O Concílio Vaticano II foi infalível ? Falam os Papas e os prelados. Resposta à objeções

Do livro "O Príncipe dos Cruzados".

As variadas afirmações da pastoralidade do Concílio são constantes pelas autoridades, mas para alguns pastoral, dogmático, disciplinar, ou qualquer modo de pronunciamento do Papa e da Igreja são somente modos de pronunciamentos, tendo todos o caráter da infalibilidade. No entanto, a própria definição da infalibilidade Pontifícia no Concílio Vaticano I em 1870 limita a ação dela a condições específicas. Seria sem nexo uma proclamação solene de dogmas dentro da Igreja como o da Imaculada Conceição ou da Assunção de Nossa Senhora, dado que um simples pronunciamento já bastaria, como de fato já houveram vários de Papas anteriores.

Para dissipar qualquer dúvida sobre o caráter pastoral do Concílio Vaticano II, basta conhecer o que disse as seguintes autoridades:

Papa Paulo VI

“Há quem se pergunte qual autoridade, qual qualificação teológica o Concílio quis atribuir aos seus ensinamentos, sabendo que ele evitou dar solenes definições dogmáticas imbuídas da infalibilidade do Magistério Eclesiástico. A resposta é conhecida aos que se lembram da Declaração Conciliar de 6 de Março de 1964, repetida dia 16 de Novembro desse mesmo ano: dado o caráter pastoral do Concílio, ele evitou proclamar de forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade” (Paulo VI, Audiência geral de 12 de Janeiro de 1966. http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/audiences/1966/documents/hf_p-vi_aud_19660112_it.html)

Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI

"O Concílio Vaticano II não foi tratado como parte de toda tradição viva da Igreja, mas como um término da tradição, um novo começo do zero. A verdade é que este Concílio em particular não definiu nenhum dogma, e deliberadamente escolheu se manter em um nível modesto, como um Concílio meramente pastoral, e ainda muitos tratam ele como se fosse feito em uma espécie de superdogma o qual tira a importância de todo o resto" (Alocução à Conferência Episcopal Chilena, Il Sabato 1988).

Mons.Gherardini, no livro com prefácio de  D.Mario Oliveieri, apresentação de Mons.Alberto Ranjit, Secretário da Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos.

“as suas doutrinas, quando reconduzíveis a definições anteriores, não são, nem infalíveis nem irreformáveis, e, portanto, também não são vinculativas; quem as negar não será, por esse fato, formalmente herege. Assim, pois, quem as impusesse como infalíveis e irreformáveis iria contra o próprio Concílio (Concilio Ecumenico Vaticano II. Um discorso da fare, pg.51 e em geral pgs.47-52).

- Objeções

Obj.1: João XXIII, em seu discurso na abertura do Concílio em 11 de Outubro de 1962, ressalta que ele pretende apresentar o magistério eclesiástico "extraordinario modo" (n.2), isto é, de modo extraordinário, o que significa ser infalível.

O "extraordinario modo" é a forma pastoral de apresentação do magistério. E isso é confirmado pelo próprio Papa mais adiante neste discurso:

"A finalidade principal deste Concílio não é, portanto, a discussão de um ou outro tema da doutrina fundamental da Igreja, repetindo e proclamando o ensino dos Padres e dos Teólogos antigos e modernos, que se supõe sempre bem presente e familiar ao nosso espírito. 


(...). é necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo. Uma coisa é a substância do "depositum fidei", isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral" (n. 4 e 5. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/speeches/1962/documents/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html).

Obj.2: Muitas constituições do Concílio foram chamadas "dogmáticas", e o tom dogmático foi usado em muitos documentos.

É verdade, mas isso só adiciona motivos para acreditar na confusão que o evento fez, e não anula o tratamente pastoral de questões dogmáticas nestes documentos, nem anula a intenção originária do Concílio em ser pastoral, dada pelas autoridades presentes.

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