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Sagrada Escritura e Santos sobre a modéstia dos pensamentos

Santo Afonso Maria de Ligório, rogai por nós!

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

Sagrada Escritura

"Fiz um pacto com meus olhos de nem sequer pensar numa virgem" Jó XXXI, 1.

S. João Clímaco

"Os santos padres assinanalados na graça da discrição dizem que uma coisa é o primeiro ímpeto do que tenta, outra a tardança no pensamento, outra o consentimento, outra a luta, outra o cativeiro, outra a paixão do ânimo. Primeiro ímpeto, dizem eles, é uma imagem que se representa em nosso coração e passa logo. Tardança é detença em mirar aquela imagem que se nos representa, ou com alguma alteração ou sem ela. Consentimento é movimento com que já nosso ânimo se inclina e se aplica àquela imagem com algum deleite. Luta é quando há porfia e peleja de parte a parte, e com igual virtude peleja o homem, por sua própria vontade vence ou é vencido. Cativeiro é um violento roubo de nosso coração, que se deixa levar por sua afeição, derrubando e tirando a alma de seu assento e estado. Paixão é propriamente aquela imagem que por largo tempo se assenta em nosso ânimo viciosamente, a qual, pela força do costume, se transforma em mau hábito, de sorte que, afinal, o vício é abraçado com toda a força da vontade.

Dentre esses graus, o primeiro, que é o ímpeto, não é pecado, porque não está nas mãos do homem impedir estes primeiros movimentos; o segundo, que é a tardança, já tem algum pecado, porque já se poderia impedir; o terceiro, que é o consentimento, é de maior ou menor culpa, conforme a maior ou menor do perfeição do tentado; o quarto, que é a luta, é causador, ou de coroas ou de penas, conforme formos ou vencedores ou vencidos; o quinto, que é o cativeiro do pensamento, é repreensível de um modo no tempo da oração e dos ofícios divinos, e de outro modo fora deles, de um modo nos pensamentos de coisas más, e de outro nos das que não o são; o sexto, que é a paixão, ou se há de purgar nesta vida com digna penitência, ou se há de castigar na outra. E, portanto, aquele que, com grande presteza e diligência, corta aquele primeiro movimento, isto é, o ímpeto, que é a raiz, de um golpe cortou cerce todos os outros" (A Escada do Céu, Cap. XV - Da castidade, III. Edição Typ. A Vapor, Espindola Siqueira & Co, S. Paulo. Traduzido do grego ao espanhol por Frei Luiz de Granada, e do espanhol ao português por João Mendes de Almeida Junior, irmão terceiro franciscano, 1902).

Santo Afonso Maria de Ligório citando a Sagrada Escritura, São Bernardo, Santo Anselmo e São Filipe Néri

§ II. Da vigilância sobre os pensamentos

1) A respeito dos maus pensamentos encontra-se, muitas vezes, um duplo engano:

a) Almas que temem a Deus e não possuem o dom do discernimento e são inclinadas aos escrúpulos, pensam que todo mau pensamento que lhes sobrevêm é já um pecado. Elas estão enganadas, porque os maus pensamentos em si não são pecados, mas só e unicamente o consentimento neles. A malícia do pecado mortal consiste toda e só na má vontade, que se entrega ao pecado com claro conhecimento de sua maldade e plena deliberação de sua parte. E, por isto, Santo Agostinho ensina que não pode haver pecado onde falta o consentimento da vontade.

Por mais que sejamos atormentados pelas tentações, pela rebelião de nossos sentidos, pelas comoções ou sensações desregradas de nossa natureza corpórea, não existe pecado algum enquanto faltar o consentimento, como ensina também São Bernardo, dizendo: "O sentimento não causa dano algum, contanto que não sobrevenha o consentimento".

Para consolar tais almas timoratas e escrupulosas, quero oferecer-lhes aqui uma regra prática, aceita por quase todos os teólogos: Quando uma alma que teme a Deus e detesta o pecado, duvida se consentiu ou não em um mau pensamento, não está obrigada a confessar-se disso, porque, em tal caso, se tivesse realmente cometido um pecado mortal, não estaria em dúvida a esse respeito, porque o pecado mortal, para uma alma que teme a Deus, é um monstro tão horrendo, que não poderá ter entrada em seu coração sem o perceber.

b) Outros, que possuem uma consciência mais relaxada e são mal instruídos, julgam, pelo contrário, que os maus pensamentos nunca são pecados, mesmo havendo consentimento neles, contanto que não se chegue a praticar. Este erro é muito mais pernicioso que o primeiro. O que se não pode fazer, não se pode também desejar; por isso, o mau pensamento em si contêm toda a malícia do ato. Assim como as más obras nos separam de Deus, também os maus pensamentos nos afastam d'Ele e nos privam de Sua graça. "Pensamentos perversos nos separam de Deus" (Sab 1:3). Como as más obras estão patentes aos olhos de Deus, também Sua vista alcança todos os nossos maus pensamentos para condená-los e puni-los, pois "um Deus de ciência é o Senhor, e diante d'Ele estão patentes todos os pensamentos" (I Rs 2:3).

2) Logo, nem todos os maus pensamentos são pecados, e nem todos os que são pecados trazem em si o mesmo cunho de malícia. Devemos considerar três coisas quando se trata de um pecado de pensamento, a saber: a sugestão, a deliberação e o consentimento. Alguns esclarecimentos a esse respeito:

a) Sob a palavra sugestão entende-se o primeiro pensamento que nos incita a praticar o mal que nos vem à mente. Esta instigação ou incitamento ainda não é pecado; se a vontade a repele imediatamente, é mesmo uma fonte de merecimentos. "Para cada tentação a que opuseres resistência, se te deverá uma coroa", diz Santo Antão. Até os Santos foram perseguidos por tais pensamentos. São Bento revolveu-se sobre os espinhos para vencer uma tentação impura, e São Pedro de Alcântara lançou-se em poço de água gelada. São Paulo nos informa que também ele foi tentado contra a pureza: "E para que a grandeza das revelações não me ensoberbesse, foi-me dado um espinho em minha carne, um anjo de satanás para me esbofetear" (2 Cor 12:7). O Apóstolo suplicou várias vezes ao Senhor que o livrasse desse inimigo: "Por essa causa roguei ao Senhor três vezes que o afastasse de mim". O Senhor não quis, porém, dispensá-lo do combate, e respondeu-lhe: "Basta-te a minha graça". E por que não queria o Senhor livrá-lo? Para que adquirisse maiores méritos por sua resistência à tentação: "Porque a virtude se aperfeiçoa na fraqueza". São Francisco de Sales diz que quando um ladrão procura arrombar uma porta, é porque não está ainda dentro da casa; assim também, quando o demônio tenta uma alma, é porque se acha ela ainda na graça de Deus.

Santa Catarina de Sena foi uma vez horrivelmente atormentada pelo demônio, durante três dias, com fortes tentações impuras. Apareceu-lhe então o Senhor para consolá-la, e ela perguntou-lhe: -Mas onde estivestes, Senhor meu, durante estes três dias? Jesus respondeu-lhe: Dentro do teu coração, dando-te força para resistires à tentação. E o Senhor deu-lhe a conhecer que o seu coração estava, depois da tentação, mais puro que antes.

b) À sugestão segue-se a deleitação. Quando não nos damos ao trabalho de repelir imediatamente a tentação, sentimos nela uma certa complacência ou prazer, que nos vai arrastando ao consentimento. Mesmo então, se a vontade não dá seu assentimento, não há pecado mortal; quando muito, poderá haver pecado venial. Se, porém, não recorrermos então a Deus e não nos esforçarmos por resistir à tentação, facilmente nos sentiremos arrastados ao consentimento e perdidos, segundo as palavras de Santo Anselmo (De similit., c. 40): "Se não procuramos impedir a deleitação, ela se transformará em consentimento e matará a alma".

Uma senhora, que tinha fama de santa, teve, um dia, um mau pensamento, que não repeliu imediatamente, e pecou por pensamento. Por vergonha deixou de confessar esse pensamento criminoso e morreu, pouco depois, em estado de pecado. Porque morreu com fama de santidade, mandou o bispo que fosse sepultada em sua própria capela. No dia seguinte, porém, apareceu-lhe ela, toda circundada de fogo, e confessou-­lhe, infelizmente já tarde demais, que estava condenada por ter consentido num mau pensamento.

c) Toda a malícia do mau pensamento está, porém, no consentimento. Havendo pleno consentimento, perde-se a graça de Deus e chama-se sobre si a condenação eterna, quer se tenha o desejo de cometer um pecado determinado, quer se pense ou reflita com prazer no pecado como se o estivesse cometendo. Esta última espécie de pecado chama-se uma deleitação deliberada ou morosa, e deve-se distinguir bem da primeira, isto é, do pecado de desejo. 

3) Se fores, pois, molestada por tais tentações, alma cristã, não deves perder a coragem, antes, animosamente combater, empregando os meios que te vou indicar, e não sucumbirás:

a) O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. Davi confessa que caiu no pecado por não ter se humilhado e ter confiado demais em si mesmo: "Antes de me haver humilhado, eu pequei" (Sl 118:67). Devemos temer sempre a nossa própria fraqueza e colocar em Deus toda a nossa confiança, esperando firmemente que nos preserve desse vício.

b) O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. Se ela for muito forte, será bom repetir muitas vezes o seguinte propósito: Ó meu Deus, prefiro morrer a Vos ofender. Peça-se socorro, dizendo: Ó meu Jesus, socorrei-me. Maria, assisti-me. Os Nomes de Jesus, Maria e José possuem uma força especial para afugentar as tentações do demônio.

c) O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. "Uma tentação revelada já está meio vencida", diz São Filipe Néri. E se alguém teve a infelicidade de consentir em uma tentação, não se demore nenhum instante em se confessar disso. São Filipe Néri livrou um rapaz desse vício, induzindo-o a confessar-se logo depois de cada queda.

A Santa Comunhão, está fora de dúvida, confere uma grande força na resistência às tentações desonestas. O Sangue de Jesus Cristo, que recebemos na Sagrada Comunhão, é chamado pelos Santos de 'Vinho gerador de Virgens' (Zac 9:17). O vinho natural é um perigo para a castidade; este Vinho Celestial é o seu conservador.

d) O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

e) O quinto meio é a fuga da ociosidade. O Espírito Santo diz (Ecli 33:21): "A ociosidade ensina muita coisa má", isto é, ensina a cometer muitos pecados. E o profeta Ezequiel (Ez 16:49), assevera que foi a ociosidade a causa das abominações e ruína final dos habitantes de Sodoma. Conforme São Bernardo, a ociosidade motivou a queda de Salomão. Por isso São Jerônimo exorta a Rústico (Ep. ad Rust., 2) que esteja sempre ocupado, para que o demônio não o preocupe com suas tentações. "Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles", diz São Boaventura.

f) O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc [1].

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[1] Escola da Perfeição Cristã, Parte II, Cap.VI

Sagrada Escritura, Papas e Santos sobre a modéstia dos olhos

Papa São Gregório Magno,
rogai por nós!
Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

Sagrada Escritura

"Não olhes para a mulher volúvel, para que não suceda caíres nos seus laços" Eclo IX, 3.

"Não detenhas os olhos sobre uma donzela, para que a sua beleza não te seja ocasião de queda" Eclo IX, 5.

"Afasta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes com curiosidade para a formosura alheia. Por causa da formosura da mulher pereceram muitos, e por ela se acende a concupiscência como o fogo" Eclo IX, 8-9.

"A impudicícia da mulher reconhece-se na altivez do olhar, e na imodéstia dos seus olhos. Redobra de vigilância sobre a filha que não refreia os olhos, para que não abuse de si própria, se encontrar a ocasião. Vigia sobre todo o desavergonhamento dos seus olhos, e não estranhes se ela te desprezar". Eclo XXVI, 12-14.

São Pio X

"Para nos conservarmos castos, devemos evitar a ociosidade, os maus companheiros, as más leituras, a intemperança, o olhar para figuras indecentes, os espetáculos licenciosos, os bailes, as conversas e diversões perigosas, bem como todas as demais ocasiões de pecado” (Catecismo de São Pio X, 430).

Santo Afonso Maria de Ligório citando a Escritura, Papa São Gregório Magno, Santo Agostinho, São Basílio, São Bernardo, São Hugo e Santa Clara

"§ III. Da modéstia dos olhos

Quase todas as paixões que se revoltam contra nosso espírito têm sua origem na liberdade desenfreada dos olhos, pois os olhares livres são os que despertam em nós, de ordinário, as inclinações desregradas. "Fiz um contrato com meus olhos de não cogitar sequer em uma virgem", diz Jó (Job 31, 1). Mas, por que diz ele de não pensar sequer em uma virgem ? Não parece que deveria dizer: Fiz um contrato com meus olhos de não olhar sequer ? Não, ele tem toda a razão de falar assim, porque o pensamento está intimamente ligado ao olhar, não se podendo separar um do outro, e, para não ter maus pensamentos, propôs-se esse santo homem nunca olhar para uma virgem.

Santo Agostinho diz: "Do olhar nasce o pensamento, e do pensamento a concupiscência". Se Eva não tivesse olhado para o fruto proibido, não teria pecado; ela, porém, achou gosto em contemplá-lo, parecendo-lhe bom e belo; apanhou-o então, e fez-se culpada da desobediência.

Aqui vemos como o demônio nos tenta primeiramente a olhar, depois a desejar e, finalmente, a consentir. Por isso nos assegura São Jerônimo que o demônio só necessita de nosso começo: dá-se por satisfeito se lhe abrimos a metade da porta, pois ele saberá conquistar a outra metade. Um olhar voluntário, lançado a uma pessoa do outro sexo, acende uma faísca infernal que precipita a alma na perdição. "As primeiras setas que ferem as almas castas, diz São Bernardo (De mod. ben. viv., serm. 23), e não raro as matam, entram pelos olhos". Por causa dos olhos caiu Davi, esse homem segundo o coração de Deus. Por causa dos olhos caiu Salomão, esse instrumento do Espírito Santo. Por causa dos olhos, quantas almas não se perderam eternamente?

Vigie, pois, cada um sobre seus olhos, se não quiser chorar uma vez com Jeremias: "Meus olhos me roubaram a vida" (Jer 3, 51); as afeições criminosas que penetraram em meu coração por causa dos meus olhares, lhe deram a morte. São Gregório diz (Mor. 1, 21, c. 2): "Se não reprimires os olhos, tornar-se-ão ganchos do inferno, que a força nos arrastarão e nos obrigarão, por assim dizer, a pecar contra a nossa vontade". "Quem contempla objeto perigoso, acrescenta o Santo, começa a querer o que antes não queria". É também o que diz a Sagrada Escritura (Jdt 16, 11), quando diz que a bela Judite escravizou a alma de Holofernes, apenas este a contemplou.
  
Sêneca diz que a cegueira é mui útil para a conservação da inocência. Seguindo esta máxima, um filósofo pagão arrancou-se os olhos para guardar a castidade, como nos refere Tertuliano. Isso, porém, não é lícito a nós, cristãos; se queremos conservar a castidade, devemos, contudo, fazer-nos cegos por virtude, abstendo-nos de olhar o que possa despertar em nós os maus pensamentos. "Não contemples a beleza alheia; disso origina-se a concupiscência, que queima como o fogo" (Ecli 9, 8). À vista seguem-se as imaginações pecaminosas, que acendem o fogo impuro.

São Francisco de Sales dizia: "Quem não quiser que o inimigo penetre na fortaleza, deve conservar as portas fechadas". Por essa razão foram os Santos tão cautelosos em seus olhares. Por temor de enxergarem inesperadamente qualquer objeto perigoso, conservavam os olhos quase sempre baixos, e se abstinham de olhar coisas inteiramente inocentes. São Bernardo, depois de um ano inteiro no noviciado, não sabia ainda se o teto de sua cela era plano ou abobadado. Na igreja do convento havia três janelas e ele não o sabia, porque conservara os olhos baixos. Evitavam os Santos, com cautela maior ainda, pôr os olhos em pessoa de outro sexo. São Hugo, bispo, nunca olhava para o rosto das mulheres com quem tinha de conversar. Santa Clara nunca olhava para a face de um homem. Aconteceu uma vez que, levantando os olhos para a Hóstia Sagrada, durante a Elevação, viu o rosto do sacerdote, com o que ficou profundamente aflita.

Julgue-se agora quão grande é a imprudência e temeridade dos que, não possuindo a virtude dum desses Santos, ousam passear suas vistas em todas as pessoas, não exceptuando as de outro sexo, e querendo ainda ficar livre de tentações e do perigo de pecar. São Gregório diz (Dial. 1.2, c. 2) que as tentações que levaram São Bento a revolver-se sobre espinhos, provieram de um olhar imprudente sobre uma senhora. São Jerônimo, achando-se na gruta de Belém, onde continuamente orava e macerava seu corpo com as mais atrozes penitências, foi por longo tempo atormentado pela lembrança das damas que vira tempos antes em Roma. Como, pois, poderemos ficar preservados
de tentações, quando nos expomos ao perigo, olhando e até fitando complacentemente pessoas de outro sexo ?

O que nos prejudica não é tanto o olhar casual como o premeditado, o mirar. Razão porque Santo Agostinho diz (Reg. ad Serv. Dei, n. 6): "Se vossos olhos casualmente caírem sobre uma pessoa, cuja vista vos pode ser prejudicial, guardai-vos, ao menos, de fitá-la". E São Gregório diz: "Não é lícito contemplar ou extasiar-se com a vista daquilo que não é lícito desejar, pois, ainda que expulsemos os maus pensamentos que costumam seguir o olhar voluntário, deixam sempre uma mancha na alma". Tendo-se perguntado ao irmão Rogério, franciscano, dotado de uma pureza angélica, por que se mostrava tão reservado em seus olhares, quando tratava com mulheres, respondeu: "Se o homem foge à ocasião, Deus o protege; se se expõe a ela, Nosso Senhor o abandona e facilmente cairá no pecado" (...).

Com isso não quero, porém, dizer que nunca se deva levantar os olhos ou considerar coisa alguma; pelo contrário, é até bom, às vezes, olhar coisas que elevam nosso coração para Deus, como santas imagens, prados floridos, etc, já que a beleza dessa criatura nos atrai à contemplação do Criador.

Deve-se notar também que a modéstia dos olhos é necessária não só para nosso próprio bem, como para a edificação do próximo. Só Deus vê o nosso coração; os homens vêem apenas nossas obras externas e, ou se edificam, ou se escandalizam com elas. "Pelo rosto se conhece o homem", diz a Escritura (Ecli 19, 26), isto é, pelo exterior se depreende o que é o homem interiormente (...). Também a nós se podem aplicar as palavras que São Paulo dirigiu a seus discípulos (I Cor 4, 9): "Somos o espetáculo dos anjos e dos homens". "A vossa modéstia seja conhecida de todos os homens" (Filip 4, 5).

Pessoas devotas são observadas pelos anjos e pelos homens, e, por isso, sua modéstia deve ser notória a todos, do contrário, deverão dar rigorosas contas a Deus no dia do Juízo. Observando a modéstia, edificamos sumamente os outros e os estimulamos à prática da virtude.

É celebre o que se conta de São Francisco de Assis: Uma vez deixou ele o convento junto a uma companheiro, dizendo que ia pregar; tendo dado uma volta pela cidade com os olhos baixos, entrou novamente no convento. 'Mas quando farás o sermão?', perguntou-lhe o companheiro. 'Já o fiz, respondeu-lhe o Santo, consistiu todo no resguardo dos olhos, do que demos exemplo ao povo' (...).

Nosso ideal mais perfeito de modéstia foi, porém, o nosso Divino Salvador mesmo, pois, como nota um célebre autor, os Evangelistas dizem, várias vezes, que o Redentor levantou os olhos em certas ocasiões, dando a entender, com isso, que tinha ordinariamente os olhos baixos. Por isso exalta o Apóstolo a modéstia de seu Divino Mestre, escrevendo a seus discípulos: "Rogo-vos pela mansidão e modéstia de Cristo" (II Cor 10, 1).

Concluo com as palavras de São Basílio a seus monges: "Se quisermos que nossa alma tenha suas vistas sempre postas no Céu, filhos queridos, conservemos nossos olhos sempre voltados para a terra". De manhã, ao despertar, devemos já pedir, com o Profeta: "Afastai meus olhos, Senhor, para que não vejam a vaidade" (Sl 118, 37)" [1].

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[1] Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Parte II, Cap.VI

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Tudo quanto é belo conduz a Deus então a Revolução quer diminuir o belo, quer eliminá-lo do mundo, por isso a decadência na beleza das vestes 

"Acontece que como tudo quanto é belo conduz a Deus – desde que não seja o belo imoral, que é um abuso do belo a serviço da imoralidade, mas disso nem falemos; é claro que afasta de Deus, não por ser belo, mas por ser imoral – tudo quanto é belo conduz a Deus, é natural que a Revolução queira diminuir o belo, queira eliminar o belo do mundo. E que ela proceda aos poucos, por meio de um processo como eu descrevi na RCR [1]. Quer dizer, Protestantismo, Humanismo, Renascença – primeira Revolução. Segunda Revolução: a Revolução Francesa. Terceira Revolução: a Revolução comunista; e a quarta Revolução, a Revolução hippie, é a Revolução estruturalista. Em cada uma dessas Revoluções, a beleza da arte vai diminuindo, vai se perdendo, até chegar a um completo arrasamento.

Considerem a Igreja Católica. Ela é toda ornada – a tradicional, eu não digo essas igrejas monstruosas construídas sobre o influxo do Concílio – mas as igrejas tradicionais são todas ornadas, todas pintadas, têm mármores. Se são de populações ricas, têm até pedras preciosas, têm esculturas, têm pinturas, têm bonitos móveis, tudo lindo! Não há o que baste para a glória de Deus.

As igrejas protestantes são frias, secas, tristonhas, melancólicas e sem beleza. É que da primeira para a segunda Revolução, sob o pretexto – na primeira Revolução quero dizer – de combater o luxo, de combater o esbanjamento do dinheiro, de combater a complicação da vida a favor de uma vida barata e simples, igualitária, os protestantes suprimiram o luxo da igreja. E o resultado: eles tiraram do culto, tiraram do rito, tiraram da religiosidade a beleza que tinha nos antigos tempos (...).


"Em 1918 houve uma mudança enorme nas modas. E tudo amoleceu. Primeiro, a cartola praticamente desapareceu. Só ficou sendo usada para as grandes cerimônias. Antigamente era uma cobertura de cabeça diária. Só foi usada para as grandes cerimônias. E foi substituída pelo chapéu mole de feltro. O chapéu de feltro é inferior à cartola. Ele é baixo. Ele tira algo da imponência do homem. Ele não é de seda, ele é de um feltro qualquer. E sobretudo o que tem é que, todo mole como ele é, a beleza dele está em ser amassado.

"Há uma coisa curiosa na história da arte: antes de um traje desaparecer ele amolece, depois ele desaparece. Dir-se-ia que é um processo mortal ao qual ele é sujeito (...). As camisas deixaram de ser engomadas e passaram a ser essas camisas comuns. Depois, o colarinho deixou de ser alto, o que obriga a cabeça a uma posição de sobranceria. O paletó deixou de ter aquela distinção preta de outrora, para ter uma cor assim qualquer, sem distinção nenhuma, como cor de papel de embrulho (...)

Peguem pinturas de antes de 1789, antes da revolução francesa, representando empregadas domésticas, estão tão bem vestidas, e com tanta distinção que a gente tem vontade de perguntar: quem é essa marquesa? Era a empregada ... Hoje as marquesas se vestem como as empregadas não se vestiam no tempo da Revolução Francesa"
[2]. 

Esta decadência nos trajes foi gradualDr.Plinio em 1962 já a descrevia

"A partir do século XIX o traje masculino se foi modificando de maneira a acentuar sempre mais a igualdade entre os homens. Enquanto outrora se admitia como postulado de bom senso que o vestuário é um complemento da fisionomia e da atitude do homem, uma expressão adequada de sua personalidade, e portanto de sua categoria e de sua função, um meio que o ajuda a exercer na sociedade uma influência condizente com essas circunstâncias, a partir do século XIX — exceção feita dos clérigos e dos militares — o traje se tornou burguês. E ninguém teve mais o direito de se vestir senão à burguesa. Foi esta uma das muitas tiranias impostas pelo igualitarismo vitorioso, O vestuário burguês ainda existe hoje, embora cada vez mais despojado de seus valores ornamentais. E é este contraste entre a condição burguesa e a de Rei, que se manifesta de modo tão chocante na foto que hoje reproduzimos.
 
Traje do Rei do século XVI e do burguês de 1962
A Revolução, como todas as formas de deterioração e decadência, está sujeita a uma lei de algum modo parecida à aceleração inerente à queda dos corpos. Nos últimos 20 anos, ela progrediu mais do que nos 50 ou 75 anos anteriores. Enquanto, no afã de nivelar, se manifesta sempre mais em certas pessoas uma tendência para suprimir o fardão dos diplomatas, o uniforme militar, a beca do professor, a toga do magistrado, e até a batina, o traje civil se vai "play-boyzando" e se degradando a um nível e a um estilo que não têm mais qualificativo em linguagem civilizada. Qual será, dentro de 20 anos, o contraste entre um "play-boy" de hoje e um burguês de então? Sob alguns pontos de vista, maior que o contraste entre um burguês atual e um monarca de há 400 anos atrás!

Quer isto dizer que achamos que os homens se deveriam vestir hoje copiando os trajes do século XVI? A esta pergunta infantil respondemos: não. Mas queremos que saibam respeitar na escolha de seus trajes o princípio de que estes devem refletir a justa diversidade das condições e categorias existentes em toda sociedade bem ordenada, em lugar de tender a um igualitarismo e a uma monotonia antinaturais"
[3].

Razão pela qual, neste contexto, Dr.Plinio e a TFP usam os melhores trajes da época, com paletó e gravata

"Usamos esse traje porque é o modo de, pelo exemplo, darmos a entender que nós não aceitamos os trajes novos com o que eles têm de horroroso; que nós reagimos, protestamos contra eles, usando esse traje antigo. Depois, é claro, esse traje tem mais beleza do que o novo, e é, portanto, um modo de tornar mais evidente a glória de Deus.
Me dirão: "Mas Dr. Plinio, se fosse assim o senhor em moço deveria ter usado a casaca de D. Pedro II. Ora o senhor não usou. O senhor usou os trajes que se usava no seu tempo de moço. Por que é que nós havemos de usar esse traje e não havemos de usar um traje novo?"

O paletó e o traje como se usa atualmente não está completamente fora de uso. Ele é ainda usado por muita gente, sobretudo para o trabalho. Enquanto ele estiver em uso convém usar esse traje. Mas quando ele estiver completamente fora de uso não se deve usar, pela mesma razão pela qual eu não me vestia como no tempo de D. Pedro II. Quer dizer, há uma certa distância entre nosso ambiente e nós, uma certa decalagem entre nosso ambiente e nós.

Devemos levar a nossa reação até um ponto em que não seja uma ruptura insuportável e completa. Se der numa ruptura insuportável e completa, desde que não seja pecado, nós transigimos um tanto. Transigimos o menos possível, mas transigimos. Haverá, portanto, um dia em que a TFP terá que cessar o uso do paletó e da gravata para não ficar os únicos homens existentes na terra, porque então a distância entre ela e o ambiente terá crescido tanto que ela quase não se torna capaz de atuar dentro do ambiente.

Como as modas do meu tempo não eram modas imorais, e que eu usava, e nem eram modas extravagantes e malucas como as de hoje, uma reação não era necessariamente tão vigorosa quanto a que as circunstância atual. Assim mesmo eu me vestia sempre, eu era sempre o moço mais conservador da roda em que eu estava.

Por minha sugestão a TFP têm acompanhado isto até aqui e faz uma reação no ambiente em que se encontra. Esta reação é boa para a Causa da Contra-Revolução, essa reação é boa também para a alma da pessoa. Porque evitando usar os trajes modernos, evita-se a extravagância moderna, o delírio moderno. E evitar o delírio moderno faz bem para a própria alma" [4].


Fotos dessa decadência (basta comparar com as roupas modernas)

Idade Média (nobreza)


 

Idade Média (burguesia)


Idade Média (camponeses, servos)





Renascimento, fim do século XVI (nobres com o Rei sentado, tirado de um filme)


Agora o Rei com um homem de baixa classe 



Belle Epoque, fim do século XX (burguesia)


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Fontes:

[1] Revolução e Contra-Revolução, Plinio Corrêa de Oliveira, 1959
[2] Reunião do Santo do Dia, 9 de Agosto de 1975, Sábado, A-IPCO 
[3] Plinio Corrêa de Oliveira "Revista Catolicismo" Nº 133 - Janeiro de 1962 
[4] Reunião do Santo do Dia, 9 de Agosto de 1975, Sábado, A-IPCO 

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A Escritura, Papas, Santos e Teólogos contra a calça moderna feminina, seja colada ou larga 

A escritura e os Papas falaram de medida de modéstia e pudor nas vestes? 

Santos e prelados deram medida de modéstia e pudor para as vestes?
 
Por que devemos nos vestir bem, por Plinio Corrêa de Oliveira

Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".

O jeans é igualitário, oriundo dos trabalhadores das minas, e por isso cria uma atmosfera propícia ao igualitarismo que sonham os arautos da ditadura do proletariado.


Conta o articulista da Revista Catolicismo Nelson Fragelli, que "o blue jeans surgiu no mundo operário. Jakob W. Davis, trabalhador nas minas de Comstock, em Nevada (Estados Unidos), é reconhecido como o criador das “calças azuis rebitadas”, no fim dos anos 60 do século XIX. Ele criou uma roupa resistente usando o mesmo tecido das tendas de acampamento, com um tipo de costura aparente utilizada então para selas e arreios (...)".

"Anna Schober é doutora em Filosofia, escreve sobre História da Arte e vive em Viena. Publicou recentemente os resultados de sua investigação sobre as calças azuis, num volume intitulado Vom Leben in Stoffen und Bildern [Vida, tecidos e modelos]. Surpreendeu-a a constatação de que a história dessa calça é a de um imenso esforço publicitário para impor uma moda: o blue jeans. O processo da difusão das calças azuis se confunde com a história das técnicas de propaganda religiosa e ideológica, através de programas radiofônicos, filmes, revistas, painéis publicitários. Num desses painéis, de 1946, aparece Marilyn Monroe vestindo blue jeans, já com o ventre à mostra — moda que só se fixaria 50 anos mais tarde.

O esforço da propaganda obteve resultado. A calça com rebites deixou o mundo do trabalho e tornou-se símbolo de grupos sociais. Nenhuma outra peça indumentária foi, no século XX , tão propalada; a tal ponto que, em certo momento, ela se tornou um dos símbolos do século (...)".

"Segundo Anna Schober, o símbolo atua particularmente na vida quotidiana, impregnando os espíritos com o princípio simbolizado. E a idéia que a calça suscita é a proletária, e de um mundo em contradição consigo mesmo. Ela habitua assim as mentalidades ao igualitarismo de sabor marxista e ao absurdo próprio do comunismo" [1].

Assim, o jeans cria um sentimento de proletarização na sociedade, sonho do comunismo. Não por acaso Eric Hobsbawn, notório historiador marxista, segundo o historiador Elias Thomé Saliba, disse que a mais importante mudança do século não era nem a revolução comunista de 1917, nem a revolução de Sorbonne: "Ao discorrer sobre os movimentos estudantis dos anos 1960, ele chegava a argumentar que 'a marca distintiva realmente importante na história da segunda metade do século XX não é a ideologia nem as ocupações estudantis, e sim o avanço do jeans' " [2].

- Não é prático em todas as circunstâncias, pois feito ao proletário mineiro esquenta demais porque precisa ser duro, resistente, e quando apertado começa a marcar a pele.

Muitos usam jeans em lugares quentes, o que esquenta ainda mais a perna, ou seja, a pessoa sofre porque é escrava da moda, e quando usa o jeans apertado, sofre mais e tem sua pele marcada e sufocada pela calça.

- É feio porque tem coloração desbotada, e parece velho, ou seja, faz o homem parecer um índio ou mendigo, rebaixando a dignidade humana. Sem mencionar os casos em que o jeans já é vendido rasgado, desbotado e com aspecto velho por "moda".

- Alguns jeans são apertados exibindo o contorno das partes impudicas do corpo, constituindo ocasião de pecado ao próximo e imodéstia conforme já mostramos.

- No caso da calça o jeans anula a distinção entre homem e mulher contribuindo ao igualitarismo tão sonhado pela Revolução, e contraria a modéstia em outros artigos definida: "Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus", Dt XXII

Existe algum caso em que o uso de jeans não seja ruim?

Sim. O próprio caso dos trabalhadores de minas constitui um deles, segundo o articulista. Outros precisam ser avaliados nos moldes que expusemos em vários artigos.

Objeção 1: A batina e as roupas eclesiásticas tradicionais são uniformizadas, o que mostra que a Igreja não é contra uma uniformização igualitária.

Resposta 1: Nem todas as batinas são exatamente iguais. A Igreja muda a batina se o padre é redentorista, passionista, jesuíta, se o padre é oriental ou ocidental, etc. Muda-se também as roupas litúrgicas nos detalhes. E a diferença hierárquica é evidente: o Monsenhor usa uma indumentária mais bonita que a dos padres, e menos que a dos Bispos, e a veste do Papa é única, etc.
 
Deve-se dizer que não defendemos nem uma igualdade absoluta, nem uma desigualdade absoluta nas questão das vestes. O próprio corpo do homem limita a desigualdade absoluta, e a forma e cor dele limita a igualdade absoluta (que é a tentativa nudismo de implantar, entre outras coisas, uma igualdade com os animais, coisa impossível com uma peça mínima de roupa).

Fosse verdadeira a objeção, seria preciso abolir uniformes escolares, de trabalho, de guardas de rua, policias, times de esporte, etc. A batina distingue o padre no seu ofício, e por isso muitas vezes ajuda a muitos que não o abordariam se não o reconhecessem como sacerdote. Tem também um simbolismo específico de sua missão. Igualitarismo seria se o padre se vestisse como civil. O religioso precisa se diferir do civil, assim como o civil do militar, e os civis entre si precisariam se diferenciar também pelas vestes, como era antigamente. Infelizmente em um estado de decadência cultural não é possível fazer tal diversificação, mas é possível a cada um manter a tradição que ainda não foi abolida.

Objeção 2: O terno, com a sua calça seja de linho ou poliéster também tende a uniformizar o homem, variando só a cor, igual ao caso do jeans.

Resposta 2: Sim, é verdade. De fato, o terno, como é conhecido atualmente, vem de uma veste tipicamente burguesa que começou a popularizar-se nos séculos XIX, começo do XX. Ele em si mesmo já é uma decadência em matéria de beleza em relação aos séculos anteriores, e à Idade Média. Mas não possui todos os defeitos da moda jeans. E se duas roupas são igualitárias, e uma mais bela, sabe-se a qual o amante da elegância deve dar preferência. Enquanto, é claro, for considerado anacrônico andar com roupas do nível das medievais.

Veja também: A decadência da indumentária ou aonde aquele que preza a elegância deve mirar, por Plinio Corrêa de Oliveira

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[1] Nelson Ribeiro Fragelli, "Breve história do blue jeans", Revista Catolismo, Fevereiro de 2010.
[2] "A vida e a obra de Eric J. Hobsbawm, pelo historiador Elias Thomé Saliba", Estado de S. Paulo, 1 de Outubro de 2012.