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Tomismo contra o Design Inteligente desde William Paley. Filosofia da natureza Católica contra o Design Inteligente

Apoteose de S. Tomás perante
os Santos Doutores da Igreja
S. Tomás de Aquino, doutor Angélico, rogai por nós!

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (volume II, 3a edição).


Este artigo faz parte da série sobre erros relativos à ordem do universo, que se esbarram, no mínimo, em heresias, segundo a doutrina católica tradicional e sua metafísica. Veja mais:

A Escritura, a Igreja e os Santos dizem se o homem veio de Adão ou do macaco ou de outro animal?

Questão Teológica: se há vida (inteligente ou não) orgânica extra-terrestre


Refutando o Darwinismo no campo filosófico com a metafísica tomista e outros autores

Geocentrismo defendido pela Igreja Católica, Sagrada Escritura, os Padres e Doutores da Igreja e revelações privadas ---
parte histórica --- parte científica

Partindo do conceito de que o partido da direita é o de Jesus, e o da esquerda, das trevas, conforme São Luís Grignion de Montfort e outros expuseram (clique aqui) podemos dizer que o movimento do Design Inteligente (DI) é uma espécie de falsa-direita da ciência na biologia, que também entra em outros campos. Normalmente uma falsa-direita apresenta as características como: adeptos de outras religiões, abertura até ao panteísmo, falsas soluções ao seu suposto inimigo (o darwinismo), aceitação de teses do seu oposto (no caso, novamente, do darwinismo) etc. Assim, o DI em relação ao darwinismo é uma falsa-direita, isto é, uma falsa solução.

Características

1. Anti-teleologia tomista

2. Premissas tomistas disfarçadas, conclusões não tomistas

3. Argumentos de probabilidade, não de certezas

4. Abre espaço ao Deus dos ocultistas e maçons

5. O Deus do DI não é o da Igreja

1. Anti-teleologia tomista

Para mostrar isso copiamos muito do artigo do tomista Edward Feser [1]. O filósofo americano nos mostra que a teleologia tomista e escolástica, a da Igreja, reconhece a existência de finalidade nas coisas naturais de modo imanente, mas também reconhece que elas não poderiam ter sua natureza as dirigindo para um determinado fim senão por uma inteligência Divina ordenadora. S. Tomás de Aquino explica:

"A quinta via é tomada do governo das coisas. Com efeito, vemos que algumas coisas que carecem de conhecimento, como os corpos físicos, agem em vista de um fim, o que se manifesta pelo fato de que, sempre ou na maioria das vezes, agem da mesma maneira, a fim de alcançarem o que é ótimo. Fica claro que não é por acaso, mas em virtude de uma intenção, que alcançam o fim. Ora, aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo, existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus" [2].

Três observações se fazem necessárias: 1 - "Isso" que "nós chamamos Deus", é provado em uma segunda fase do argumento, disposta no final do artigo. 2 - Entende-se "sempre ou na maioria das vezes" como um reconhecimento da existência de chance através dos acidentes que ocorrem na natureza. O argumento não é "tudo tem uma causa final". 3 - No trecho a seguir se vê mais claramente que S. Tomás não entende a finalidade como unicamente presente em "algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim" porque ele parte da observação da natureza das coisas, a observação da "ordenação nas coisas criadas":

"Além disso, segundo o Filósofo, pertence ao sábio ordenar (I Metafísica 2, 982a; Cmt 2, 41ss), pois não é possível a ordenação nas coisas criadas senão pelo conhecimento da relação e da proporção das coisas a serem ordenadas e destas entre si e com algo superior, que lhes é o fim, pois a ordem das coisas entre si é constituída segundo a ordenação das mesmas para o fim. Ora, conhecer as relações e as proporções das coisas entre si é próprio de quem possui intelecto, como também julgar de algumas coisas pela causa suprema é próprio da sabedoria. Sendo assim, é preciso que toda ordenação se faça pela sabedoria de alguém inteligente" [3].

a principal referência do movimento do Design Inteligente (DI) é William Paley, protestante do século XVIII e XIX. Paley foi quem concebeu o argumento famoso do "relojoeiro" para explicar a existência de Deus através da natureza, o qual foi criticado por muitos darwinistas posteriormente, a ponto de alguns adeptos do darwinismo como Richard Dawkins afirmarem que Paley repetia um argumento antigo, já proposto por S. Tomás de Aquino, o que é falso, como será visto.

Paley pensava que, apesar de acharmos normal que uma pedra encontrada pelo caminho possa ter estado lá desde sempre, não podemos razoavelmente pensar o mesmo de um relógio descoberto no mesmo lugar. O relógio tem partes que estão evidentemente arranjadas com um propósito, e se fossem suas partes diferentes, ou arranjadas de modo diferente, não poderiam servir a esse propósito. Então, concluímos que um artífice ou artífices formaram o relógio. "Toda indicação de invenção, toda manifestação de design, que existe no relógio, existe nas obras da natureza, com a diferença, no lado da natureza, de serem superiores e maiores, num grau que excede toda computação" [4]. Assim, o mundo natural exibe "prova de design, e de um projetor criador" [5]. 

Um dos principais defensores do DI, Stephen Meyer, argumenta como a simulação dos algoritmos evolutivos exibe teleologia extrínseca, tão somente. Ele cita a simulação feita por Richard Dawkins e Bernd-Olaf Kuppers com o uso de computador, em que uma frase era o objetivo final: "Me thinks it is like a weasel", tirada da peça Hamlet, de Shakespeare. O computador gerava uma sequência alfabética do mesmo tamanho da frase desejada, depois, um conjunto de sequências variadas aleatórias. Em seguida, o computador escolhia as sequências do conjunto que se aproximavam mais da frase desejada, sob o que Kuppers chamou de "Princípio de otimização darwinista". O computador preservava essas sequências, ampliava sua produção, eliminava as outras (para simular a reprodução diferencial), e repetia o processo. Após quarenta e três gerações o computador produziu a frase desejada.

Muitos tomistas já notaram que o darwinismo está imbuído de teleologia e não há como escapar disso. Essa simulação é só mais uma prova não somente da teleologia aristotélica, mas da escolástica. Se o computador não incluísse o algoritmo, ou seja, a finalidade para onde tende, não alcançaria seu objetivo tão rápido. Por outro lado, sabe-se que o computador, por não ser inteligente, não consegue colocar em si tal finalidade, da onde é necessário que esta venha de uma inteligência: os pesquisadores.

Porém, Meyer não acredita que exista finalidade imanente, pois diz: "tais simulações impressionam de uma distância, mas elas contêm uma falha óbvia: moléculas in situ não tem um alvo "em mente". Na biologia, onde sobrevivência diferencial depende da manutenção da funcionalidade, a seleção não pode ocorrer até sequências funcionais surgirem" [6]. A observação de Meyer sobre objetos sem inteligência não terem um alvo "em mente" é uma óbvia dor de cabeça nos darwinistas, que não sabem explicar porque não acreditam em causas finais. Por outro lado, o defensor do DI nota a falha para sustentar outra em lado oposto, negando haver na molécula uma finalidade. Já o tomista sustenta que essa finalidade existe, por existir finalidade em pelo menos cinco níveis: causas básicas regulares, processos inorgânicos complexos, fenômenos biológicos básicos, vida animal, e na ação e pensamento humano.

Portanto, a posição de Meyer, o filósofo mais conhecido dentre os defensores do movimento, é uma posição teleologicamente anti-tomista. Sua argumentação impacta porque nota o escancarado problema da finalidade no raciocínio darwinista e o fato destes negarem (como Meyer) essa finalidade intrínseca a algo sem inteligência. Em outro exemplo, ele cita a simulação de algoritmo chamada Ev, criada por Thomas Schneider, para argumentar que ela "novamente simula uma previdência direcionada ao alvo que a seleção natural não possui (...), ela transmite informação baseada no conhecimento que Thomas Schneider, e não que a seleção natural ou o ambiente, transmitiu ao simulador Ev" [7].

Outra das figuras principais do DI, William Dembski, diz claramente que a teleologia da idéia é anti-tomista: "a arte de fazer estátuas não está na pedra em que a estátua é feita (...) assim também, a teoria do design inteligente afirma que a arte de construir a vida não está na coisa física que constitui a vida mas requer um designer" [8]. Esse matemático, em seu filtro explanatório pelo qual pretende distinguir o que é causado por design, afirma que se um evento é devido a causas regulares, não se pode atribuí-lo ao design. Enquanto isso, o tomista observa o simples "fato de que, sempre ou na maioria das vezes, [certas substâncias naturais] agem da mesma maneira" isto é, por causas regulares se prova a existência de causas finais. 

2. Premissas tomistas disfarçadas, conclusões não tomistas

O DI apresenta certos sistemas ou coisas naturais carregadas de ordenação e harmonia, mas que são elas mesmas desprovidas de inteligência. Essa constatação faz parte do argumento Tomista da Quinta Via, como mostramos acima, que diz que "não é possível a ordenação nas coisas criadas senão pelo conhecimento da relação e da proporção das coisas a serem ordenadas e destas entre si e com algo superior, que lhes é o fim, pois a ordem das coisas entre si é constituída segundo a ordenação das mesmas para o fim".

Contudo, ao invés de seguir o raciocínio na questão da finalidade imanente na natureza, porque recusam esta mesma, partem para argumentar sobre a complexidade, com exemplos que deixam a pessoa exausta de tanta informação, e talvez deslumbrada com a harmonia.

O defensor do DI geralmente segue esta linha de raciocínio:

1. Há uma ordem em certas substâncias naturais.
2. Há ausência de prova de que originam de algo natural e a probabilidade baixa de que haja essa origem.
3. Essas substâncias não são inteligentes.
4. Logo, a causa é devida a um designer inteligente que pode não ser Deus (o DI não entra se aprofunda na característica deste designer).

Como vimos, o tomista usa de 1 e de 3, mas no lugar de 2 nota o fato: elas agem sempre ou quase sempre (por causa dos acidentes) para certo fim. A conclusão é metafísica e defende que essas coisas naturais são direcionadas ao seu fim por um ser inteligente que há de ser Deus (provado em posterior argumentação). 

Um exemplo do uso da premissa 1 é a "complexidade especificada" de Dembski, a qual reconhece padrões na natureza, os quais nada mais são do que as ordens e relações que S. Tomás indicou, como vimos, com a diferença que para o Doutor da Igreja elas podem ser encontradas em causas regulares também, e não só na "baixa probabilidade de um evento" [9].

3. Argumentos vagos ou de probabilidade, não de certezas

A probabilidade também está presente em toda a argumentação de Paley, inspirador do DI: ele apela em seu livro principal ao que é "provável", para a "probabilidade" ou "improbabilidade", diversas vezes ao longo de seu argumento [10]. Ele diz que "algum grau de complexidade é necessário no objeto para torná-lo apto neste tipo de argumento" [11]. Por isso ele descreve vários processos biológicos da natureza, dos mais complexos, para usar com o ateu "um argumento cumulativo" [12]. Daí o interesse em probabilidade e complexidade do movimento do DI.

Um dos exemplos é a complexidade irredutível proposta por Michael Behe: "um sistema único que é composto de várias partes que interagem e contribuem para a função básica, e onde a remoção de qualquer uma das partes faz com que o sistema efetivamente pare de funcionar" [13]. Essa afirmação é na realidade filosófica, assim como são muitas teses darwinistas. A função básica é a função exercida pela qual o sistema é conhecido, ou seja, faz parte de sua essência como substância composta. Portanto, Behe fala que se se tira algo da essência de uma substância natural ela não age mais. No entanto, ela é conhecida por ser o que é pela sua operação, como a maior parte das coisas biológicas.

Por conseguinte, o argumento de Behe é filosofia mascarada de biologia, assim como o darwinismo, de pano de fundo materialista. Ainda, ele argumenta com isso que não se pode chegar, por numerosas, sucessivas e pequenas modificações no sistema, via evolução darwinista, a esses sistemas complexos [14]. Behe quer com isso recusar a teoria da evolução darwinista e provar a existência de um Designer Inteligente. Mas nada disso tem força, pois um sistema simples com finalidade de se complexar cada vez mais, ajudado por outros fatores ou sistemas não conhecidos do passado que faziam certas funções biológicas, mas que sumiram com o decurso do tempo, tudo isso poderia facilitar o advento desses sistemas complexos. É claro que, muitas dessas hipóteses são impossíveis de provar, por necessitarem de prova histórica. A ausência de prova não responde, mas também não refuta: tanto o darwinismo como o DI parecem ter problema em entender isto.

A probabilidade baixa pode ser resolvida com possibilidades incontáveis, em um universo infinito ou eterno, ou até mesmo só com suficiente tempo de existência para ter tempo para todas essas possibilidades. Inúmeras hipóteses para diminuir o tempo necessário para acontecer as probabilidades podem ser propostas. Com esse argumento o DI pode ser refutado por uma futura descoberta científica, que pode revelar (como fez no passado) um mecanismo pelo qual o que parecia irredutivelmente complexo, não o é. Quando isso acontecer veremos novamente um defensor do DI argumentando que esse mecanismo é obra de um agente inteligente, e de novo se repetirá a história com mais uma descoberta científica provando o contrário, ad infinutum.

Chega a ser desrespeitoso pensar que na biologia, Deus teria agido diretamente só para criar alguns sistemas complexos os quais são os menos interessantes e bonitos, como o flagelo bacteriano. Antes do DI não havia nenhum interesse do público nesses exemplos. Esteticamente, é um Deus de mau gosto na escolha dos lugares onde quer deixar suas marcas para fazerem os outros crerem. Isso é absurdo. Deus deixou sua marca em todas as coisas. 

4. Abre espaço ao Deus dos ocultistas e maçons

Prova disso são as palavras dos próprios aderentes do DI:

William Dembski: "A abertura metafísica do DI sobre a natureza da natureza implica uma abertura paralela sobre a natureza do Designer. Seria o designer um alienígena inteligente, um simulador computacional (como em "A Matrix"), um Demiurgo Platônico, uma Estóica razão seminal, um processo télico impessoal (...), ou o infinito pessoal e transcendente criador Deus do Cristianismo? Os dados empíricos da natureza não podem decidir. Mas isto não é dizer que o designer é anônimo. Eu sou cristão, assim a identidade do designer para mim é clara, pelo menos. Mas até identificar o designer com o Deus Cristão não é dizer que qualquer particular instância de design na natureza é diretamente obra de suas mãos" [15].

Michael Behe: "Primeiramente, quem fez o design? Após refletir por um minuto nós podemos ver que não temos informação para responder esta pergunta. Talvez tenha sido um inimigo seu ou um amigo; talvez tenha sido um brincalhão. Sem mais informações não podemos definir quem projetou (...). Uma segunda pergunta é: quando foi desenhada? Novamente, depois de pensar um pouco, nós vemos que não há informação suficiente para responder a esta questão" [16].

Outra forte evidência de que o DI não prova a existência de Deus é o número de ateus e agnósticos favoráveis à ideia, o que não aconteceria se a teoria provasse a existência de Deus. Exemplo disso é Bradley Monton, filósofo da ciência e ateu, autor do livro "Seeking God in Science: An Atheist Defends Intelligent Design".

5. O Deus do DI não é o da Igreja 

Da argumentação do Doutor Angélico depreende-se a existência necessária de Deus e seus atributos: essa inteligência deve existir aqui e agora porque essas coisas ocorrem aqui e agora, e não em um ponto no passado. Essa inteligência não pode ser composta, porque precisaria ser atualizada por algo em ato, visto o composto ser uma mistura de ato e potência. Como toda potência tende a algo, então teríamos novamente a questão do que a faz tender a algo, ou seja, do que a atualiza. Dessa forma teríamos uma série de causas que deve ser reduzida a um primeiro elemento ordenador necessariamente, dado que um regresso infinito é contra a existência da realidade por não ter primeiro membro, pois cada elemento da série depende de seu ordenador direto. Esse primeiro elemento, para terminar a sequência, há de ser simples, como vimos, mas também: puro ato, isto é, teria a essência identificada com a existência (senão ele precisaria ter sua essência atualizada por outro), e com intelecção e inteligível igualmente identificados, porque a intelecção precisa ser atualizada ou direcionada para se compreender o inteligível. Outros atributos divinos podem ainda ser identificados, mas basta este resumo.

Já o argumento do design inteligente, por negar a finalidade imanente nas coisas, esbarrando numa teleologia platonista, pode fazer a pessoa crer no ocasionalismo, opinião pela qual só Deus opera e acarreta os efeitos, opinião que pode levar ainda ao panteísmo, porque os objetos seriam meras representações da mente divina, e tudo que existe na realidade seria a atividade de Deus. É claro que muitos adeptos do DI negam isso, por acreditarem em causas eficientes, mas suas argumentações abrem espaço a isso.

Além disso, Paley apoia suas teses sob a analogia de um designer humano, um relojoeiro, sustentando assim um Deus antropomórfico. Não é só de Paley essa opinião, como mostramos, porque a teleologia é inteiramente fora da coisa em si, e portanto as substâncias naturais só agem em virtude de algo extrínseco, a modo de uma máquina. O mundo, então, seria mecanicista, mas esse mundo não é o mundo que o Deus da Santa Igreja criou.

Segundo Edward Feser, a incompatibilidade da quinta via de São Tomás com o argumento de Paley é também da opinião da maioria dos tomistas mais ativos no século XX. Alguns destes são citados [17]: Maurice Holloway, John F. McCormick, Cardeal Mercier, Joseph Owens, R. P. Phillips, Henri Renard, John Wippel, Benedict Ashley, Etienne Gilson, Herman Reith, Ronald Knox.

Um tomista explicitou bem o Deus do DI: "O Ser que tem a existência revelada para nós pelo argumento do design não é Deus, mas o Grande Arquiteto do Deístas e Maçons, um impostor mascarado de Deus" [18].

Teses errôneas do Design Inteligente

- Todas ou algumas substâncias naturais foram criadas de modo análogo à criação de algo como o relógio: juntando as partes que já possuíam uma finalidade específica. 

- A probabilidade quase nula de que determinada ordem da natureza, ou mesmo esta, possa ser explicada por causas naturais é um argumento para a existência de uma inteligência criadora.

- O criador do DI não pode ser o Demiurgo, o Grande Arquiteto, o Deus dos deístas e Maçons.


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[1] Neo-Scholastic Essays, St.Augustine's Press, 2015, "Between Aristotle and William Paley: Aquinas's Fifth Way", 7, pg.147-192.
[2] Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino. Pt.I Q.2, Art.3, São Paulo: Ed. Loyola, 2001. 
[3] Suma contra o Gentios, Livro II, Cap.XXIV, 3.
[4] William Paley, Natural Theology, Oxford University Press, 2006. Pg.16
[5] Ibid. Pg.40
[6] Signature in the Cell, HarperOne, 2010, Cap.13, Pg.282-284
[7] Ibid. Pg.284
[8] The Design Revolution, Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2004, pp.133-133.
[9] William A. Dembski, The Design Inference: Eliminating Chance Through Small Probabilities, Cambridge: Cambridge University Press, 1998, Pg.3
[10] Op.Cit. Natural Theology, pg.108, 135, 162, 167, 179, 201
[11] Ibid. Pg.199
[12] Ibid. Pg.45 
[13] Darwin's Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution, 1996, Free Press, Pg.39
[14] Behe, M. J. (2002) "The challenge of irreducible complexity." Natural History, 111(3):74. 
[15] "Does ID presuppose a mechanistic view of nature?", Uncommon Descent, April 18, 2010. Link: http://www.uncommondescent.com/intelligent-design/does-id-presuppose-a-mechanistic-view-of-nature/ 
[16] Science and Evidence for Design in the Universe, "Evidence for Design at the foundation of Life", Michael Behe, W.Dembski, S.Meyer, Ignatius Press, 1999, Pg.128.
[17] "Neo-Scholastic Essays", 2015, Metaphysics and philosopy of nature 3, Pg.57-58.
[18] Christopher F.J. Martin, "Thomas Aquinas: God and Explanations", pp.180-82 .

Design Inteligente vs Tomismo Clássico, por Michael W. Tkacz

Por Michael W. Tkacz 

Tradução livre nossa antiga, e ruim. Recomendamos, ao invés deste artigo, o nosso artigo mais substancial no tema:

Tomismo contra o Design Inteligente desde William Paley. Filosofia da natureza Católica contra o Design Inteligente

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http://www.catholic.com/magazine/articles/aquinas-vs-intelligent-design

Um dia eu recebi uma ligação de um professor de filosofia de uma faculdade religiosa privada aqui perto. Ele tinha acabado de voltar de uma conferencia internacional sobre biologia evolucionista a partir da teoria do design inteligente. Ele parecia meio preocupado, então eu concordei em encontrá-lo. Quando eu o encontrei, ele parecia que tinha uma reclamação a fazer, visto que abriu a conversa com uma série de perguntas: Onde estão os tomistas? Onde estão os católicos? Por que vocês não estão defendendo os cristãos da teoria do design inteligente? Ele explicou que os organizadores da conferência tinham convidado vários tomistas para participarem, e estava consternado ao notar que invés de expressar simpatia com o movimento do design inteligente, eles estavam tecendo críticas sobre. Talvez se sentindo um pouco traído, ele perguntou para mim, um tomista, o que estava acontecendo.
Desde o tempo de Charles Darwin há um debate vigoroso entre cristãos criacionistas e evolucionistas darwinistas. Nenhum dos lados teve um interesse no que o tomismo católico -uma posição minoritária – pode contribuir para a discussão. E quando a tradição tomista é considerada, os dois lados parecem insatisfeitos. Darwinistas seculares veem os tomistas como outra espécie de literais que querem substituir a boa biologia pelo livro do Genesis. E por outro lado, protestantes criacionistas frequentemente veem os tomistas entre o secularismo e o naturalismo, dependendo pouco da leitura da escrituras e muito de leitura filosófica.
Agora, os defensores do DI tem revivido um debate de biologia evolucionária em um patamar científico. Esse novo desafio para o darwinismo tenta mostrar que a evidência biológica apoia uma gradual evolução das espécies menos do que uma direta criação de um designer inteligente. Dado a sofisticação filosófica dos argumentos, talvez seja natural que teóricos do DI assumam que eles tem aliados dentre os tomistas clássicos que são conhecidos por sua sistemática defesa da criação.
Ainda assim, como meu amigo descobriu, o movimento do design inteligente ainda não foi bem recebido dentre os círculos tomistas. A questão é: Por quê? Por que tomistas, que compartilham das mesmas preocupações acerca da secularização da sociedade, não tem apoiado muito o movimento? Por que a hesitação? E por que muitos tem sido até um pouco hostis sobre o projeto do DI?
Um pouco de atenção para a filosofia tomista da criação pode ajudar-nos a responder essas questões. Mais importante, investigando a frieza do tomismo em relação ao DI pode ajudar a mover o debate longe de sua atual polarização criação x evolução para uma discussão que pode gerar mais frutos filosoficamente. A visão tomista da relação de Deus com a natureza pode sugerir uma terceira alternativa para as já conhecidas posições dos darwinistas e dos teóricos do DI.


Uma recente crise da criação
 

Durante a vida de Tomás de Aquino houve uma revolução científica que desafiou seriamente a doutrina tradicional cristã da criação. Do tempo da Igreja primitiva, cristãos ortodoxos sustentaram que o universo teria sido criado por um Deus transcendente que é inteiramente responsável por sua existência e a existência de tudo dentro dela. Esse é o ensinamento que os cristãos herdaram dos judeus e compartilham com aqueles da doutrina islâmica.
No começo do século 13, no entanto, um grande marco histórico iria acontecer no ocidente europeu, enquanto os trabalhos dos antigos filósofos naturais gregos e matemáticos começaram a ser traduzidos para a língua latina pela primeira vez. Especialmente importante foram os trabalhos de Aristóteles, que tinha estudado os princípios básicos da natureza e desenvolvido um sistema de metodologia científica que prometia desvendar os mistérios do universo.
A revolução científica causou grande alvoroço dentre os escolásticos latinos nas novas universidades da Europa. Eles avidamente pesquisaram em diversas áreas das ciências naturais e fundaram uma tradição histórica de ciência experimental que continua até hoje. Não demorou muito até que progressos começassem a aparecer em campos como a astronomia, a matemática, ótica, meteorologia, botânica, zoologia, etc.
Ao mesmo tempo, uma nova ciência era a causa de preocupação, a medida que alguns teólogos viram nela uma desafio para a doutrina da criação. Especificamente, os gregos naturalistas sustentaram que “alguma coisa não pode vir de nada”. Certamente, os gregos usaram seus princípios básicos como base para argumentar que o universo é eterno: Não pode haver um primeiro nem um último movimento. Parecia para os contemporâneos de Santo Tomás que isso era incompatível com a doutrina da criação ex nihilo.
Nesse debate medieval veio Santo Tomás, que raciocinou: Deus é a fonte de toda verdade, o objetivo do conhecimento científico é a verdade, então não pode haver incompatibilidade entre os dois. Enquanto nós entendermos nossa doutrina adequadamente, e fizermos nossa ciência, chegaremos a verdade.
Mas, e o aparente conflito entre a noção de criação do nada e o princípio científico que para todo movimento natural ou estado deve haver um movimento ou estado anterior? Vendo um conflito aí, Santo Tomás disse que é um resultado da confusão entre a natureza da criação e a natureza da mudança. Um erro que poderia ser chamado de a falácia cosmogônica.


Para fora de nada
 

Santo Tomás de Aquino argumentou que o erro vinha de uma falha ao tentar distinguir entre causa no sentido de mudança natural de algum tipo e causa no sentido de uma trazer algo à existência de nenhum antecedente. Creatio non est mutatio disse Tomás: O ato da criação não é uma espécie de mudança.
Os filósofos naturais gregos estavam bem corretos em dizerem que de nada, nada veio. Por “veio” eles entendiam como algo que mudou de um estado para o outro, o que necessita algum material real antecedente. E também é necessário alguma possibilidade pré-existente para essa mudança, possibilidade tal que reside em algo.
Criação, por sua vez, é a causa radical da existência total de algo que existe. Ser a completa causa de existência de algo não é a mesma coisa que produzir mudança em algo. Não é como pegar algo e transformar em outra coisa, como se tivesse alguma matéria primordial no qual Deus teve que usar para produzir o universo. Ao contrário, a criação é o resultado da ação divina totalmente responsável pela produção, ao mesmo tempo e completamente, do universo inteiro, com tudo que ele têm e suas operações, de fora do nada pré-existente.
Estritamente falando, aponta São Tomás, o criador não cria algo do nada no sentido de pegar algum nada e fazer algo sair daquilo. Este é um erro conceitual, porque trata o nada como algo. Ao contrário, a doutrina cristã da criação ex nihilo afirma que Deus criou o universo não a partir de algo. Em outras palavras, algo deixado inteiramente para si mesmo, completamente separado da causa da sua existência, não iria existir -seria o absoluto nada. A última causa da existência de tudo e qualquer coisa é Deus que cria – não a partir de algum nada, mas a partir de absolutamente nada.
Olhando por esse lado, a nova ciência do século 13, da qual nossa ciência moderna se desenvolveu, não era uma ameaça para a doutrina cristã da criação. Saber as causas naturais dos entes é diferente que saber que todos os entes naturais e operações radicalmente dependem da última causa para a existência de tudo: Deus, o criador. Criação não é uma mudança. Criação é a causa, de um modo bem diferente, de fato, único. Somente evitando a falácia cosmogônica, pode-se entender corretamente a doutrina cristã da criação ex nihilo.


Pegue o Hipopótamo, por exemplo
 

Duas implicações dessa distinção entre mudança e criação são dignas de nota aqui. Uma é que Deus cria sem nenhum tempo para criar: Ele cria eternamente. Criação não é um processo com um começo, um meio, e um fim. É simplesmente a realidade: o universo depende inteiramente da ação de Deus. A outra implicação é a radical unidade da ação divina. A produção causal de Deus não é como qualquer outra causa natural, devido que Deus não só produz o que ele produz de uma vez só sem nenhum processo, mas também sem precisar de nada pré-existente ou nenhuma pré-condição. Deus não age em parte de um processo, nem inicia um processo no qual nenhum havia antes. Não há nenhum “antes” de Deus, não há nenhum estado pré-existente da onde a ação de Deus procede. Ele está total e imediatamente presente como causa de todo e qualquer processo.
Em cima dessas implicações para o entendimento correto da criação, os tomistas distinguiram entre a existência dos seres naturais e de suas operações. Deus faz os entes naturais existirem de tal modo que eles são os agentes de suas próprias operações. De fato, se esse não fosse o caso, não seria Deus que teria criado esse ente natural, mas outro. O salmão sobe o rio para procriar. Quando foi criado o salmão, foi criado um peixe que se reproduz dessa maneira. Se Deus não tivesse criado o salmão com essa característica, então ele não teria criado o salmão, mas outra coisa.
Considere outro exemplo: Um mamífero quadrúpede largo, como um hipopótamo, deu a luz para um filhote. Por quê? Bem, nós podemos responder isso dizendo que “Deus faz isso”. Ainda assim, isso poderia significar que Deus fez o hipopótamo -e os mamíferos- com a morfologia, genética adequada, etc, que lhe conferem o poder de dar a luz. Deus não “alcança” as operações normais do hipopótamo para que ele desse a luz. Quando alguém pensa que “Deus fez isso”, significa que Deus interveio na natureza dessa maneira, e isso seria cometer a falácia cosmogônica.
Agora, se essa distinção entre o ser de algo e suas operações estão corretas, então a natureza e suas operações são independentes no sentido que a natureza opera de acordo com o modo que ela é, não que algo de fora dela está agindo nela. Deus não age na natureza do mesmo modo que um ser humano age em um artefato qualquer para mudá-lo. Invés disso, Deus criou seres naturais de tal maneira que eles funcionam do jeito que funcionam. hipopótamos dão a luz porque esse é o tipo que eles são. Por qual motivo há hipopótamos? Bem, a natureza produz eles de certa maneira. De que maneira a natureza produz eles e por que ela produz coisas desse modo? Por causa que Deus fez o todo da natureza operar dessa maneira e produzir por suas próprias ações o que ela produz. Dessa forma, Deus continua inteiramente responsável pelo ser e operação de tudo, mesmo possuindo os seres naturais ação de acordo com o modo que foram criados.
 

“Deus das lacunas”
 

Na luz dessa descrição da visão Tomista da criação e da causa natural, pode-se entender a 
relutância de tomistas contemporâneos em correr para defender os teóricos do DI. Parece que a teoria do Design é fundada na falácia cosmogônica. Muitos que se opõem ao modelo darwinista da evolução biológica identificam a criação como uma intervenção divina na natureza. Isto é porque muitos estão preocupados com as descontinuidades na natureza, como as descontinuidades de registros fósseis. Eles parecem ver nestes registros a evidência de ação divina no mundo, baseado em que a única possibilidade de que tais descontinuidades só poderiam ser explicadas por uma ação divina direta. Insistir na explicação que Deus periodicamente produziu novas e distintas formas de vida é confundir o fato da criação com a maneira ou modo que os seres naturais se desenvolvem na natureza. Essa é a falácia cosmogônica.
Dentro das mais sofisticadas tentativas de adeptos do DI de contrariar a teoria darwinista da formação de organismo é o argumento da irredutibilidade complexa do bioquímico Michael Behe. Ele argumenta que há formas específicas de vida e sub-sistemas bióticos que são irredutivelmente complexos e não poderiam ser criados por meios de seleção natural. Sistemas complexamente irredutíveis e formas revelam um design inteligente na natureza e, portanto, indicam a realidade de um designer inteligente.
Defensores do DI ficam muitas vezes perplexos que tomistas não veem coerência no argumento de Behe. Apesar de tudo, tomistas são claramente abertos para discutir questões que sobre como a criação poderia prover evidências para a existência de um Criador – argumentos cosmológicos para a existência de Deus baseado na ordem e operação da Natureza tem sido, há um tempo, a preservação do Tomismo.
Por que, então, os tomistas não estão entre os mais ativos defensores de Behe? Primeiro de tudo, tomistas iriam concordar com muitos biólogos que tem apontado que as afirmações de Behe sobre a irredutibilidade complexa falham em distinguir entre explicações não conhecidas sobre a origem de certos sistemas complexos e o julgamento que tal explicação é a princípio impossível. Tomistas, no entanto, iriam mais fundo que a maioria dos biólogos identificando a primeira afirmação como algo que concerne ao conhecimento humano e a segunda como uma afirmação ontológica que concerne à tudo que existe.
Agora, tomistas talvez concordariam com Behe quanto ao que nenhuma atual ou antevista tentativa futura de explicar certas complexidades biológicas é satisfatória. Mesmo assim, tomistas iriam rejeitar a premissa ontológica de Behe que nenhuma explicação pode ser dada em termos de operações na natureza. Essa afirmação ontológica depende da visão “Deus das lacunas” para a ação divina. Essa é a visão que a natureza, como Deus originalmente criou, contém lacunas ou omissões que precisam que Deus venha a preencher futuramente ou reparar. Dado o entendimento tomista da ação divina, o “Deus das lacunas” é claramente inconsistente com uma concepção adequada da natureza da criação e, portanto, é cosmogonicamente falaciosa.
 

Nenhuma ordem, nenhuma ciência
 

Começando com os insights de Santo Tomás, tomistas poderiam mostrar que a ordem e a evidência do design no universo é precisamente o que torna as ciências naturais possíveis. Se a natureza não fosse ordenada, então não haveria motivo para que a natureza seja do jeito que nós observamos que ela é. Descobrir tais razões ou causa é o objetivo da ciência natural. Sem ordem e design na natureza ,não haveria ciência da natureza. Então, os seguidores de Darwin que argumentam que a teoria da evolução remove toda e qualquer necessidade de um design na natureza estão errados. Ironicamente, dizem isso tendo como base a ciência natural, o que torna tal afirmação impossível.
Além disso, como Santo Tomás discute na Summa Theologiae muitos séculos atrás, a presença de chance e contingência na natureza mostra que a mesma precisa de um criador para existir(I:2:3).De novo, os darwinistas, que usam e abusam da chance na seleção natural, estão em contradição ao negar a criação da natureza. Portanto, tomistas dão uma convincente resposta para a ameaça secular de uma teoria evolucionária que pretende substituir a doutrina da criação. Espécies de plantas e animais podem ou não podem descender de um ancestral primário. Se eles são, então só pode ser porque Deus os criou desse jeito, e seu ancestral comum na escala evolutiva é parte do design divino.
Os insights de São Tomás também dão uma resposta para o recente desafio feito pelo DI para a evolução darwinista. A criação do mundo por Deus a partir de nada não é a mesma coisa que uma causa natural. Diferente das causas que funcionam na natureza, A ação criativa de Deus acontece em uma realidade completamente atemporal. Deus não intervém na natureza nem ajusta ou fixa as coisas naturais. Deus é realidade divina sem a qual nenhuma outra realidade poderia existir. Portanto, a evidente dependência da natureza para com Deus como criador não pode ser a falta de uma causa natural explanatória para alguma estrutura particular. Nossa ciência atual pode ou não ser capaz de explicar qualquer mecanismo de organismos vivos, mas mesmo assim deve haver alguma explicação causal na natureza. O mais complexo dos organismos tem uma explicação natural, mesmo que é a qual nós não sabemos, ou talvez nunca saberemos.
 

A última causa de tudo
 

Ainda assim, a evidência para um Deus criador do universo é o fato notório – fato que sabemos tendo em base nossa pesquisa científica – que todas as coisas naturais são inteligíveis. Se elas são inteligíveis, são assim como produtos da natureza – isto é, são inteligíveis nos termos das suas causas naturais. Se isso é verdade para a totalidade das coisas naturais, então deve haver alguma fonte última dessa inteligibilidade – deve haver alguma causa primeira de qualquer coisa natural.
A fonte primária do ser e da inteligibilidade da natureza não pode ser outra coisa da natureza. Deve haver algo de fora da natureza que tem o poder de produzir a totalidade da natureza e não precisa de uma causa. Ambas a existência e a inteligibilidade da ordem natural do universo, portanto, dependem de uma primeira causa: Deus, o criador.
Porém, para mostrar que a contingência e dependência precisa de Deus como a sua última causa não é argumentar a favor da existência de outra causa natural na natureza. Em contraste, articular os detalhes de como o mundo natural funciona é a tarefa da ciência. Em suma, o tomismo dá um corretivo aos teóricos do DI que afirmam que a falta de certos tipos de explanações na ciência natural mostra a necessidade de uma intervenção divina como um substituto para as causas naturais. De acordo com São Tomás, Deus é certamente o autor da natureza, mas como sua causa transcendental, não como outra causa natural igual às causas naturais.
 

O poder corretivo de São Tomás
 

Ambos o Darwinismo, com sua recusa secular da unidade da fé e razão, como as tentativas de teóricos do DI para refutar a teoria da evolução justificam a opção do Papa Leão por Tomás de Aquino como modelo para os intelectuais católicos. Tomismo tem algo útil e frutífero para adicionar para a discussão. Ao mesmo tempo, o tomismo ainda não substitui as ciências naturais, ou melhor, uma síntese tomista intelectual inclui precisamente a pesquisa feita na moderna ciência da natureza que produziu muito entendimento da mesma. Em uma visão tomista, os ensinamentos da fé estão em perfeita compatibilidade com o que nós sabemos da natureza através da pesquisa científica, a medida que nós entendemos aqueles ensinamentos divinos corretamente e fizermos a nossa pesquisa científica de modo consistente e rigoroso. A verdade ou falsidade da afirmação que a diversidade de uma espécie é devida à algum tipo de mecanismo evolutivo é uma questão que precisa ser resolvida através de pesquisa, no campo da biologia. Seja lá qual for o resultado dessa explicação, não pode nunca substituir a necessidade de explicar a existência do mundo natural por criação ex nihilo de acordo com design divino de Deus.
Claramente, afirmações seculares associadas com o moderno darwinismo precisam de um tipo de corretivo provido pelo tomismo. Isso significa que, portanto, católicos devem defender o DI? Até agora, enquanto o DI representar uma visão “Deus das lacunas”, ela é inconsistente com a tradição intelectual católica. Graças aos esforços de São Tomás e muitos de seus seguidores, católicos tem uma clara e consistente visão da criação. Se católicos tirarem proveito do tomismo tradicional, eles não irão ter que apelar para um argumento “Deus das lacunas” para defenderem os ensinamentos da fé. Eles também terão uma mais completa e harmoniosa compreensão da relação da fé católica com a razão científica.
 

O que é o Design Inteligente (DI) ?
 

O movimento do design inteligente vem ganhando adeptos por todo o mundo cristão, especialmente dentre os evangélicos protestantes. O que diferencia ele é que não simplesmente rejeita a teoria da evolução em um patamar religioso, mas tenta uma crítica científica. Teóricos do DI dizem que evidências empíricas revelam que há formas biológicas na natureza que não podem ser explicadas como parte de nenhum processo evolucionário. Só um designer inteligente poderia causar estas formas complexas. Para muitos cristãos, a teoria do DI parece ser um potente competidor para a visão global materialista e secular que domina a ciência moderna.

Leituras Adicionais
Reação tomista para com o DI:
• Aquinas on Creation, tr. Steven E. Baldner and William E. Carroll (Pontifical Institute of Medieval Studies, 1997)
• William E. Carroll, "Creation, Evolution, and Thomas Aquinas," Revue des Questions Scientifiques 171 (2000): 319-47
• Marie I. George, "On Attempts to Salvage Paley’s Argument from Design," in Science, Philosophy, and Theology, ed. John O’Callaghan (St. Augustine’s Press, 2008)