A Teologia da história prova a missão dos apóstolos dos últimos tempos no Reino de Maria, por Plinio Corrêa de Oliveira

Dr.Plinio
Este artigo, para ser bem entendido, requer algumas leituras prévias: 

A Teologia da História prova a vinda do Reino de Maria, por Plinio Corrêa de Oliveira em 1971.

A vinda do Reino de Maria provada por Teologia da História, segundo o Pe. Antonio Vieira


S.Francisco de Paula prevê a vinda de novos apóstolos que acabarão com a seita maometana e restaurarão a Igreja

O ministério profético dentro da Igreja após o tempo dos apóstolos não acabou

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Dado que os apóstolos dos últimos tempos são os membros da TFP como mostramos em outros artigos, tratamos agora da missão da TFP no Reino de Maria.

1. Eles fariam a ponte entre a sociedade civil e a religiosa

Por duas razões: é conveniente que o clero e o laicato estejam separados nos seus ofícios particulares, com alguma ponte entre eles, de modo a assegurar a vitória da catolicidade na esfera civil, característica distintiva do Reino de Maria, civilização mais Cristã que a Idade Média, por vários motivos antes assinalados em outros artigos. Mas a ordem temporal não é só constituída de fatos ou idéias, mas tendências, as quais precisam ser combatidas, no caso, por aqueles que conhecem o processo revolucionário. Explica Dr.Plinio em 1973:

"[No passado] havia uma separação entre o clero e os leigos. O clero vivia na igreja, nas sacristias e nos estabelecimentos eclesiásticos. Jamais, ou como que jamais, se via um clérigo na sociedade civil. A sociedade civil vivia afastada do clero. Se encontravam nos domingos, na missa, mas separados. O clero no presbitério e a sociedade civil na nave da igreja. Eles ouviam o que os padres diziam, depois voltavam às suas casas. O contato era mínimo.

A experiência revelou a necessidade de uma ponte entre esses dois elementos fundamentais da sociedade. É bom que o clérigo viva no clerical. É bom que o civil viva no civil. Mas deve-se fazer uma ponte entre esses dois ambientes. Deve-se ter gente que pertença à sociedade civil, que sejam leigos, mas que consagrem sua vida à Igreja, para fazer uma espécie de capilaridade, vasos capilares do ramo fundamental da Igreja, postos no civil.

Outra característica será certamente o sentido contra-revolucionário. Quer dizer, a TFP não é uma organização católica como outra qualquer. É uma organização de combate. A TFP está sempre voltada ao seu adversário e sempre com a vigilância posta em que o adversário não recomece a conspiração secreta ou maçônica, pela qual conseguiu derrubar a Idade Media. Quer dizer, a vigilância, a combatividade doutrinaria por onde a TFP pode ser a refutação e a desmoralização dos erros do adversário. A luta não só contra os erros doutrinários teóricos, quer dizer a Revolução sofística, mas contra a Revolução tendencial, a Revolução nos costumes, a Revolução no subconsciente do homem, preparando na sociedade civil ambientes que sejam contrários à influencia revolucionaria, isto o fará a TFP. Esta é a missão da TFP" [1].

2. Fariam uma função profética no Reino de Maria

O esplendor da Civilização Cristã precisa ter o maior número possíveis de agentes atuando em favor da unidade e aprimoramento dele. Nos tempos antigos, quando o povo de Deus necessitou de guias, além dos sacerdotes e dos reis, foram suscitados profetas. Foi se formando assim, mais um grupo de pessoas que não só previam o futuro (função secundária deles como falará mais para frente o antigo Bispo de Campos, D.Mayer), mas contribuíam para a beleza da sociedade, para a ordenação dos costumes, etc. Segue que o Reino de Maria, pelo seu auge como sociedade, precisaria de tais agentes.

"O Reino de Maria vai ser transbordante de saúde, mas ele não poderá ter a menor deterioração. E vai ser preciso uma vigilância de todos os instantes. No momento em que ele começar a se deteriorar, é preciso começar a lutar imediatamente porque do contrário ele desaparece. Depois, virá o fim do mundo, virão novas infidelidades, virá o fim do mundo. Provavelmente é então que virá o Anticristo, então, [Elias será morto pelo Anticristo] e aparecerá Nosso Senhor com toda a sua glória e sua majestade, carregado pelos Anjos para ressuscitar todos os homens e para o Juízo Final.

É muito nebuloso saber qual é o papel da TFP dentro disso. A TFP é a mais legal das organizações. Ela não pensa de nenhum modo em empunhar armas, a não ser na defesa das instituições, e quando solicitada para isso pelas autoridades competentes. A TFP não faz tropelias, não faz desordens, não faz violências de nenhuma espécie.

Qual vai ser nosso papel no Reino de Maria? Nós teremos a vigilância, nós teremos a luta, nós teremos a desconfiança, nós teremos o muro, nós teremos o escudo, nós teremos a lança. Por toda a parte onde qualquer coisa não estiver bem, nós é que deveremos ver. Por toda a parte onde alguma coisa afrouxar, nós é que deveremos denunciar. Por toda a parte onde alguma coisa deverá ser corrigida, nós devemos ser o instrumento da Igreja ou do Estado para corrigir. Esse é o nosso papel" [2].

Além disso, os próprios apóstolos dos últimos tempos, a TFP, possuem uma missão profética desde sua gênese com o fundador Plinio Corrêa de Oliveira, estando inseridos na Ordem terceira carmelita, que, em si, é profética. Logo, é conveniente que eles exerçam tal missão, até o ápice da missão profética, que seria a derrocada deste mesmo Reino de Maria, e a vinda do fundador da Ordem Carmelita, o profeta Elias Tesbita, para lutar contra o anti-Cristo. Esta missão profética para a TFP já cogitava Dr.Plinio em 1969:

"Eu já contei a um ou outro aqui dentro, uma conversa que eu tive uma vez com D. Mayer sobre esse assunto, foi ainda antes de mamãe morrer, mas estávamos os dois tomando refeição na Alagoas, mamãe estava de cama e ele então na hora, me lembro do jeito dele, mexendo uma xicarazinha de café, na sobremesa, numa conversa muito íntima, mexer uma xícara de café é um gesto altamente pensativo. Ele escorregou o seguinte: "eu compreendo bem a posição do grupo na atual situação da Igreja, mas eu não vejo bem como é que o grupo numa situação normalizada da Igreja pode existir porque o grupo tomou a si tais prerrogativas, tais interesses na direção da Igreja, uma tal função que dentro de uma hierarquia que cumpra a sua missão, o grupo não tem razão de ser. Eu não sei qual será a posição do grupo depois da Bagarre".

Eu disse a ele: "D. Mayer, a posição do grupo eu entendo da maneira seguinte depois da Bagarre: o grupo nunca deverá pertencer à Igreja docente, ele permanecerá sempre na Igreja discente, é discípulo e súdito, o grupo nunca terá o governo de um Estado, o papel dele é de ser súdito dos reis, dos imperadores, dos senhores que nascerem da ordem histórica criada no Reino de Maria. 

Bem, mas eu entendo que o grupo tem a missão a título de opinião privada enunciar em matéria de Revolução qual é a doutrina verdadeira e qual é a doutrina falsa, quais os rumos que devem ser seguidos para combater a doutrina falsa para fazer triunfar a verdadeira, para modelar todo o espírito da humanidade de acordo com a posição contra-revolucionária e para atingir a luta contra a Revolução. 

"Um Papa pode não seguir isso, é o direito dele, um imperador pode não seguir isto é o direito dele. [Mas] ai daquele que não siga porque derruba o Reino de Maria e fica com as mãos maculadas com esse crime. O que é que V. Excia. acha deste modo de ver?"

Ele, sempre mexendo interminamente a xícara, mas me olhando fixamente com uma posição de cabeça um pouco inclinada e os olhos assim, ainda eu me lembro de como se fosse hoje, ele me disse: "esta era a posição dos profetas no Antigo Testamento. O profeta devia guiar o rei e os sacerdotes, mas sem jurisdição. É um guia, é alguém que exprime a vontade divina aos reis e aos sacerdotes [e os] que não seguiram foram punidos, mas ele não era rei, nem sacerdote". Ele me disse: "é isso que você entende?". Depois ele acrescentou: "prever o futuro era uma tarefa secundária do profeta, não era a tarefa principal. A principal missão do profeta era conhecer as vias de Deus e indicá-las ao povo, ao povo eleito".

Eu disse: "D. Mayer, essa conversa tomou uma gravidade que não permite mais que ela seja uma conversa entre Plinio e D. Mayer, ela é uma conversa agora de um fiel com um bispo da Igreja Católica, pelo amor de Deus, eu lhe peço que me diga se a nossa posição no Novo Testamento é heterodoxa". D. Mayer me respondeu: "Não, ela é inteiramente ortodoxa, isto pode existir assim no Novo Testamento". Eu disse: "Bem, então V. Excia. tem aqui a idéia do que é que o grupo julga ser". Ele ficou quieto e mudou-se de assunto" [3].

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Fontes:
[1] Reunião "Palavrinha aos venezuelanos", 7 de Agosto de 1973, Terça-feira
[2] SEFAC Encerramento, 19 de Fevereiro de 1972, Sábado
[3] Reunião Extra, 13 de Abril de 1969, Domingo, Hotel Pavani, Serra Negra - SP