D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" embora não preferisse, deixava seus alunos celebrarem, e a teria celebrado

Esse artigo faz parte do dossiê estudo sobre D. Marcel Lefebvre, que por sua vez é um excerto do livro (ainda não publicado) "O Príncipe dos Cruzados", escrito por um escravo de Maria.

Para ler os artigos completos do dossiê basta clicar neles.


D. Lefebvre e seu amor pelo movimento condenado por S. Pio X, Bento XV e Pio XI. Um amor até o fim

Marcel Lefebvre e o Concílio: assinou os documentos e até falava bem dos frutos, depois negou ter apoiado e passou a criticar

D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" embora não preferisse, deixava seus alunos celebrarem, e a teria celebrado

O Lefebvrismo ou Padre sem Jurisdição: refutando o "caso de necessidade" e a situação alegada sem cisma com São Tomás

Validez e motivo oculto das autorizações Papais aos sacramentos dos lefebvristas e o que tinha em mente S. Pio X no combate anti-modernista

Pe. Pio vs D. Marcel Lefebvre. Excomunhão injusta é inválida ? São Tomás de Aquino responde 

                                ********************
D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" embora não preferisse, deixava seus alunos celebrarem, e teria celebrado


                             ********************

Objeção 3: Foi também a maior resistência contra a missa nova na Igreja


Posições contraditórias sobre a missa nova: considerava ruim e ilícita, deixava seus seminaristas celebrarem, recomendava assistir se não tivesse missa antiga e ele próprio celebrou.

Para motivo de comparação com as próximas citações, tenhamos bem em mente a seguinte declaração de 1979, feita depois de admitida a validez da missa nova:  “A respeito da Nova Missa destruamos imediatamente esta idéia absurda: se a Nova Missa é válida, logo se pode participar. A Igreja sempre proibiu os fiéis de assistir às Missas dos cismáticos e dos hereges, ainda se elas fossem válidas.” [1] 

Seus seminaristas podiam celebrar missa nova fora do seminário

Dr.Plinio Corrêa de Oliveira, ao comentar a vinda de D. Marcel ao Brasil com D. Mayer em 1974, de quem ele provavelmente tinha essas informações sobre o bispo dizia que é “antiprogressista, não porém sem que alguma interrogação se possa fazer a respeito dele. Um dos elementos dessa interrogação é o fato de que ele permita a padres do Seminário dele celebrarem, fora do Seminário dele, missa nova. Não se compreende bem como os seminaristas dele possam ser bem formados no espírito antiprogressista, por padres que celebram a missa nova“ [2].

Em carta para o Papa, a missa nova não é inválida nem herética

Nas mesmas cartas citadas anteriormente de 8 de Março de 1980 para o Papa e na de 4 de Abril de 1981 para o Cardeal Seper dizia o bispo que “com relação à Missa segundo o Novus Ordo, apesar de todas as reservas que alguém deva ter sobre ela, eu nunca disse que ela era em si mesma inválida ou herética (...)”. “Com relação à Reforma Litúrgica, eu mesmo assinei o Decreto Conciliar e eu nunca declarei que suas aplicações foram em si mesmas inválidas ou heréticas.”

Para Lefebvre era bom assistir uma missa nova “bem celebrada” se não houvesse missa antiga por perto

D. Tissier, discípulo de D.Marcel, sagrado por ele e seu biógrafo, ajunta que os seminaristas assistiam a missa nova celebrada em latim por um padre dominicano, e coloca duas cartas:


“Faça um esforço para ter a missa de São Pio V, mas se é impossível de achar uma dentro de um raio de 40 quilômetros e se tem um padre piedoso que celebra missa nova no modo mais tradicional possível, é bom para você assisti-la para cumprir sua obrigação dominical [3].

“Se não se tem escolha e se um padre celebrando missa de acordo com o novo ordo da missa é fiel e valoroso, não se deve abster de ir à missa“ [4].

O bispo francês só passou a ser muito crítico quando vieram os abusos, segundo um dos autores mais queridos aos lefebvristas, Michael Davies: “no caso da missa nova, é evidente que enquanto mantendo a sua validez intrínseca, o Arcebispo tem adotado uma posição mais negativa em relação a assisti-la de que quando ele fez nos anos anteriores. Não é surpresa, porque, na medida do passar dos anos, a maneira na qual a missa nova foi sendo celebrada foi ficando cada vez mais inaceitável em muitas paróquias.” [5]

E segundo alguns teria até celebrado missa nova

A comprovada atitude inconstante e variável perante a missa leva a pessoa a considerar plausível o que declararam alguns no final dos anos 70, quando disseram ser testemunhas de que D.Marcel celebrara a missa nova, embora seja menos provável que fosse uma missa nova de missal, dado que o Bispo estava acomodado na celebração do rito antigo, e mais provável que uma missa antiga com elementos da nova, e daí, talvez, o testemunho inexato

Em 10 de julho de 1973, dizia o Abade R. de Pazanan ter recebido autorização do Arcebispo de Bogotá de celebrar missa na casa de sua irmã: “Era o rito da missa de Paulo VI o qual eu afirmo que nós concelebramos juntos na França. Eu sei que Mons. Lefebvre estava muito feliz de poder celebrar missa dessa maneira”[6].

Em outra carta, de 1979, o Pe. Guerard des Lauriers, O.P, acusa o bispo francês de celebrar a  “ (...) a “missa nova” de Abril de 1969 até 24 de Dezembro de 1970. No dia 5 de Maio de 1969, alguns amigos que te veneram, incluso o que assina essas linhas, foram assistir uma missa que você iria celebrar no altar onde os ossos de São Pio V repousavam na Basílica Romana de Santa Maria Majore. Incrível, escândalo, tristeza! Em cima do túmulo de São Pio V, era a “missa nova” que você celebrava ! (...) Você continuou a celebrar a “missa nova” em Fribourg e Ecône. As primeiras esperanças, no entanto, começaram a aparecer: Bernard Tissier de Mallerais, Paul Aulagnier, Bernard Waltz, e outros três. No dia 24 de Dezembro de 1969, no final da refeição da noite, o padre dominicano que escreve essas linhas, então em Ecône, com uma ironia respeitosa disse a você: Monsenhor, é uma pena que, enquanto apoia a tradição, você celebra a ‘missa nova’, que não é a missa da tradição. A simples observação literalmente botou fogo na pólvora. Os ‘seis’, todos sua esperança viva, explodiram. Cada um de seu modo e todos juntos colocaram a mesma questão (...) O incidente foi veementemente, e por acaso, rapidamente encerrado. (...) o fato é que no dia 24 de Dezembro de 1970, na missa da meia-noite, você retornou a celebrar missa de acordo com o rito promulgado por São Pio V, para a alegria de todos presentes“ [7]

----------------------------
[1] 8 de novembro de 1979, “La Misa Nueva – Mons. Marcel Lefebvre” Editora ICTION, Buenos Aires 1983.
[2] A-IPCO, reunião “Santo do Dia”, 9 de agosto de 1974,  Sexta-feira
[3] Spiritual Conferences at Econe, Dec. 10, 1972. Cit. Marcel Lefebvre: The Biography, Bernard Tissier de Mallerais, Cap. I adhere to Eternal Rome”. Link: http://sspx.org/en/what-archbishop-lefebvre-said-about-new-mass
[4] Letter of Feb. 17, 1970, to Gerald Wailliez. Cit. Idem. Cap. For the Catholic Priesthood. Link: http://sspx.org/en/what-archbishop-lefebvre-said-about-new-mass
[5] Michael Davies, Apologia Pro Lefebvre, Vol.II, Cap.40 
[6] Correspondence of the Rhone-Alpes newspaper, Sábado, 28 de Outubro, Msg.Lefebvre’s masses.  
[7] Holy Thursday April 12, 1979, M.L. Guérard des Lauriers, O.P. Disponível em http://www.sodalitium.eu/index.php?pid=77. Esse padre posteriormente virou sedevacantista, tanto que na época da carta já considerava a missa nova inválida.