D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" e deixava seus padres celebrarem. E segundo alguns, já a teria celebrado

Esse artigo faz parte de um estudo sobre D. Marcel Lefebvre.

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D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" e deixava seus padres celebrarem. E segundo alguns, já a teria celebrado

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D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" e deixava seus padres celebrarem. E segundo alguns, já a teria celebrado

Muitos padres freestyle ou vida loka seguem a mesma prática e se sentem justificados

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Objeção 3: Foi também a maior resistência contra a missa nova na Igreja


-> Sequências de confusas opiniões e atitudes sobre a missa nova

Como comprovação de que D. Lefebvre nunca entendeu muito bem a verdadeira posição tradicionalista sobre a missa nova e sempre semeou confusão sobre o assunto, compilamos aqui certos trechos. Lembrando que quem pôs a pedra fundamental da posição tradicionalista acerca da nova missa de Paulo VI foi o Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, o qual era então estreitamente ligado à TFP. Inclusive é notório que D. Lefebvre elogiava o livro de Dr. Arnaldo de 1970, tendo tido provavelmente algum vislumbre da verdadeira posição tradicionalista sobre o que havia de anti-penitencial no novo missal através do mesmo.

Contudo, para evidenciar a confusão que o bispo francês semeou, compilamos estes ditos, começando por aquele que mais expunha sua mente final sobre o tema, isto é, uma declaração de 1979 feita depois de admitida a validez da missa nova: “A respeito da Nova Missa destruamos imediatamente esta idéia absurda: se a Nova Missa é válida, logo se pode participar. A Igreja sempre proibiu os fiéis de assistir às Missas dos cismáticos e dos hereges, ainda se elas fossem válidas.” [1] 

Seus seminaristas podiam celebrar missa nova fora do seminário

Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, ao comentar em 1974 a vinda de D. Marcel ao Brasil com D. Mayer, provavelmente informado sobre o bispo francês por D. Mayer, dizia que era “antiprogressista, não porém sem que alguma interrogação se possa fazer a respeito dele. Um dos elementos dessa interrogação é o fato de que ele permita a padres do Seminário dele celebrarem, fora do Seminário dele, missa nova. Não se compreende bem como os seminaristas dele possam ser bem formados no espírito antiprogressista, por padres que celebram a missa nova“ [2].

Era bom assistir uma missa nova “bem celebrada”, se não houvesse missa tradicional por perto

D. Tissier de Mallerais, sagrado bispo por D. Marcel e seu biógrafo post-mortem, confirma que os seminaristas ligados ao bispo francês assistiam uma missa nova celebrada em latim por um padre dominicano, e expõe duas cartas de D. Marcel:

“Faça um esforço para ter a missa de São Pio V, mas se é impossível de achar uma dentro de um raio de 40 quilômetros, e se há um padre piedoso que celebra missa nova no modo mais tradicional possível, é bom para você assisti-la para cumprir sua obrigação dominical [3].

“Se não se tem escolha e se um padre celebrando missa de acordo com o novo ordo da missa é fiel e valoroso, não se deve abster de ir à missa“ [4].

O bispo francês só passou a ser muito crítico quando surgiram os abusos, segundo um dos autores mais queridos aos lefebvristas, Michael Davies: “no caso da missa nova, é evidente que enquanto mantendo a sua validez intrínseca, o Arcebispo tem adotado uma posição mais negativa em relação a assisti-la de que quando ele fez nos anos anteriores. Não é surpresa, porque, na medida do passar dos anos, a maneira na qual a missa nova ia sendo celebrada foi ficando cada vez mais inaceitável em muitas paróquias.” [5]

Segundo alguns teria até celebrado missa nova

A comprovada atitude inconstante e variável perante a missa leva a refletir sobre declarações de alguns que, no final dos anos 70, se disseram testemunhas de que D. Marcel celebrara a missa nova. Devido ao seu apego ao rito tradicional, cremos improvável que fosse um rito segundo o novo missal, ou seja, é mais provável que fosse a missa antiga com elementos liturgicistas da nova, e daí o testemunho inexato (era conhecida como "missa da reforminha"). Isso é sustentado também pelo vaticanista Andrea Tornielli, que diz que o Bispo celebrou a missa tradicional (eivada) com as reformas (liturgicistas) de 1965, impulsionadas pelo Concílio [6].

Seguem testemunhos sobre isso, o qual discordamos, como dito: em 10 de julho de 1973 o Abade R. de Pazanan disse ter recebido autorização do Arcebispo de Bogotá para celebrar missa na casa de sua irmã: “Era o rito da missa de Paulo VI o qual eu afirmo que nós concelebramos juntos na França. Eu sei que Mons. Lefebvre estava muito feliz de poder celebrar missa dessa maneira” [7].

Em outra carta, de 1979, o Pe. Guerard des Lauriers, O.P, acusa o bispo francês de celebrar a  “ (...) a “missa nova” de Abril de 1969 até 24 de Dezembro de 1970. No dia 5 de Maio de 1969, alguns amigos que te veneram, incluso o que assina essas linhas, foram assistir uma missa que você iria celebrar no altar onde os ossos de São Pio V repousavam na Basílica Romana de Santa Maria Majore. Incrível, escândalo, tristeza! Em cima do túmulo de São Pio V, era a “missa nova” que você celebrava! (...) Você continuou a celebrar a “missa nova” em Fribourg e Ecône. As primeiras esperanças, no entanto, começaram a aparecer: Bernard Tissier de Mallerais, Paul Aulagnier, Bernard Waltz, e outros três. No dia 24 de Dezembro de 1969, no final da refeição da noite, o padre dominicano que escreve essas linhas, então em Ecône, com uma ironia respeitosa disse a você: Monsenhor, é uma pena que, enquanto apoia a tradição, você celebra a ‘missa nova’, que não é a missa da tradição. A simples observação literalmente botou fogo na pólvora. Os ‘seis’, todos sua esperança viva, explodiram. Cada um de seu modo e todos juntos colocaram a mesma questão (...) O incidente foi veementemente, e por acaso, rapidamente encerrado (...) o fato é que no dia 24 de Dezembro de 1970, na missa da meia-noite, você retornou a celebrar missa de acordo com o rito promulgado por São Pio V, para a alegria de todos presentes“ [8].


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[1] 8 de novembro de 1979, “La Misa Nueva – Mons. Marcel Lefebvre” Editora ICTION, Buenos Aires 1983.
[2] Reunião “Santo do Dia”, 9 de agosto de 1974,  Sexta-feira
[3] Spiritual Conferences at Econe, Dec. 10, 1972. Cit. Marcel Lefebvre: The Biography, Bernard Tissier de Mallerais, Cap. I adhere to Eternal Rome”. Link: http://sspx.org/en/what-archbishop-lefebvre-said-about-new-mass
[4] Letter of Feb. 17, 1970, to Gerald Wailliez. Cit. Idem. Cap. For the Catholic Priesthood. Link: http://sspx.org/en/what-archbishop-lefebvre-said-about-new-mass
[5] Michael Davies, Apologia Pro Lefebvre, Vol.II, Cap.40 
[6] Ata do dramático encontro entre Paulo VI e Lefebvre, IHU, 17-05-2018. Tradução do artigo de Andrea Tornielli, Vatican Insider, 16-05-2018. Link: http://www.ihu.unisinos.br/579066-ata-do-dramatico-encontro-entre-paulo-vi-e-lefebvre
[7] Correspondence of the Rhone-Alpes newspaper, Sábado, 28 de Outubro, Msg.Lefebvre’s masses.  
[8] Holy Thursday April 12, 1979, M.L. Guérard des Lauriers, O.P. Disponível em http://www.sodalitium.eu/index.php?pid=77. Este padre posteriormente virou sedevacantista, tanto que na época da carta já considerava a missa nova inválida, o que torna o testemunho suspeito, que só se entende com outras fontes citadas de que houve elementos liturgicistas na missa celebrada por Dom Lefebvre. Alguns a apelidaram de "missa da reforminha".