e, por isso, tornou-se Mãe de toda a humanidade.

O símbolo do rosário está na numeração: capítulo terceiro, versículo 15. O capítulo simboliza não só a trindade, como o rosário, e o versículo 15, os mistérios do rosário e dezenas. Ao falar da luta contra o demônio e seus seguidores, Deus indica, conforme a ordem numérica, que o rosário precisa estar presente.


Adendo da 3a edição: alguém pode dizer que a numeração é fortuita. No entanto, a numeração se manteve intacta ao longo do tempo, pois havendo diferentes numerações da Bíblia, mesmo em versões de línguas diferentes, haveria problemas de citação, o que certamente era um problema presente aos santos tradutores das Sagradas Letras na época, como S. Jerônimo.
 

Nas medidas da arca de Noé dadas por Deus

"O comprimento da arca será de trezentos côvados, a largura de cinquenta côvados, e a altura de trinta côvados" Gn VI, 15.

Símbolos dos três terços do rosário: no comprimento da arca, pois se tomarmos o número cem como mero multiplicador do comprimento, isto é, um número que meramente representa grande quantidade, dado que
a Arca precisava ser grande. Assim também os 144.000 santos do Apocalipse representam doze vezes doze, e os mil que os multiplicam simboliza um número grande. Também havia exatamente três andares, explica Gn VI, 16. Além disso, Noé saiu junto com seus três filhos, e "por eles se propagou todo o gênero humano sobre a terra" Gn IX, 19.

Símbolo do escapulário na Arca: na construção, pois a janela tinha "um côvado de alto ao seu cume", isto é, mais ou menos cinquenta centímetros, tamanho suficiente para colocar a cabeça para fora, o que indica a medida usada habitualmente para o comprimento do escapulário do Carmo pelos leigos católicos.

Símbolos do escapulário e do Rosário na Arca: esta era a habitação dos justos, ou seja, daqueles que procuram a salvação, e não o mundo. Por isso, era conveniente que houvesse uma equivalência com estas duas devoções. Talvez por essa relação, Nosso Senhor, ao profetizar o Castigo Mundial, também profetizado pela aparição de Nossa Senhora de Fátima,
em S. Mateus XXIV (prefigura do fim do mundo, também profetizado por Cristo Deus nessa parte), disse que "como foi nos dias de Noé, assim será também à vinda do Filho do homem", o que parece indicar um paralelo entre os eventos, ou seja, a Bíblia recomenda, de um jeito sutil, as mesmas devoções que a Virgem de Fátima nos pediu, seja por palavras, seja através de sua roupa, pois em Fátima Nossa Senhora apareceu em uma ocasião como Senhora do Carmo.

Êxodo - Significados na Arca do Testamento, prefigura da Virgem Maria

Já mostramos, no capítulo III, que a Arca da Aliança era a prefigura da Mãe de Deus. Então, considerando os sacramentais mais importantes dEla, como o rosário e o escapulário, analisaremos um dos aspectos do simbolismo da Arca.

Escapulário e Rosário simbolizados pelos dois querubins em cima do propiciatório: "um querubim esteja dum lado, o outro do outro. Cubram ambos os lados do propiciatório, estendendo as asas e cobrindo o oráculo, e estejam olhando um para o outro com os rostos voltados para o propiciatório, com o qual deve estar coberta a arca, na qual porás o testemunho, que eu te hei de dar" Ex XXV, 19-22. Estes dois querubins representam o escapulário e o rosário, pois ambos guardavam a Arca da Aliança, prefigura da Virgem Maria, e um olhava ao outro, mostrando extrema sintonia.

O propiciatório (espécie de tampa da Arca) tem relação com o profetismo, ligado aos sacramentais:
"lá te darei as minhas ordens" Ex XXV, 22. T
ais ordens serviam para edificar o povo que era prefigura da povo católico: "te direi todas as coisas que por meio de ti intimarei aos filhos de Israel" Ex XXV, 22. Esta escolha Divina, nos parece, queria fazer também um paralelo com os sacramentais da Virgem de Fátima, pois ambos têm relação com o ministério profético no Novo Testamento, que não se faz sem devoção à Rainha dos Profetas.

Os querubins lembram o querubim da porta do paraíso terrestre, que lembra a ausência de pecado: o primeiro querubim citado na Bíblia guardava o caminho ao paraíso terrestre com a espada flamejante,
depois da expulsão de Adão e Eva. A relação do querubim com o lugar onde não havia pecado na humanidade nos recorda a Virgem Imaculada.

Adendo da 3a edição: na edição passada, confusões com as medidas da Arca foram feitas. Agora, podemos dizer que os números de medida da Arca (2,5 x 1,5 x 1,5 côvados, segundo Gn XXXVII) se harmonizam com os números do rosário somente se tomarmos a largura e a altura somadas, desconsiderando o comprimento, mais próprio à tampa da Arca, isto é, o propiciatório. Ora, o propiciatório, que era onde o sangue do sacrifício era derramado, simboliza melhor
a Co-Redentora do gênero humano. Afinal, se S. Paulo disse "completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja" (Col I, 24), muito mais a Mãe de Deus.
 
Antigo Testamento - I Samuel

No combate entre Davi e Golias, isto é, o combate entre o bem o mal, entre os filhos de Maria e os filhos da serpente. Aqui podemos ver símbolos do rosário. Em I Sm XVII, 38-40, Saul reveste Davi de armadura, dando-lhe espada, elmo e vários aparatos para a luta. Mas Davi sabe que tudo isso não tem o mesmo valor que o que ele tem: as cinco pedrinhas na mão, a prefigura do terço. No entanto, alguns podem argumentar que ele usou só uma, mas isto só reforça o motivo pelo qual as cinco pedrinhas representam o terço, porque ele apanhou cinco e não uma, que já era o bastante. Já o estilingue parece ser a prefigura do escapulário, já que é o acessório remanescente.

Antigo Testamento - Livro de Ester

Ester contra Aman (ou Hamã) é uma outra história bíblica de luta entre o bem e o mal, e Aman acaba enforcado por tentar conspirar contra o povo judeu procurando matá-los. A corda que o enforcou tinha 50 comprimentos, significando as ave-Marias do terço. E a corda, que também fica entre escápulas, lembra o escapulário.

A vitória ocorre no 15 dia do mês de Adar do antigo calendário judaico. Quinze completa os mistérios ou dezenas do rosário.

Aquele mês era o último do ano, o décimo segundo. Dependendo do ano, segundo o calendário judaico, era o décimo terceiro. Portanto, essa história era uma prefigura do fim do mundo, pois o anticristo virá na décima terceira Era global, conforme sustentamos no capítulo III, pois são sete Eras antigas e sete novas menos uma, pois a Era Cristã é uma só, que contém sete.

Novo Testamento - Pescas milagrosas com Nosso Senhor

  
Número de peixes na pesca milagrosa narrada no Evangelho de S. João simboliza número de ave-Marias: "Disse-lhes (Jesus): Lançai a rede para o lado direito da barca e encontrareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. Simão Pedro, ao ouvir dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu), e lançou-se ao mar. Os outros discípulos foram com a barca (porque não estavam distantes de terra, senão duzentos côvados), tirando a rede cheia de peixes." S. João XXI, 6-9. "Subiu Simão Pedro (à barca), e tirou a rede para terra, cheia de cinquenta e três grandes peixes. E, sendo tantos, não se rompeu a rede." S. João XXI, 11.

São Pedro pesca 153 peixes, o número exato de ave-Marias no rosário. Veja que Pedro pesca os peixes passando pela tribulação das águas, símbolo da tribulação ou castigo mundial próximo da nossa época, e prefigura da última tribulação, o tempo do anticristo. O barco estava à duzentos côvados da margem. Se considerarmos a distância total como a margem mais a distância do barco, são três elementos que o homem precisa percorrer para chegar na sua meta final, completando o símbolo numérico dos três terços do rosário.

Ademais, o barco, simbolizando a um terça parte da distância, significa a unidade comum, onde o homem consegue as graças do terço (de fato, o terço já fornece graças e indulgências, e quando são três terços completa-se o rosário, o qual fornece ainda mais graças e indulgências. Mas o terço, como a devoção mínima, já lembra o rosário).

Então, o sentido fica assim: o homem tem um porto seguro, o terço, onde poderá se manter de pé, tal como no barco, mas para um encontro mais frutífero e ardente com Cristo
, ele deverá percorrer as águas das duas outras partes, isto é, completar o rosário, simbolizado pela distância dos duzentos côvados. E é bom que o faça com o escapulário, como fez S. Pedro, como mostraremos pela interpretação seguinte.


O escapulário é representado pela túnica que S. Pedro coloca para entrar na água: se considerarmos o simbolismo de ambos sacramentais, há uma concordância na sequência dos acontecimentos aqui, porque o rosário aparece na Igreja pouco antes (começo do século XIII) do escapulário do Carmo (metade do século XIII). 

"Foi esta já a terceira vez que Jesus se manifestou a seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos". S. João XXI, 14.

Aqui vemos mais uma harmonia numérica. Aquela era justamente a terceira aparição do Salvador ressurrecto, e logo depois são feitas três reconciliações com S. Pedro, e três vezes Nosso Senhor dá a ele poder temporal em
S. João XXI, 15-18. Notamos também que 21 (número do capítulo) dá 2+1 ou 3, segundo algumas técnicas de numerologia, algo que só notamos por não sabermos se a técnica é válida.

Essa interpretação, se certa, responde a inquietação de S. Agostinho quando tratou da importância dos números na Sagrada Escritura e de sua simbologia, cogitando
uma interpretação para a pesca dos 153 peixes [2]. 

S. Lucas V, 1-11 também narra uma pesca milagrosa, na qual se conhece a missão que Nosso Senhor dá para São Pedro, "não tenhas medo; desta hora em diante serás pescador de homens". Esta pesca envolve dois barcos, que estão prestes a afundar de tanto peixe, e as redes cheias de peixes se rompem, ao contrário da pesca dos 153 peixes (embora não tenham saído peixes). Isso significa que a devoção dada por Nosso Senhor que mais sustenta a ordem temporal é o rosário, a qual não rompeu a rede nem quase afundou o barco. Ademais, na ordem dos eventos deste capítulo evangélico (S. João XXI), o símbolo do rosário, como falamos, é posto de modo prévio à confirmação da missão do Católico, isto é, o caso de S. Pedro Papa.

Notamos que tanto nessa primeira pesca, quanto na pesca
dos 153 peixes estavam presentes as três principais apóstolos de Nosso Senhor, prefiguras das três vindouros da sexta Era Cristã (Papa Santo, Grande Monarca e um profeta como S. João Evangelista), e das três testemunhas do fim do mundo (Elias, Enoch e o próprio S. João Evangelista), conforme sustentamos no capítulo III. Obviamente, os três representam o rosário, porque representam a plenitude de quem faz testemunho de Cristo. Por isso, era previsível que estivessem presentes nesses eventos bíblicos que mencionam simbolicamente o rosário.


Novo Testamento
-
Profecia de Nosso Senhor sobre o Fim do mundo no monte da Oliveiras

O discurso de Cristo sobre o fim do mundo em S. Mateus XXIV também tem harmonia numerológica. De 6-24 são dezoito versículos falando sobre a influência dos maus, e dezoito são 6 + 6 + 6, o 666 comumente associado ao anticristo, a plenitude do mau na terra. Logo em seguida, "depois da tribulação", de 29-44 temos 15 versículos, ou 5 + 5 + 5, que simbolizam os mistérios do rosário, o combate contra a plenitude do mal.

Alguns podem argumentar que 13-14 não podem ser contados porque falam de vitória:
"mas o que perseverar até o fim, esse será salvo. Será pregado este evangelho por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes; e então chegará o fim". Entretanto, estes versículos não falam da tribulação em primeiro plano, mas exortam à perseverância e pregação, então, não cremos que invalidam essa interpretação, pois é um conselho para a tribulação, diferente da segunda parte, que relaciona-se à segunda vinda de Cristo, a vitória Eterna e, portanto, com a vitória pelo Rosário. A pregação que Nosso Senhor comenta, embora não tenha necessariamente relação com a tribulação, está no contexto.

Por fim, é interessante notar que dois versículos destoam um pouco, assim como o 5 e o 24, que simbolizam a prévia da tribulação (os 18 versículos) e o término desta na profecia. Os dois falam da vinda de falsos Cristos, reforçando o sentido que demos anteriormente: estes se referem à plenitude do mal na terra, o anticristo.

William Tapley
fala que a divisão começa no versículo 9 por causa da menção da tribulação, mas mesmo se ele estiver correto, não anula nossa interpretação, que é, na primeira parte, pautada na citação ao anticristo.


As orações "Ave Maria" e "Pater Noster" têm estrutura profética

Vejamos ambas as orações, conforme divisão por sentido completo de palavras, isto é, quando há oração completa, interjeição, vocativo (atrelado a alguém), ou nome sagrado de Jesus.

 
1.Ave Maria, 2. grátia plena, 3. Dominus tecum, 4. benedicta tu in mulieribus, 5.et benedictus fructus ventris tui, 6.Jesus.7.Sancta Maria, 8.Mater Dei, 9.ora pro nobis peccatoribus, 10.nunc 11.et in hora mortis nostrae. 12.Amen"


A primeira parte, de 1-6, é inteiramente bíblica, já a segunda é uma adição piedosa (mas obviamente com base teológica bíblica, como tudo na Santa Igreja). Essa primeira parte, conforme divisão de cada significado inteiro, possui seis partes. Lembramos que, segundo o que já hipotetizamos, Nosso Senhor aparece justamente na sexta Era antiga, inaugura a sétima, e abre a Era cristã. Portanto o nome de Jesus aparece só na sexta parte da oração, evidenciando o caráter profético da oração.

O mesmo ocorre no Pai-Nosso, ao fazermos a mesma divisão:

1.Pater Noster qui es in caelis, 2.sanctificetur nomen tuum. 3.Adveniat regnum tuum. 4.Fiat voluntas tua, 5.sicut in caelo et 6.in terra. 7.Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, 8.et dimitte nobis debita nostra 9.sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. 10.Et ne nos inducas in tentationem, 11.sed libera nos a malo. 12.Amen.

A sexta parte completa não só o sentido da quarta divisão, mas da terceira também, isto é, a vinda do Reino de Cristo na terra, o que foi obtido pelo próprio Salvador na sexta Era antiga, quando estabeleceu a Igreja. Ora, essa Era foi prefigura da sexta Era cristã, que é a plenitude da influência da Igreja na ordem temporal, o Reino de Maria, que tratamos desde o começo deste volume. Portanto, novamente a numerologia tem sentido profético.

Em amb
as orações, a divisão conforme os critérios acima tem doze partes, indicando uma equivalência numerológica nas orações. Afinal, doze é o número perfeito segundo as Escrituras, pois o Apocalipse fala dos 144.000 santos, isto é, doze vezes doze vezes mil (que significa uma multidão). Essas duas orações são como o rosário e o escapulário, pois são complementares. Por isso, era natural hipotetizar que a sexta parte de ambas orações possuía significado equivalente, principalmente no número equivalente da sexta Era antiga, mais relacionada à Virgem Santíssima
.

Livro do Apocalipse

Na parte da abertura dos selos vemos que o terceiro selo, numericamente equivalente aos três terços, tem um significado relacionado. Mas por que não considerar também o terceiro anjo, a terceira trombeta? Porque estes representam principalmente castigos, e os selos representam os mistérios, isto é, possíveis razões por trás destes castigos, missões de outros, inimigos ou amigos da Igreja, etc.

Quando o sétimo anjo toca a trombeta, e começam os sinais, podemos analisar o sinal da mulher, interpretada tradicionalmente como Nossa Senhora.

Ap XII, 14: "mas foram dadas à mulher duas asas de uma grande águia, a fim de voar para o deserto, ao lugar do seu retiro, onde é sustentada por um tempo, por dois tempos e por metade de um tempo, fora da presença da serpente".

As "duas asas" fazem um paralelo com os dois querubins acima citados, os quais possuíam asas cobrindo a arca da aliança. Já falamos aqui que eles representavam, em uma perspectiva interpretativa, o escapulário e o rosário. É interessante notar como eram dois querubins distintos
no Antigo Testamento, e agora são duas asas de águia, ou seja, o que antes era uma prefigura, e por isso distintas, agora está unida em uma só, no caso, o símbolo da águia que tem duas asas. Afinal, ambos sacramentais, no novo Testamento, são estreitamente unidos, como Nossa Senhora bem mostrou nas aparições em Fátima.
"A fim de voar para o deserto, ao lugar do seu retiro": pois tais sacramentais servem grandemente para o retiro no deserto, isto é, para a meditação e contemplação.

"Onde é sustentada por um tempo": sustentada pela atenção dos fiéis à devoção destes sacramentais. Deus faz com que os santos ouçam as orações dos seus fiéis devotos, principalmente quando estes sustentam sua devoção ao longo do tempo.

"Onde é sustentada por um tempo, por dois tempos e por metade de um tempo", ou "ubi alitur per tempus et tempora, et dimidium temporis". Assim como a frase "um boi, uns bois, e metade de um boi" possui "boi" como substantivo comum, no versículo acima é "tempo" a unidade comum. Também o rosário é dividido em três terços.

E por que as quantidades: um, dois, e metade? Se essa conta dá três tempos e meio, não quer dizer que o número do rosário não está completo, mas que se completa nas duas primeiras quantidades, que totalizam três. A outra quantidade, ou meia quantidade, significa o escapulário.   

Mas se esta interpretação está correta, por que não lemos
"por três tempos, e metade de um", já que não deixaria de simbolizar o rosário e o escapulário?

Porque a Virgem Maria é sustentada pelos tempos citados separadamente, isto é, o primeiro "tempo" não
indica o denominador comum, como falamos, mas indica que o fiel é sustentado por esse tempo, o símbolo do terço.

O "dois tempos"
também sustentam a atenção da Mãe de Deus na oração de seus filhos. O livro santo parece, se essa interpretação estiver certa, querer deixar claro que um terço sustenta o fiel, isto é, dá graças, conforme a Igreja determina para as indulgências: só valem a partir de um terço inteiro, embora valham mais ainda com o rosário.



Próximo deste capítulo: A Escritura sobre a vinda da prefigura da terceira testemunha do Apocalipse, o Grande General dos apóstolos dos últimos tempos


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[1] Muitas das interpretações aqui foram tiradas e ampliadas a partir das de William Tapley, que as expôs nos vídeos "Mary's Rosary in Bible Prophecy" enviado em 13/09/2008, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=AOwFfqXOaRw e "Where is Mary's Rosary in Bible Prophecy?" publicado em 01/12/2013 disponível em https://www.youtube.com/watch?v=jdu7R8qJ-zs. Ambos acessados em 29/09/2014. Apesar de ter boas intuições, não concordamos com muitas de suas interpretações, por serem eivadas de progressismo.
[2] Santo Agostinho, A Doutrina Cristã, Ed.Paulus, pg 112, o simbolismo dos números.