Validez e motivo oculto das autorizações Papais aos sacramentos dos lefebvristas e o que tinha em mente S. Pio X no combate anti-modernista

Esse artigo faz parte do dossiê estudo sobre D. Marcel Lefebvre, que por sua vez é um excerto do livro (ainda não publicado) "O Príncipe dos Cruzados", escrito por um escravo de Maria.

Para ler os artigos completos do dossiê basta clicar neles (alguns podem não abrir por não terem sido postados ainda):
 

D. Lefebvre e seu amor pelo movimento condenado por S. Pio X, Bento XV e Pio XI. Um amor até o fim

Marcel Lefebvre e o Concílio: assinou os documentos e até falava bem dos frutos, depois negou ter apoiado e passou a criticar

D. Lefebvre era favorável à missa nova "bem celebrada" embora não preferisse, deixava seus alunos celebrarem, e a teria celebrado

O Lefebvrismo ou Padre sem Jurisdição: refutando o "caso de necessidade" e a situação alegada sem cisma com São Tomás

Validez e motivo oculto das autorizações Papais aos sacramentos dos lefebvristas e o que tinha em mente S. Pio X no combate anti-modernista

Pe. Pio vs D. Marcel Lefebvre. Excomunhão injusta é inválida ? São Tomás de Aquino responde 

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Bento XVI lamentou as excomunhões dos cismáticos
russos e disse que amava a Igreja deles, algo que não fez
ao lefebvristas
Validez e motivo oculto das autorizações Papais aos sacramentos dos lefebvristas e o que tinha em mente S. Pio X no combate anti-modernista

[continuação dos artigos anteriores]



Introdução da análise das autorizações Papais aos grupos cismáticos


Todo ato de benevolência do progressismo a todo grupo cismático possui sempre as características de:

1 - Ato ecumênico
2 - Manter o cisma
3 - Alimentar a confusão:
a) Sobre a validade do próprio ato
b) Sobre o status do grupo perante a Igreja
c) Sobre a ortodoxia nestes casos

Ao progressismo, doutrina que pretende mudar e depois destruir a Igreja por dentro, perdendo as almas, é muito simples verificar a necessidade destas características. Ato ecumênico porque aumenta o pecado de communicatio in sacris e confunde sobre a Igreja verdadeira. Manter o cisma porque ao progressismo não é bom ter uma Igreja verdadeira e gente fora do pecado. Alimentar a confusão: a) sobre a validade do próprio ato, isto é, sobre a própria Igreja, para que duvidem da autoridade do Papa, b) sobre o status do grupo, isto é, sobre quem é da Igreja e quem não é, para que façam mais cisma e communicatio in sacris, e seja difícil saber se é válido, prejudicando as almas. c) sobre a ortodoxia, isto é, a doutrina, para que ninguém saiba mais o que a tradição diz nestes casos que não foram os primeiros.

Todos os atos seguem esta linha, exceto quando são divididos, quer dizer, quando é feito algo que parece não se encaixar nesta linha até que um ato posterior vem e completa a linha.

Ora, os lefebvristas, como temos argumentado, são cismáticos, e uma das provas é que esta linha de atuação do progressismo encaixa perfeitamente no que tem sido feito com eles, como veremos a seguir.

Objeção 5: As excomunhões foram revogadas em 2009, então Roma aceita a posição da FSSPX

Se refuta lembrando três detalhes do decreto no qual se baseiam esta afirmação.


a) Dom Lefebvre e Dom Mayer não são mencionados como tendo suas excomunhões levantadas ou declaradas inválidas, e nem sequer são mencionados.

No decreto do Cardeal Giovanni Re da Congregação dos Bispos, feito com aval de Bento XVI, não são sequer mencionados D.Marcel Lefebvre e D.Antônio de Castro Mayer, mas somente os quatro bispos da FSSPX.

Ora, revogar a excomunhão de dois Bispos falecidos não faria sentido, porque a revogação não teria valor temporal, visto que para eles precisariam estar vivos, e também não teria valor espiritual, porque já foram julgados por Deus.

Sobra somente a possibilidade de figurar no decreto algum pedido de desculpa ou afirmação de que a excomunhão foi inválida, mas isso não existe.

É uma fantasia da imaginação dizer que está implícito um pedido de desculpa aos dois bispos que sagraram, quando sequer são mencionados ali, nem em lugar algum pelos Papas como exemplo de vida, etc. 

b) O "levantamento" da excomunhão dos quatro bispos visava, como diz o decreto, a "realização da plena comunhão" deles com a Igreja, assim como Bento XVI se refere aos cismáticos russos

O decreto deixa claro: "Espera-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X" [1]

Sabendo que também os cismáticos russos são considerados fora da "comunhão plena" pelo mesmo Papa Bento XVI, o qual até lamentou as excomunhões deles e disse que amava a igreja deles [2], o que não fez no caso dos lefebvristas, entende-se claramente como o conceito é uma palavra-talismã em prol do ecumenismo: não se fala mais de "cismático", mas de "sem plena comunhão".

Mesmo que o Papa não tivesse dito nada sobre serem fora da plena comunhão, permanecendo uma situação de cisma, como já avaliamos, eles continuam cismáticos. No entanto, Bento XVI diz [3]: "não tem status canônico na Igreja e seus ministros não podem legitimamente exercer qualquer ministério".

Então, qual era a intenção do "levantamento"? Um ato simbólico ecumênico onde se "desexcomunga" para dizer em seguida, nos termos ecumênicos, que continua excomungado. A intenção não se julga, mas a consequência é clara: confusão na Igreja, fama de conservador ao Papa alemão, e como o progressismo não acredita que é pecado comungar em Igreja a-católica, aplicar o princípio ao caso aumentando o sacrilégio no mundo. 

Faz eco a isso uma declaração confusa do Cardeal Muller (porque diferencia excomunhão sacramental da canônica, algo progressista):

“A excomunhão canônica dos bispos pelas ordenações ilegais foram revogadas, porém permanece a (excomunhão) sacramental, de facto, pelo cisma. Eles se distanciaram da comunhão com a Igreja. Por conseguinte, não fechamos a porta, jamais, e os convidamos à reconciliação. Porém, eles também devem mudar a sua atitude, aceitar as condições da Igreja católica, e o Sumo Pontífice como critério definitivo de adesão” [4].


c) O decreto é tão confuso que diz que o superior da FSSPX pediu para que se levantasse as excomunhões de Écone, como se ele acreditasse que eram verdadeiras. Logo, mesmo um lefebvrista tem que admitir que é confuso.

No começo do decreto se lê que o então superior dos bispos da FSSPX pediu o levantamento da excomunhão, como se o mesmo acreditasse que realmente estava excomungado. Se o pedido é verídico ou não, o certo é que na visão deles, ao invés disso, devia-se pedir o reconhecimento da excomunhão como inválida e injusta desde o princípio. 

No mínimo é engraçado ver um lefebvrista defensor da veracidade do documento explicar se também é verdadeiro que Dom Fellay acreditava na sua excomunhão, e consequentemente na dos bispos sagrantes, dado que pediu o levantamento destas todas segundo o documento.

Conclusão

Encaixa perfeitamente na linha de atuação progressista a um grupo cismático:

1 - Ato ecumênico: se cria, implicitamente, e depois com as palavras do Cardeal Muller, explicitamente, a aberração doutrinal de dois tipos de excomunhões: canônica e sacramental. Além disso, se dá a impressão de mais ou menos corretos aos que são tidos como incorretos.
2 - Manter o cisma: continuam dizendo que é "fora da plena comunhão", palavra que usam para designar os cismáticos russos.
3 - Alimentar a confusão:
a) Sobre a validade do próprio ato: ele tiram a excomunhão para dizer, em termos ecumênicos, que ela continua.
b) Sobre o status do grupo perante a Igreja: como muitos não sabem da questão de estar "fora da plena comunhão", muitos pensam que o grupo saiu do cisma, mas ao mesmo tempo vem o problema de que não são recebidos pelo Vaticano. 

c) Sobre a ortodoxia nestes casos: a confusão geral aumenta a divisão sobre se é ortodoxo o ato, e até mesmo o grupo cismático com suas doutrinas que também são erradas.

Em conclusão, um ato de autoridade nulo, pela própria declaração que se elimina a si mesma, tirando uma excomunhão para dizer que ela persiste com outras palavras, já que os lefebvristas não voltam com a Igreja.

Objeção 6: A FSSPX foi reconhecida na Argentina em 2015, porque conseguiu personalidade jurídica [5]

Seguindo a análise anterior:

1 - Ato ecumênico: o documento diz "in fieri de ser uma Sociedade de Vida Apostólica", ou seja, está por se fazer (até hoje), e por isso mantêm-se no mesmo estado. Assim, é um ato ecumênico visando a impressão de favorecer o que os lefebvristas pensam de si mesmos.

2 - Mantêm o cisma:  Nesta mesma notícia, o Mons.Guido Pozzo, encarregado da comissão Ecclesia Dei que trata deste grupo e análogos, diz que "não se trata de um reconhecimento jurídico da FSSPX como sociedade clerical, e continua estando sem resolver a questão da legitimidade do exercício do ministério sacerdotal (...) Nós seguimos trabalhando para que se chegue à plena comunhão". Já mostramos que cisma é "plena comunhão" no vocabulário ecumênico progressista. Além disso, em seguida se lê que a própria agência informativa oficial da FSSPX declarou que se trata de uma questão estritamente administrativa na República da Argentina, que "não tem incidência canônica". Por fim, se fosse prova cabal de que não é cisma, nos outros países onde não foi feito isso a FSSPX permanece em cisma, incluso a casa superior, a qual está sujeita a Argentina? Então não é prova, é um mero ato ecumênico nulo.

3 - Alimenta a confusão:

a) Sobre a validade do próprio ato: pois algo que não é reconhecido e tratado como ilegítimo e com sacramentos ilícitos pelo Vaticano não pode ser ou entrar nas vias jurídicas para ser reconhecido localmente em uma diocese.

b) Sobre o status do grupo perante a Igreja: fica a impressão de que na Argentina é reconhecido, em outros países não. Ao mesmo tempo, no Vaticano se diz que nada muda.

c) Sobre a ortodoxia nestes casos: um ato heterodoxo que abre a possibilidade de aceitar qualquer grupo, nos mesmos moldes, que se diga "sem plena comunhão".

Em conclusão, algo que não é reconhecido e tratado como ilegítimo e com sacramentos ilícitos pelo Vaticano não pode ser ou entrar nas vias jurídicas para ser reconhecido localmente em uma diocese, sendo assim, é um ato ecumênico nulo de qualquer valor canônico, moral ou pastoral.

Objeção 7: Papa Francisco autorizou as confissões dos padres lefebvristas, primeiro durante o ano da misericórdia de 2016, e depois, ao fim daquele ano, deu permissão indefinidamente [6].

Seguindo a análise anterior:

1 - Ato ecumênico: Cismáticos que não são reconhecidos como católicos, mas "ganham" a faculdade de confessar ordinariamente, dado que o documento não reconhece que eles tem, mas que eles estão ganhando porque nunca tiveram, tal como todo cismático. Além disso, promove a ida dos fiéis a este grupo cismático já que permite a confissão ordinária, o que é um meio de promover não só cisma, mas paradoxalmente a própria crítica do documento, já que os estes padres falarão contra o documento, seguindo o comunicado oficial da Fraternidade sobre sempre terem tido a faculdade [7]. Assim, um ato visando promover communicatio in sacris.

2 - Mantêm o cisma: No próprio documento deixa claro que eles nunca tiveram permissão para absolver, que o documento vem para que eles possam recuperar "a plena comunhão", e que agora ganham o direito a absolver indeterminadamente por permissão Papal, ou seja, fica implícito que o estado deles não os dá direito de confessar ordinariamente. No caso deles, não é mera suspensão, porque é preciso ser padre da Igreja e ter suspensão decretada para isso, portanto, é o estado de cisma.

3 - Alimenta a confusão:

a) Sobre a validade do próprio ato: aos lefebvristas fica a confusão interna, e eles mesmos não podem acreditar no documento por inteiro, já que este diz, implicitamente, que não tinham poder de confessar ordinariamente antes. Aos outros fica a dúvida se o Papa tem direito de permitir tal coisa a um grupo que ele mesmo não reconhece como legítimo e sem problemas doutrinais (no caso, que não aceite doutrinas progressistas).

b) Sobre o status do grupo perante a Igreja: o grupo parece estar em um estado igual ao anterior, mas com permissões Papais, confundindo o estado canônico deles, corroborando a tese errada do Cardeal Muller de que há uma excomunhão canônica, ausente neles, e outra sacramental, presente neles.

c) Sobre a ortodoxia nestes casos: prova adicional é que o próprio Papa não faz questão de ressaltar de que os padres precisam dizer que as confissões anteriores eram inválidas ordinariamente, e confessar de novo estas pessoas, já que não tinham as faculdades.

Em conclusão, um favorecimento do pecado de communicatio in sacris, sacrilégio e do cisma, e como tal, um ato de autoridade nulo, porque não há obediência no pecado, tal como nenhum padre pode obedecer a "autorização" do Papa João Paulo II no Código de Direito Canônico (844 § 3) de dar comunhão aos orientais cismáticos. Uma confissão ordinária deste grupo só é válida para quem segue as diretrizes do Papa ignorando esse raciocínio, iludido pela confusão geral.

Objeção 8: Vaticano reconhece e legitima as ordenações feitas pela FSSPX, como disse em uma entrevista em francês de janeiro de 2017 seu Superior-Geral, Mons. Fellay. Segundo ele, uma carta de Roma (privada) diz que "podem livremente ordenar padres sem permissão do Bispo local" [8].

Seguindo a análise anterior:

1 - Ato ecumênico: trata-se de um pedido para dar a impressão de aprovação às ordenações, porque diz "livremente", não "licitamente", embora na entrevista o Mons.Fellay interprete uma coisa como a outra. Além disso, como veremos que eles pedem os nomes dos ordenados, querer saber quais são os nomes dos sacerdotes é algo que meramente um pedido anual da lista dos padres seria suficiente para não ter que dar impressão de que aceita estes atos.

2 - Mantêm o cisma: Explica o já citado Mons.Guido Pozzo, secretário de Ecclesia Dei, esclarecendo as palavras do Mons.Fellay: "A Santa Sé permite e tolera as ordenações sacerdotais da FSSPX prévia comunicação dos nomes dos recém ordenados ao Bispo local, considerando-as válidas mas ilícitas" [9].

3 - Alimenta a confusão: 

a) Sobre a validade do próprio ato: já que o texto diz livremente, não licitamente. Depois, o próprio responsável por estas conversas tem que intervir para esclarecer.

b) Sobre o status do grupo perante a Igreja: embora tenha sido mais algo interno, foi com a intenção de confundir e de levar ao público, já que Mons.Fellay não se aguentaria de contar isso por aí, levando a esta intervenção já planejada do Mons.Pozzo.

c) Sobre a ortodoxia nestes casos: prova adicional é que o Mons. Pozzo, apesar de dizer que são ilícitas ordenações, diz que a Santa Sé "permite", sendo que o que é ilícito na Igreja não se permite.

Em conclusão, trata-se de um embuste do progressismo aos lefebvristas, para os manter no cisma pensando que não o estão, porque ordenam "livremente". E quanto a notícia vem a público, o progressismo precisa esclarecer de que não se trata disso, que são ordenações ilícitas.

Objeção 9: Papa Francisco deu aprovação para os matrimônios celebrados por padres da FSSPX, contanto que um padre diocesano receba o consentimento dos noivos, ou, se o Bispo local delegar, o próprio padre lefebvrista mediante entrega da documentação à Cúria [10].

Seguindo a análise anterior:

1 - Ato ecumênico: favorece communicatio in sacris colocando principalmente o sacerdote diocesano em perigo desse pecado, favorece que se mantenha o cisma, e que se celebre missa cismática por padres já anteriormente ditos que são ilicitamente ordenados, favorecendo no mínimo o sacrilégio de um matrimônio feito em pecado.

2 - Mantêm o cisma: pelo que foi dito, e como está na carta: "a situação canônica da Fraternidade S. Pio X continua sendo, por enquanto, objetivamente ilegítima", e que com esta "autorização", "se avançará para a plena regularização institucional", isto é, a "plena comunhão" já mencionada.

3 - Alimenta a confusão:

a) Sobre a validade do próprio ato: sendo que ato igual poderia ser feita com qualquer outro grupo cismático nos mesmos moldes e não é feito, colocando em dúvida se não é algo somente para fazer um suposto ecumenismo com estes em particular.

b) Sobre o status do grupo perante a Igreja: pois parece que não há tanta preocupação do Vaticano em que se faça as coisas lá, e de fato não há, pela intenção ecumênica. Isso dá sinais confusos sobre a situação deles.

c) Sobre a ortodoxia nestes casos: adiciona o fato de que o documento parece não se importar com a validez de todos os matrimônios que foram celebrados pelos lefebvristas até hoje, incluso o tribunal que fizeram, além de que muitos sacerdotes deste grupo usarão a seu favor esta permissão dizendo que confirma o que sempre foi feito, não fazendo caso de entregar documentação à Cúria.

Em conclusão, tratam-se de casamentos inválidos ou válidos, a depender do caso. Agora, é certo que esta autorização trata-se de um ato de autoridade nulo já que:

1 - Como diz o Pe.Royo Marín, citando o Cân.1065 do Código de 1917, a "Igreja desaconselha e proíbe o pároco de assistir casamento com livre-pensadores, gente que deu seu nome para associação condenada (maçonaria, comunismo, etc)". A FSSPX é ilegítima, condenada, e um católico não se pode associar ou participar dela.

2 - Continua o Pe.Marín: "a não ser que graves e especiais circunstâncias existam, e suficientes garantias hajam para o conjugue católico e para a educação católica dos filhos"
[11]. Ter condição para a educação dos filhos favorecendo a assistência de uma missa cismática é algo contraditório.

3 - Na tradição da Igreja, quando o casamento misto é aceito pelo Ordinário, é preciso observar a forma canônica, isto é, um sacerdote autorizado, para a validez [12], mas só se casa na Igreja por algum motivo grave [13], e se se casa dentro, nunca é permitido celebrar missa [14]. Disso, a Igreja nunca se apartou, diz um comentário do CDC-1917 que cita que o Santo Ofício proibiu até mesmo missa privada [15]. Ora, a missa da parte a-católica nunca foi mencionada, já que nem se cogita tal pecado.

4 - Na tradição da Igreja, um casal criado fora da Igreja, por não estar sob a lei matrimonial católica [16], casa validamente. Assim, para estes, tais autorizações não fazem sentido.

5 - Na tradição da Igreja, é necessário um sacerdote católico para celebrar o matrimônio [17], e era excomungado automaticamente quem se casava com ministro a-católico [18].

6 - Logo, este ato de autoridade é nulo, porque o poder da hierarquia de validar um ato torna-se nulo quando este, em si mesmo, é ilícito, condenado por toda a Tradição. Não existe autorização para pecar. Alguém diria que assistir a uma missa cismática não é em si mesmo ilícito, o que é verdade, como o CDC-1917 prevê alguns casos dando diretrizes, mas não se pode argumentar que o ato jurídico é válido dado que ele, além dos problemas já apresentados, prevê a assistência da missa no matrimônio não em alguns, mas em qualquer caso, o que é ilícito.

7 - É falso argumentar que o ato é uma possibilidade previsível, já que por um caso particular Paulo VI em 1970 [19] aprovou a validade de casamento de católico com a-católico de rito oriental com ministro a-católico, mas só seria lícito se fosse seguida a forma canônica. Isso foi confirmado por João Paulo II no CDC-1983, no Cân.1127-1. É falso porque até mesmo é contraditória com esse inciso que não tem força de lei (pelos mesmos motivos apresentados), porque a autorização de Francisco é para que os matrimônios sejam válidos, enquanto o inciso já prevê que é válido, com a forma canônica necessária somente para licitude. Além disso, no mesmo cânone, §3, se proíbe a celebração que o ato do Papa atual permite. 

Assim, a validez de matrimônios na FSSPX continua na mesma situação anterior:

É inválido se pelo menos um é católico, isto é, não aceita o cisma lefebvrista mas quer casar-se ali por algum motivo (por exemplo, baseado nesta "autorização").

É inválido se pelo menos um não tiver sido criado no cisma lefebvrista, só apoiando-o posteriormente. Porque a lei matrimonial da Igreja vale para quem foi católico [20], mesmo tendo se apartado, assim como um ex-católico que casa com protestante, casa invalidamente.

É válido se ambos aceitam o cisma lefebvrista, contanto que tenham sido criados dentro do cisma. Porque quem está fora da Igreja, com batismo válido, casa validamente porque não está sujeito às leis da Igreja nesse caso, assim como casa validamente dois protestantes de berço. No entanto, eles não precisam seguir estas novas normas para ter matrimônio válido.

Objeção 10: Muitas autoridades apoiaram e disseram que não há pecado em comungar na FSSPX e se pode cumprir o preceito dominical ali


1 - Ato ecumênico: todas estas autoridades dizem isso quando não há Rito Católico onde o fiel vive, como meio de communicatio in sacris casual. Assim fez João Paulo II, ao promulgar o Cân.844, § 2. que diz que se pode buscar a eucaristia com ministros a-católicos "em cuja Igrejas existam", "se a necessidade ou utilidade espiritual o aconselhar", não especificando o que é essa necessidade ou utilidade, mas indicando que se se pode buscar lá nestas igrejas a-católicas, isto é, se pode comungar lá se alguém quiser, não somente se está em perigo de morte, quando não haveria essa possibilidade. Outro ato do mesmo Papa foi a aprovação de um Diretório Ecumênico [21] no qual se exalta no começo um antigo diretório que dizia ser válido cumprir ocasionalmente o preceito dominical em liturgia a-católica oriental.

2 - Mantêm o cisma: já que não trata como católico, por isso a recomendação casual, ou uma possibilidade válida também para outros grupos cismáticos.

3 - Alimentar a confusão:

a) Sobre a validade do próprio ato: visto que é um convite, e não norma, quando, se fosse verdadeiro, deveria ser norma, já que se não há problema em comungar ali nestes casos, não deveria haver problema em obrigar nestes casos.

b) Sobre o status do grupo perante a Igreja: alguns passam a crer que não há cisma já que a comunhão é liberada, então, no máximo estes grupos seriam vistos como grupos especiais, mas não cismáticos.

c) Sobre a ortodoxia nestes casos: a doutrina de comungar em lugar a-católico é abalada.

Objeção 11: A FSSPX é a entidade anti-modernista por excelência e segue o que o Papa São Pio X quis: combater o modernismo

Vejamos o que disse o próprio São Pio X para um grupo de cardeais, o qual a entidade toma como patrono:


“Qual é, hoje, a obra que vos parece mais necessária à salvação da sociedade ? - Edificar escolas católicas, responde um deles. – Não. Multiplicar as igrejas, continua outro. – Ainda não. – Fomentar as vocações sacerdotais, diz um terceiro. – Não, não, replica São Pio X. O que, no momento presente, é mais necessário, é ter, em cada paróquia, um grupo de leigos virtuoso, esclarecido, resoluto e apostólico.” [22]. 


Consta nas páginas iniciais do livro um elogio do Papa Bento XV e uma afirmação de São Pio X que aquele era seu livro de cabeceira.

Alguns podem argumentar que o “momento” daquele tempo não é o de agora, mas Dom Chautard cita esse trecho do Santo quando quer indicar a necessidade de elites, e isto é atemporal.

E como poderiam ser anti-modernistas ou entraves espirituais ao progressismo padres que:

-Possuem sacramento da eucaristia sem fruto espiritual

-Absolvem os pecados invalidamente nos casos ordinários

-Celebram casamentos inválidos na maior parte dos casos

-Estabelecem capelas sem autorização Romana por todo o mundo por vezes escondendo isso dos fiéis

-Seguem um Bispo enganador, dissimulado e admirador de um agnóstico positivista, relativista, blasfemador, e seus seguidores

-Seguem um Bispo admirador de um movimento condenado pelo próprio São Pio X

-Pretendem combater um problema da Igreja fora da Igreja

-Consideram que São Pio X está em espírito do lado deles, quando o mesmo condenou o admirado do mentor deles, e disse que o que Igreja precisava era uma associação de leigos para salvação da sociedade e não um grupo de padres


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[1] Link: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cbishops/documents/rc_con_cbishops_doc_20090121_remissione-scomunica_po.html
[2] Ver nosso artigo: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2016/01/bento-xvi-diz-amar-igreja-cismatica.html 
[3] Carta Apostólica Ecclesiae Unitatem, 2 de Julho 2009
[4] Entrevista de Dom Gerhard Muller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, para o Corriere della Sera, 22 de dezembro de 2013.
[5] "Con el aval del cardenal Poli la FSSPX obtiene personalidad jurídica en Argentina". 13/04/15. Link: http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=23725 
[6] Carta Apostólica Misericordia et misera, 20 de novembro de 2016, No.12. Link: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20161120_misericordia-et-misera.html 
[7] Link: http://www.fsspx-sudamerica.org/es/news-events/news/vaticano-el-papa-francisco-extiende-la-facultad-de-confesar-los-padres-de-la-fsspx
[8] Terres de Mission n°17, 29 de Janeiro de 2017, minuto 12:53. Link: https://www.youtube.com/watch?v=wckvRsgz2II
[9] "Ecclesia Dei confirma que «la comunión plena con SSPX está cerca»", 30/01/17. http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=28428
[10] Carta de 27 de Março de 2017. Link: https://press.vatican.va/content/salastampa/es/bollettino/pubblico/2017/04/04/ecc.html
[11] Teología Moral para Seglares, BAC, No.305, 
[12] Cân.1094
[13] Cân.1109, p.3
[14] Cân.1102, p.2
[15] A commentary on the new code of canon law, Pe.Chas Augustine, O.S.B, D.D., Book III, Volume V, B.Herder Book CO., Pg.310.
[16] Cân.1099, p.2, p.3 
[17] Cân.1063, p.1 
[18] Cân. 2319-1
[19] Matrimonia mixta 31 de Março de 1970. Ao citar uma carta da Sagrada Congregação para a Igreja Oriental.
[20] Cân. 1099, p.1, n1
[21] Assinado pelo Cardeal Cassidy, 1993. Link: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/rc_pc_chrstuni_doc_25031993_principles-and-norms-on-ecumenism_en.html
[22] Semanal L’Ami du Clergé, 20 de Janeiro de 1921. Citado por Dom Chautard, A Alma de todo apostolado, Ed. Artpress, 2012, parte IV, 6.