São Francisco de Assis, rogai por nós!
São Francisco de Assis, O.F.M. (1181-1226).
Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (volume I, parte 1, 3a edição, Cap. V)".
Anterior deste capítulo: S.
Hildegarda von Bingen profetiza II: a restauração e a conversão dos pagãos, depois de guerras e sinais
No tempo da primeira edição do volume I desta parte, travamos contato com inúmeras compilações de profecias que abundavam no século XIX, as quais nos serviram mais ou menos de inspiração. Em vários destes compilados, figurava esta profecia de São Francisco de Assis.
Porém, decidimos não publicar, haja vista que ela parecia falar de um falso Papa, o que levaria confusão no tempo da publicação, isto é, o Reinado de Francisco, então acusado de não ser Papa legítimo. Como dizia o editor daquele antigo livro, a profecia parecia tratar mais do século XIV e outros cismas posteriores.
De lá para cá, muitos aderiram ao sedevacantismo, alegando que o Papa Francisco nunca foi Papa. Ou seja, o que São Francisco de Assis abaixo menciona (caridade esfriada ou cisma, que é o pecado contra a caridade) parece estar em plena realização. Alguns, para tanto, alegam que o Papa teria sido não-canonicamente eleito.
Para estes, o então Cardeal Bergoglio teria sido não canonicamente eleito, pois é notório que houve uma quinta votação [1], o que, segundo as regras que João Paulo II impôs para o Conclave, anula esta votação. Apesar de haver muita discussão em torno deste tema e entrar nisso fugiria do nosso escopo, o fato é que confirmado isto, não o torna um Antipapa, como já vista no volume II da série.
Na época, entretanto, uma vez que a profecia figurava no vozerio das alegações de invalidade ao primeiro Pontificado de um argentino, dispensamos o devido cuidado e método de interpretação (segundo descrevemos no capítulo I) para a profecia do Pai Seráfico, mas graças a Deus retomamos. Veja-se mais acerca da autenticidade do escrito*.
Os negritos são comentários nossos.
"Pouco antes da morte do Pai santo (São Francisco), ele convocou os seus Filhos e alertou-os sobre os problemas que haviam de vir, dizendo:
Ajam com bravura, meus irmãos; ganhem coragem e confiem no Senhor.
Em breve se aproxima o tempo no qual haverão grandes provas e aflições; perplexidades e discórdias, tanto espirituais como temporais, virão em abundância; a caridade de muitos esfriará, enquanto a malícia dos ímpios aumentará".
Caridade esfriará, isto é, o pecado contra a caridade, que é o cisma, será abundante. Nunca houve tantos cismas na ordem temporal; divórcios, dissolução de empresas, brigas de famílias, etc. Por outro lado, a malícia dos ímpios aumenta, pois o mandamento neopagão é "amar o próprio sentimento sobre todas as coisas" e praticamente o mundo inteiro é neopagão. Assim, alastrada a mentalidade baseada na metafísica da Revolução de amar, acima de tudo, o próprio sensualismo (sentimento em todas as esferas; sensível, sexual, emocional etc), a impiedade vai crescendo cada vez mais.
Por outro lado, nunca houve tantos cismas na ordem espiritual; cismas em grupos de sacerdotes, em grupos de leigos, uns com os outros, seja por causa de doutrina, seja por causa de relacionamento.
A "caridade esfriará" evoca a profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o fim dos tempos, a qual é cheia de simbolismos e fala não só sobre uma época, mas de mais de uma (para mencionar duas no mínimo: a destruição do templo e o fim do mundo). Por que evocar esta profecia evangélica? Sabemos que a profecia em seu grau mais perfeito versa sobre mais de uma coisa ao mesmo tempo, dado que profetizar sobre dois tempos é melhor que profetizar sobre somente um. Assim, evocando aquela profecia, revela-se o caráter desta.
“Os diabos terão um poder fora do usual; a imaculada pureza de nossa Ordem, e de outras, será tão obscurecida, que haverá bem poucos Cristãos que obedecerão ao verdadeiro Soberano Pontífice e à Igreja Romana com corações leais e caridade perfeita.
Nos tempos dessa tribulação, um homem não canonicamente eleito será elevado ao Pontificado, que, com sua astúcia, empenhar-se-á em levar muitos ao erro e à morte."
Os diabos terão um poder fora do comum, pois o mundo, de maioria neopagã escrava do pecado, será facilmente manipulado pelo maligno. As ordens terão a sua pureza obscurecida, pois ficarão parecidas ao mundo. Isso influenciará a Cristandade, que sem as graças que estas ordens pedem pela Cristandade, será reduzida aos poucos que seguem o verdadeiro Pontífice e a Igreja Romana.
Cabe aqui uma explicação sobre os "que obedecerão ao verdadeiro Soberano Pontífice e à Igreja Romana", pois na frase seguinte, a profecia fala de um homem não canonicamente eleito, o que pode dar a impressão de que a profecia trata de um Antipapa, algo contra o que afirmamos acima. Assim a interpretamos: os verdadeiros fiéis, que obedecem com lealdade e caridade perfeita ao verdadeiro Soberano Pontífice são os mesmos que obedecem a Igreja Romana, isto é, os que obedecem a doutrina e tradição que emerge de Roma, não caindo em cisma (pecado contra a caridade), pois a caridade perfeita destes discerne bem o que é verdadeiramente do Soberano Pontífice e da Igreja Romana, e se ama o Papado com caridade perfeita, isto é, com a "perfeita alegria" de S. Francisco.
Na última frase vemos que o homem não canonicamente eleito é, não obstante, Papa, pois será elevado ao Pontificado.
Alguém perguntará: dar a entender que o Papa Francisco é o homem não canonicamente eleito não é acusação típica de quem tem falta de caridade, uma vez que a profecia diz que este, "com sua astúcia, empenhar-se-á em levar muitos ao erro e à morte"?
Foge do escopo deste trabalho verificar afirmações sobre sua eleição, e este trabalho é desprovido de autoridade para julgar um Reinado Papal. Assim, se se aplica ou não a profecia ao Papado de Francisco não emitimos opinião, pois não queremos verificar questões relacionadas a isto, uma vez que, como já dito no volume II, Francisco não deixa de ser Papa por isso.
É preciso lembrar, ainda, o acima citado caráter da boa profecia: profetizar dois tempos em uma profecia, o que pode ter ocorrido neste caso, pois o futuro não conhecemos, embora pareça providencial que o próprio São Francisco de Assis tenha previsto
justo o tempo do Pontificado de quem tomou o seu nome para indicar uma
política Papal: Francisco.
“Então escândalos se multiplicarão, a nossa Ordem será dividida, e muitas outras serão totalmente destruídas, porque consentirão o erro em vez de o combater.
Haverá uma tal diversidade de opiniões e cismas entre as pessoas, os religiosos e o clero, que, se aqueles dias não fossem abreviados, segundo as palavras do Evangelho, até os eleitos seriam levados ao erro, se não fossem guiados, no meio de tão grande confusão, pela imensa misericórdia de Deus".
Os escândalos, principalmente na ordem moral, nunca foram tão grandes como nestes tempos, como noticiado por muitos veículos de comunicação há anos. Por causa da confusão doutrinária, muitas ordens estão destruídas, seja por falta de vocações, seja porque o carisma típico destas não brilha mais. Não combatendo o erro, as ordens tendem a desaparecer, conforme o equilíbrio geral que Deus impôs no mundo.
Haverá diversidade de opiniões e cismas, isto é, a confusão doutrinária e os cismas, que muitas vezes é oriundo de uma má formação doutrinária e moral. Novamente, a profecia evoca aquela profecia Evangélica sobre o fim do mundo, revelando uma ligação desta com daquela.
“Então a nossa Regra e nosso modo de vida serão violentamente combatidos por alguns, e provas terríveis cairão sobre nós.
Os que permanecerem fiéis receberão a coroa da vida; mas ai dos que, confiando somente em sua Ordem, caírem em mornidão, pois não serão capazes de suportar as tentações permitidas como teste para os eleitos.
Os que perseverarem em seu fervor e mantiverem sua virtude com amor e zelo pela verdade sofrerão injúrias e perseguições como sendo rebeldes e cismáticos".
Típico de uma profecia verdadeira é o caráter de exortação, o aspecto que incentiva a agir virtuosamente, de modo a remediar os males futuros. Aqui, especificamente, é direcionada aos seus próprios filhos franciscanos no futuro, mas não deixa de ser um aviso a todo aquele que vive em uma comunidade.
Como o "diabo terá um poder fora do comum", é preciso que os "eleitos" não se deixem contaminar pelo espírito da mornidão que tomará conta das comunidades, seja tomando este espírito para si e não fazendo mais brilhar o carisma próprio da sua comunidade, seja confiando unicamente na sua Ordem, pois ali o desanimarão ou o desencorajarão, por estarem com o espírito já citado.
Daí conclui o Santo de Assis: aqueles que, perseverando no seu fervor (vida interior), mantiverem sua virtude (carisma próprio de sua ordem) por amor e zelo pela verdade que a Igreja sempre ensinou, serão tidos como rebeldes e cismáticos, sofrerão injúrias e perseguições.
“Pois os seus perseguidores, instigados por espíritos malignos, dirão que prestam um grande serviço a Deus, eliminando aqueles homens pestilentos da face da Terra.
Mas o Senhor será o refúgio dos aflitos, e salvará todos que nEle confiarem.
E a fim de serem como o seu Mestre, estes, os eleitos, agirão com confiança e com sua morte obterão para si próprios a vida eterna.
Escolhendo obedecer a Deus e não aos homens, eles não temerão nada e preferirão perecer, do que aprovar a falsidade e a perfídia."
Volta-se a denunciar a fácil instigação dos espíritos malignos nos homens, de maneira que estes, escravizados pelo pecado e imersos no neopaganismo, combatem aqueles que contrariam os pecados que estão sujeitos e acreditam, com seu neopaganismo relativista, que isto é da vontade de Deus, por estarem sendo ofensivos, promovendo discurso de ódio e tantas outras palavras-talismãs que poderão ser usadas futuramente para justificar uma perseguição encarniçada.
É preciso manter a confiança, o santo diz, e estar preparado para o martírio. "É melhor morrer do que viver em uma terra devastada e sem honra" diz o livro dos Macabeus.
“Alguns pregadores manterão silêncio sobre a verdade, e outros a calcarão aos pés e a negarão.
A santidade de vida será desprezada até pelos que exteriormente a professam, pois naqueles dias Nosso Senhor Jesus Cristo lhes mandará não um verdadeiro pastor, mas um destruidor.” [2].
Aqui vemos a crise no clero mais claramente, mantendo o "unum" com inúmeras outras profecias sobre um clero que desfaz a tradição católica.
Por fim, a profecia parece dizer que tudo terá causa neste destruidor (o Papa mau do começo), mas pelo conjunto das profecias que temos analisado neste trabalho, cremos que a profecia, ao não citar nomes, se atém ao tempo profetizado em geral.
Próximo deste capítulo: S. Ângelo da Sicília profetiza a vinda da restauração com um grande monarca de sangue francês e um Pontífice
Clique aqui para ler mais profecias privadas
Beato Palau profetiza "a mais encarniçada guerra", e a apostasia na ordem civil e espiritual
Nossa Senhora de La Salette dita as condições para o Castigo Mundial: luxúria do mundo e corrupção dos sacerdotes
S. Maria de Jesus Crucificado profetiza uma apostasia nunca antes vista
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* Sobre a autenticidade deste escrito de S. Francisco de Assis, um blog em inglês fez um trabalho muito diligente: “According to information in an article by Solanus Benfatti entitled “On the paternity of a medieval report of Francis of Assisi foretelling a non-canonically elected pope”, the earliest source of the St. Francis prophecy is attributed to the sayings of Blessed Br. Conrad of Offida, who joined the Franciscans in 1251 at fourteen years old and died in 1306. Apparently, he in turn learned these prophecies from St. Francis' companions, in particular, Br. Leo who died in 1271. So, apparently, these prophecies first circulated by word of mouth from Br. Leo and the other friars close to St. Francis and heard by Bl. Conrad who in turn repeated them. These prophecies circulated orally until eventually the 'Words of Brother Conrad' (Verba fratris Conradi) were written down circa 1318 to 1328, about one hundred years after the death of St. Francis.
The 'Verba fratris Conradi' was circulated for the next two centuries under various copies, translations, and borrowings, etc. which unfortunately suffered from several editorial 'adjustments' on the part of the translators, scribes, etc. Hence, as Benfatti observes, one of the forms of the prophecy to be popularised was by the Irish friar Luke Wadding (1588-1657) in his collection of the works of St. Francis published in 1623. Regarding the prophecy of the schism and 'heretic pope' Wadding used two different non-primary sources by authors that were rather cavalier in their approach to the texts, Mark of Lisbon and Bartholomew of Pisa, who were influenced by the Great Western Schism. Wadding himself also was cavalier in his treatment of the text. However, it is his version in which the more modern translations of the prophecy have been circulated.
So, it has been questioned if we may believe this prophecy due to how the original texts circulated and were edited in later centuries.
However, considering that the sayings were allegedly heard by Bl. Conrad from those who knew St. Francis, and was written down only 12 to 22 years after his death, and only c. 100 years after the death of St. Francis himself, there may be some credibility to them as this still is a relatively 'short time' of transcription history”. Visto em 1/02/2021: https://greatmonarch-angelicpontiffprophecies.blogspot.com/p/st-francis-of-assisi.html
[1] Notícias que falam claramente de uma quinta votação: http://www.ihu.unisinos.br/171-noticias/noticias-2013/518463-o-acordo-que-somou-mais-de-90-votos-no-conclave , https://www.ncronline.org/news/world/path-papacy-not-him-not-him-therefore-him , e o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=v_T998cEkoM
[2] “Works of the Seraphic Father St. Francis Of Assisi”, Washbourne, Londres, 1882, pp. 248-250, com Imprimatur do bispo de Birmingham, D. William Bernard. Baseado no "Works of St. Francis", publicado em Colônia, Alemanha, em 1848.
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Tradição Católica contra repouso no espírito, falso dom místico carismático
Versão protestante do repouso no espírito com música de jogo de luta
para mostrar o ridículo da prática
S. João da Cruz, rogai por nós!
Anterior desta série: Tradição Católica contra a espiritualidade do estender os braços, fazer caras e bocas. Refutando a Espiritualidade Tribalista e suas objeções
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| Seção dos Convulsionários de Saint Medárd, seita jansenista do século XVIII condenada pela Igreja. Alguma semelhança com o "repouso no espírito"? |
Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados (Volume II, 2a edição)".
Tendo em vista a crítica à Espiritualidade tribalista exteriorizante antes tratada, prosseguimos a abordar o suposto dom do "repouso no espírito" que, apesar de ser também exteriorizante, difere-se por se considerar que origina do Espírito Santo, e não da pessoa (onvulsionários de Saint Medárd, seita jansenista do século XVIII condenada pela Igreja, não é mera coincidência)*.
Um padre adepto da prática explica em que consiste:
"O repouso no Espírito traduz-se, habitualmente, por uma incapacidade corporal. A pessoa começa por vacilar, para finalmente cair suavemente para trás; a energia física desvanece-se. A pessoa está como que ofuscada pela intensidade da presença interior do Espírito Santo. Há, então, incapacidade de adaptar o psiquismo e os sentidos a uma experiência espiritual tão intensa" [1].
Sequer desejamos compartilhar vídeos de católicos "repousando no Espírito Santo", dado que muito disso é do maligno, como veremos na compilação.
Abaixo, as curtas afirmações enumeradas, que figuram por falta de teólogo católico abalizado sobre o tema, são justificadas pelos textos que as seguem, escritos pela pena de místicos e teólogos consagrados da Igreja Católica Apostólica Romana.
1 - A prática incentiva o desejo de ter dons místicos, o que é oposto à humildade e ao correto desenvolvimento espiritual
Santo Afonso Maria de Ligório
"Algumas pessoas piedosas, lendo os êxtases e arroubos de Santa Teresa, São Felipe Néri e outros santos, desejariam ter essas experiências espirituais. Esses desejos devem ser rejeitados porque são contrários à humildade. Se queremos ser santos, procuremos a verdadeira união com Deus que é unir totalmente nossa vontade à vontade dele. [...] Certas pessoas, ávidas de satisfações espirituais, nada mais fazem na sua oração do que procurar sentimentos agradáveis e ternos, para se deliciarem neles. As almas fortes e desejosas de pertencer só a Deus não lhe pedem senão luz para discernir sua vontade e força para a cumprir perfeitamente" [2].
Santa Teresa de Jesus
“É evidente que a absoluta perfeição não consiste nas alegrias interiores, nem nos grandes êxtases, visões, nem no espírito da profecia. Consiste em tornar nossa vontade de tal modo conforme a de Deus, que abracemos de todo o coração o que cremos querido por ele e que aceitemos com a mesma alegria o que é amargo e o que é doce, desde que compreendamos que Sua Majestade o quer” [3].
S. João da Cruz
“A virtude não consiste nas apreensões e sentimentos de Deus, por sublimes que sejam, nem em nada de semelhante que se possa experimentar interiormente. Ao contrário, a virtude está no que não se sente, isto é, em humildade profunda e grande desprezo de si mesmo” [4].
2 - Inverte a hierarquia no homem, a qual se deve dar primazia ao que é comunicado ao espírito, e não ao sentido. Assim, assemelham-se ao que os modernistas, segundo São Pio X, queriam com uma religião do sentimento
S. João da Cruz
“Ora, importa saber que, não obstante poderem ser obras de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. Com efeito, é mais próprio de Deus comunicar-se ao espírito, e nisto há para a alma mais segurança e lucro, do que ao sentido, fonte de freqüentes erros e numerosos perigos. O sentido corporal, nessas circunstâncias, faz-se juiz e apreciador das graças espirituais julgando-as tais como sente. No entanto, há tanta diferença entre a sensibilidade e a razão como entre o corpo e a alma, e na realidade, o sentido corporal é tão ignorante das coisas espirituais como um jumento o é das coisas racionais, e mais ainda” [5].
3 - Põe em perigo de ser enganado pelo demônio, por se fiar em uma ação nos sentidos corporais
S. João da Cruz
“Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou, ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção tem com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina. O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas interiores e espirituais" [6].
“A alma, além disso, vendo-se favorecida por graças tão extraordinárias, muitas vezes concebe secretamente boa opinião de si, imaginando já valer, algo diante de Deus, o que é contrário à humildade. Por outro lado, o demônio sabe sugerir-lhe oculta satisfação de si mesma, por vezes bem manifesta. Com este fim propõe-lhe frequentemente objetos sobrenaturais aos sentidos, oferecendo à vista imagens e maravilhosos resplendores; aos ouvidos, palavras misteriosas; ao olfato, perfumes muito suaves; ao paladar, delicadas doçuras, e ao tato sensações deleitosas, para que atraída a alma com estes gostos, possa ele causar-lhe muitos males" [7].
CLIQUE PARA MAIS:
Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa
Papas proibiram instrumentos como bateria, pratos, piano e outros na música litúrgica?
Papas deram diretrizes sobre os cantos profanos ou em vernáculo na liturgia?
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* Algumas citações deste artigo foram coletadas de diversos endereços virtuais que comentaram sobre o tópico no passado. Não mais os encontramos para o devido crédito.
[1] Site RCC Brasil, Repouso no Espírito e Renovação Carismática, Pe. O. Melançon, CSC. Link: http://rccbrasil.org.br/espiritualidade-e-formacao/carismas/659-repouso-no-espirito-e-renovacao-carismatica.html
[2] "A Prática do Amor a Jesus Cristo", Cap. VIII, p. 168, 172
[3] Livro das Fundações, cap. 5, n.10
[4] Subida ao Monte Carmelo. Livro III, capítulo IX, 3. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 345
[5] Idem Livro II, capítulo XI, 2, p. 217
[6] Idem, Livro II, capítulo XI, 3 p. 217
[7] Idem, Livro II, capítulo XI, 5, p. 218
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Sagrada Escritura, Papas, prelados e santos sobre dança, palmas e gritos na missa. Tratando objeções.
Imagem anterior (não original) ilustrativa
S. João Clímaco, rogai por nós! Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!
Já compilamos material sobre as danças que não podem ser dançadas em nenhuma hipótese: Modéstia nos bailes e danças em livro elogiado por Pio XII e Paulo VI, prefaciado pelo Núncio D. Bento Masella
Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (Volume II, 2a edição).
Sagrada Escritura
O desafio de S. Elias aos profetas de Baal consistiu em oferecer um sacrifício à divindade que cada um acreditava. Neste desafio, o sacrifício aceito seria confirmado pela vinda do fogo do céu para consumá-lo e provar a religião verdadeira. Como todo o sacrifício antigo era uma prefigura do sacrifício de Cristo Nosso Senhor, mais reverência deve-se ter pelo sacrifício novo.
Com isso em mente, lembramos abaixo como o profeta Elias escarnecia dos pagãos que pulavam e gritavam no seu ato "litúrgico", pois o santo profeta não fazia o mesmo. Ou seja, estes atos são tipicamente pagãos:
"Tomando o boi que lhes foi dado, o imolaram, e não cessavam de invocar o nome de Baal de manhã até o meio-dia, dizendo: Baal, ouvi-nos. Mas não se ouvia voz, nem havia quem respondesse; e saltando sobre o altar que haviam feito, e passavam de uma parte a outra.
Sendo já o meio-dia, burlava-se Elias deles, dizendo: Gritai mais alto; porque esse deus talvez esteja em conversação com algum, ou em alguma pousada, ou de viagem; talvez está dormindo, e assim é importante desperta-lo.
Gritavam, pois, eles a grandes vozes; e se cortavam, segundo seu rito, com faca e lanças, até se encherem-se de sangue.
Mas passado já o meio-dia, e enquanto prosseguiam em suas invocações, chegou o tempo em que se costuma oferecer o sacrifício, sem que se ouvisse nenhuma voz, nem tivesse quem respondesse, nem atendesse aos que oravam.
Disse então Elias a todo o povo: Acerque-os a mim; e acercando-se a ele o povo, reparou o altar do Senhor que havia sido arruinado (...).
Sendo já o tempo de oferecer o holocausto, se aproximou o profeta Elias, e disse: Oh Senhor Deus de Abraão, e de Isaac, e de Israel, mostra hoje que te es o Deus de Israel, e que eu sou teu servo, e que por teu mandato tenho feito todas estas cosas.
Ouvi-me, oh Senhor, escutai-me, a fim de que saiba este povo que tu es o Senhor Deus, e que tu converteste de novo seus corações.
De repente baixou fogo do céu, e devorou o holocausto, e a lenha, e as pedras, e até o pó, consumindo a água que havia na vala.
Visto isso por todo o povo, se prostraram todos sob seus rostos, dizendo: O Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus verdadeiro.
Então lhes disse Elias: Prendei aos profetas de Baal, e que não se escape nenhum deles. Presos que foram, Elias os mandou levar a torrente do Quisom (Kishon); e ali lhes matou". I Reis XVIII, 26-40
São João Clímaco (525-606)
"Quando fizermos nossa oração em companhia de outros, procuremos recolher nosso coração, e procuremos despertar interiormente nossa devoção sem mostras exteriores. Mas, se estamos sós (onde não haja ocasião de louvores humanos, nem os temores dos olhos de que nos observa), aproveitemo-nos de figuras e gestos para ajudar da devoção, tais como bater nos peitos, levantar os olhos para o céu, prostrar-nos em terra, estender os braços em cruz, e outras coisas semelhantes; porque muitas vezes acontece que o espírito dos imperfeitos se levanta com isso e se conformam com os movimentos exteriores" [1].
Santo Tomás de Aquino
"E por isso Crisóstomo diz: Quem reza não faça nada insólito, que atraia o olhar dos outros, como gritar, bater no peito ou levantar os braços", pois, é a novidade mesma desse proceder que atrai sobre ele a atenção dos outros" [2].
São Pio X
Contra o tambor e instrumentos fragorosos, entre os quais podem ser incluídos as palmas:
"19. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes.
20. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão.
21. Nas procissões, fora da igreja, pode o Ordinário permitir a banda musical, uma vez que não se executem composições profanas. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual, em latim ou vulgar, proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão" [3].
João XXIII
“Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas eu devo exprimir-lhes um desejo: que na igreja não gritem e não batam palmas, nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). Agora, se vocês estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imagine como o Papa não está feliz em ver seus filhos! Mas assim que ele vê seus filhos, eles batem as mãos na frente de sua face. E esse que está diante de vocês é o sucessor de São Pedro!” [4].
Cardeal Ratzinger (posteriormente Bento XVI)
"A dança não é uma forma de expressão da liturgia Cristã. Por volta do terceiro século, houve uma tentativa em certos círculos Gnósticos-Docetistas de introduzí-la na liturgia. Para este povo, a Crucifixão era apenas uma aparência. Antes da Paixão, Cristo havia abandonado o corpo que de qualquer maneira ele nunca realmente assumiu. A dança podia tomar um lugar na liturgia da cruz, porque, apesar de tudo, a Cruz era apenas uma ilusão. As danças de cultos de diferentes religiões tem diferentes propósitos, encantamentos, magia imitativa, êxtase místico, nenhum dos quais é compatível com o propósito essencial da liturgia da "sacrifício razoável". É totalmente absurdo tentar fazer a liturgia "atraente" introduzindo danças pantomimas (sempre que possível feita por grupo profissionais de dança), os quais frequentemente (e com razão, do ponto de vista profissional) acabam com aplausos. Sempre quando o aplauso entra na liturgia por causa de algum feito humano, é um sinal seguro que a essência da liturgia desapareceu totalmente e foi substituída por uma espécie de entretenimento religioso. Tal atração desvanece rapidamente, ela não pode competir no mercado da busca dos lazeres, incorporando como crescentemente fazem várias formas de excitações religiosas. Eu mesmo experienciei a substituição de um rito penitencial por uma apresentação de dança, a qual, não é preciso dizer, recebeu muitos aplausos. Pode ter qualquer coisa mais longe da verdadeira penitência ? A liturgia só pode atrair as pessoas quando ela olha, não para ela mesma, mas para Deus, quando deixa ele entrar e agir. Então algo verdadeiramente único acontece, além da competição, e o povo tem a sensação de que algo a mais aconteceu do que uma atividade recreacional. Nenhum dos ritos Cristãos inclui a dança" [5].
São Padre Pio
"A fim de evitar irreverências e imperfeições na casa de Deus, na igreja – que o divino Mestre chama de casa de oração -, exorto-vos no Senhor a praticar o seguinte.
Entre na igreja em silêncio e com grande respeito, considerando-se indigno de aparecer diante da Majestade do Senhor. Entre outras considerações piedosas, lembre-se que nossa alma é o templo de Deus e, como tal, devemos mantê-la pura e sem mácula diante de Deus e seus anjos. (...).
Em seguida, pegue água benta e faça o sinal da cruz com cuidado e lentamente.
Assim que você estiver diante de Deus no Santíssimo Sacramento, faça uma genuflexão devotamente (...)
Ao assistir à Santa Missa e as funções sagradas, fique muito composta, quando em pé, ajoelhada e sentada, e realize todos os atos religiosos, com a maior devoção. Seja modesta no seu olhar, não vire a cabeça aqui e ali para ver quem entra e sai. Não ria, por respeito para com este santo lugar e também por respeito para aqueles que estão perto de você. Tente não falar com ninguém, exceto quando a caridade ou a estrita necessidade pedirem isso. (...)
Ao sair da igreja, você deve estar recolhida e calma (...)" [6].
- Objeções
Obj. 1: É Tradição antiga, desde pelo o Renascimento, a Dança dos meninos de Sevilla [7], chamado Baile de los Seises, feito na Catedral, diante do Santíssimo Sacramento.
R.1: A dança é inocente, tradicional e com belos trajes. Em si mesma nada tem de mau. Tudo indica que era feita nas procissões de Corpus Christi primordialmente, e em procissões, como vimos, são permitidas as bandas musicais, que possuem instrumentos fragorosos, o que não é permitido na Catedral. Se a dança foi permitida na Igreja, certamente foi fora da liturgia. Um postal antigo indica que era feita na Catedral (talvez por algum fator meteorológico, o que a tornaria inconveniente se realizada do lado de fora), mas em uma área lateral, onde também, pelo que indica a imagem, o arcebispo sentava. Isto destoa por completo da atualidade, pois eles (agora incluindo meninas) dançam muitas vezes no ponto mais alto do altar, onde talvez nem se celebre missa, pois o igualitarismo da missa nova exige um altar no mesmo nível do povo.
Obj. 2: este versículo deixa entrever uma liturgia celebrada alegremente pelo povo de Israel, com instrumentos, ritmos, aclamações, na qual o corpo também está bastante envolvido: "Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo". Salmo 46.
R.2: De fato, nas procissões isso era permitido, ainda mais que as canções, segundo o documento de São Pio X, não podiam ser profanas.
Obj. 3: “Davi e toda a casa de Israel dançavam com todo o entusiasmo diante do Senhor, e cantavam acompanhados de harpas e de cítaras, de tamborins, de sistros e de címbalos” II Sm VI, 5. Seria difícil não imaginar o uso das palmas em tais celebrações, e como a Arca é a prefigura do Sacrário do Santíssimo, se pode fazer o mesmo na Igreja.
R.3: Nesse versículo a Arca sai pelas ruas, isto é, faz um percurso, e o povo acompanha como em uma procissão. Logo, é legítimo e fora do âmbito litúrgico.
Obj.4: Todo instrumento musical incluindo o som de mãos batendo uma contra as outras em forma de louvor podem e devem fazer parte do nosso culto de louvor a Deus, pois: "Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento. Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita. Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara. Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta. Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor". Salmo 150, 1-5.
R.4: Nas procissões pode se usar instrumentos inconvenientes para o templo, o que prova que é possível louvar a Deus com vários instrumentos. Um exemplo é o hino do Vaticano, que pode ser cantado na Igreja, mas também é bem acompanhado por tambores e pratos em procissões, onde esses instrumentos são mais apropriados.
Obj.5: Se se pode louvar em voz alta a Deus, como num episódio Bíblico, pode-se fazer o mesmo ao Santíssimo Sacramento na Igreja: "Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus! Neste momento, alguns fariseus interpelaram a Jesus no meio da multidão: Mestre, repreende os teus discípulos. Ele respondeu: Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras." São Lucas XIX, 37-39.
R.5: O povo fez do percurso de Nosso Senhor Jesus Cristo uma procissão, e Ele elogiou esse gesto. É possível dizer que um dos motivos pelos quais o Salvador repreendeu os fariseus contrários foi o de que "clamarão as pedras", remetendo-nos ao salmo de que a natureza deve clamar ao Senhor e, por isso, todos os instrumentos usados nessa procissão para louvar a Deus, desde a voz alta até mesmo o uso de ramos, eram bem-vindos.
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[1] Escada do Céu, A oração, Cap. XVIII
[2] Suma Teológica, IIa IIae parte, q. 187, art. 6, ad. 3. O texto citado, Opus Imperfectum in Matthaeum, não é hoje considerado de São João Crisóstomo, embora fosse muito popular na Idade Média e talvez, por isso, muito citado como se o fosse.
[3] Motu Proprio "Tra Le Sollecitudine", 22 de Novembro de 1903
[4] João XXIII; 1963, Ostia, IV Domingo da Quaresma. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=k_Pl5C4xISM
[5] Introdução ao espírito da Liturgia. 3ª Edição. Paulinas: Prior Velho, Portugal, 2010. pp. 146 e 147
[6] Padre Pio’s Letters, “Correspondence with his Spiritual Daughters (1915-1923)” Vol.III. Carta de Padre Pio para Annita Rodote, Pietrelcina, 25 de julho de 1915. Primeira edição (versão em Inglês), Editor; Edizioni Padre Pio da Pietrelcina, Alessio Parente, OFM Cap., Editor Edizioni Padre Pio Pietrelcina da, Nossa Senhora do Convento dos Capuchinhos Grace, San Giovanni Rotondo, Itália, 1994, Traduzido por Geraldine Nolan, pp 88-92.
[7] Um vídeo da dança pode ser visto nesse link:https://www.youtube.com/watch?v=WZNR7L3kWug
S. João Clímaco, rogai por nós! Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!
Já compilamos material sobre as danças que não podem ser dançadas em nenhuma hipótese: Modéstia nos bailes e danças em livro elogiado por Pio XII e Paulo VI, prefaciado pelo Núncio D. Bento Masella
Extraído de: "O Príncipe dos Cruzados" (Volume II, 2a edição).
Sagrada Escritura
O desafio de S. Elias aos profetas de Baal consistiu em oferecer um sacrifício à divindade que cada um acreditava. Neste desafio, o sacrifício aceito seria confirmado pela vinda do fogo do céu para consumá-lo e provar a religião verdadeira. Como todo o sacrifício antigo era uma prefigura do sacrifício de Cristo Nosso Senhor, mais reverência deve-se ter pelo sacrifício novo.
Com isso em mente, lembramos abaixo como o profeta Elias escarnecia dos pagãos que pulavam e gritavam no seu ato "litúrgico", pois o santo profeta não fazia o mesmo. Ou seja, estes atos são tipicamente pagãos:
"Tomando o boi que lhes foi dado, o imolaram, e não cessavam de invocar o nome de Baal de manhã até o meio-dia, dizendo: Baal, ouvi-nos. Mas não se ouvia voz, nem havia quem respondesse; e saltando sobre o altar que haviam feito, e passavam de uma parte a outra.
Sendo já o meio-dia, burlava-se Elias deles, dizendo: Gritai mais alto; porque esse deus talvez esteja em conversação com algum, ou em alguma pousada, ou de viagem; talvez está dormindo, e assim é importante desperta-lo.
Gritavam, pois, eles a grandes vozes; e se cortavam, segundo seu rito, com faca e lanças, até se encherem-se de sangue.
Mas passado já o meio-dia, e enquanto prosseguiam em suas invocações, chegou o tempo em que se costuma oferecer o sacrifício, sem que se ouvisse nenhuma voz, nem tivesse quem respondesse, nem atendesse aos que oravam.
Disse então Elias a todo o povo: Acerque-os a mim; e acercando-se a ele o povo, reparou o altar do Senhor que havia sido arruinado (...).
Sendo já o tempo de oferecer o holocausto, se aproximou o profeta Elias, e disse: Oh Senhor Deus de Abraão, e de Isaac, e de Israel, mostra hoje que te es o Deus de Israel, e que eu sou teu servo, e que por teu mandato tenho feito todas estas cosas.
Ouvi-me, oh Senhor, escutai-me, a fim de que saiba este povo que tu es o Senhor Deus, e que tu converteste de novo seus corações.
De repente baixou fogo do céu, e devorou o holocausto, e a lenha, e as pedras, e até o pó, consumindo a água que havia na vala.
Visto isso por todo o povo, se prostraram todos sob seus rostos, dizendo: O Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus verdadeiro.
Então lhes disse Elias: Prendei aos profetas de Baal, e que não se escape nenhum deles. Presos que foram, Elias os mandou levar a torrente do Quisom (Kishon); e ali lhes matou". I Reis XVIII, 26-40
São João Clímaco (525-606)
"Quando fizermos nossa oração em companhia de outros, procuremos recolher nosso coração, e procuremos despertar interiormente nossa devoção sem mostras exteriores. Mas, se estamos sós (onde não haja ocasião de louvores humanos, nem os temores dos olhos de que nos observa), aproveitemo-nos de figuras e gestos para ajudar da devoção, tais como bater nos peitos, levantar os olhos para o céu, prostrar-nos em terra, estender os braços em cruz, e outras coisas semelhantes; porque muitas vezes acontece que o espírito dos imperfeitos se levanta com isso e se conformam com os movimentos exteriores" [1].
Santo Tomás de Aquino
"E por isso Crisóstomo diz: Quem reza não faça nada insólito, que atraia o olhar dos outros, como gritar, bater no peito ou levantar os braços", pois, é a novidade mesma desse proceder que atrai sobre ele a atenção dos outros" [2].
São Pio X
Contra o tambor e instrumentos fragorosos, entre os quais podem ser incluídos as palmas:
"19. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes.
20. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão.
21. Nas procissões, fora da igreja, pode o Ordinário permitir a banda musical, uma vez que não se executem composições profanas. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual, em latim ou vulgar, proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão" [3].
João XXIII
“Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas eu devo exprimir-lhes um desejo: que na igreja não gritem e não batam palmas, nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). Agora, se vocês estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imagine como o Papa não está feliz em ver seus filhos! Mas assim que ele vê seus filhos, eles batem as mãos na frente de sua face. E esse que está diante de vocês é o sucessor de São Pedro!” [4].
Cardeal Ratzinger (posteriormente Bento XVI)
"A dança não é uma forma de expressão da liturgia Cristã. Por volta do terceiro século, houve uma tentativa em certos círculos Gnósticos-Docetistas de introduzí-la na liturgia. Para este povo, a Crucifixão era apenas uma aparência. Antes da Paixão, Cristo havia abandonado o corpo que de qualquer maneira ele nunca realmente assumiu. A dança podia tomar um lugar na liturgia da cruz, porque, apesar de tudo, a Cruz era apenas uma ilusão. As danças de cultos de diferentes religiões tem diferentes propósitos, encantamentos, magia imitativa, êxtase místico, nenhum dos quais é compatível com o propósito essencial da liturgia da "sacrifício razoável". É totalmente absurdo tentar fazer a liturgia "atraente" introduzindo danças pantomimas (sempre que possível feita por grupo profissionais de dança), os quais frequentemente (e com razão, do ponto de vista profissional) acabam com aplausos. Sempre quando o aplauso entra na liturgia por causa de algum feito humano, é um sinal seguro que a essência da liturgia desapareceu totalmente e foi substituída por uma espécie de entretenimento religioso. Tal atração desvanece rapidamente, ela não pode competir no mercado da busca dos lazeres, incorporando como crescentemente fazem várias formas de excitações religiosas. Eu mesmo experienciei a substituição de um rito penitencial por uma apresentação de dança, a qual, não é preciso dizer, recebeu muitos aplausos. Pode ter qualquer coisa mais longe da verdadeira penitência ? A liturgia só pode atrair as pessoas quando ela olha, não para ela mesma, mas para Deus, quando deixa ele entrar e agir. Então algo verdadeiramente único acontece, além da competição, e o povo tem a sensação de que algo a mais aconteceu do que uma atividade recreacional. Nenhum dos ritos Cristãos inclui a dança" [5].
São Padre Pio
"A fim de evitar irreverências e imperfeições na casa de Deus, na igreja – que o divino Mestre chama de casa de oração -, exorto-vos no Senhor a praticar o seguinte.
Entre na igreja em silêncio e com grande respeito, considerando-se indigno de aparecer diante da Majestade do Senhor. Entre outras considerações piedosas, lembre-se que nossa alma é o templo de Deus e, como tal, devemos mantê-la pura e sem mácula diante de Deus e seus anjos. (...).
Em seguida, pegue água benta e faça o sinal da cruz com cuidado e lentamente.
Assim que você estiver diante de Deus no Santíssimo Sacramento, faça uma genuflexão devotamente (...)
Ao assistir à Santa Missa e as funções sagradas, fique muito composta, quando em pé, ajoelhada e sentada, e realize todos os atos religiosos, com a maior devoção. Seja modesta no seu olhar, não vire a cabeça aqui e ali para ver quem entra e sai. Não ria, por respeito para com este santo lugar e também por respeito para aqueles que estão perto de você. Tente não falar com ninguém, exceto quando a caridade ou a estrita necessidade pedirem isso. (...)
Ao sair da igreja, você deve estar recolhida e calma (...)" [6].
- Objeções
Obj. 1: É Tradição antiga, desde pelo o Renascimento, a Dança dos meninos de Sevilla [7], chamado Baile de los Seises, feito na Catedral, diante do Santíssimo Sacramento.
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| Baile de los seises, tratado na objeção 1 |
Obj. 2: este versículo deixa entrever uma liturgia celebrada alegremente pelo povo de Israel, com instrumentos, ritmos, aclamações, na qual o corpo também está bastante envolvido: "Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres, porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo". Salmo 46.
R.2: De fato, nas procissões isso era permitido, ainda mais que as canções, segundo o documento de São Pio X, não podiam ser profanas.
Obj. 3: “Davi e toda a casa de Israel dançavam com todo o entusiasmo diante do Senhor, e cantavam acompanhados de harpas e de cítaras, de tamborins, de sistros e de címbalos” II Sm VI, 5. Seria difícil não imaginar o uso das palmas em tais celebrações, e como a Arca é a prefigura do Sacrário do Santíssimo, se pode fazer o mesmo na Igreja.
R.3: Nesse versículo a Arca sai pelas ruas, isto é, faz um percurso, e o povo acompanha como em uma procissão. Logo, é legítimo e fora do âmbito litúrgico.
Obj.4: Todo instrumento musical incluindo o som de mãos batendo uma contra as outras em forma de louvor podem e devem fazer parte do nosso culto de louvor a Deus, pois: "Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento. Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita. Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara. Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta. Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor". Salmo 150, 1-5.
R.4: Nas procissões pode se usar instrumentos inconvenientes para o templo, o que prova que é possível louvar a Deus com vários instrumentos. Um exemplo é o hino do Vaticano, que pode ser cantado na Igreja, mas também é bem acompanhado por tambores e pratos em procissões, onde esses instrumentos são mais apropriados.
Obj.5: Se se pode louvar em voz alta a Deus, como num episódio Bíblico, pode-se fazer o mesmo ao Santíssimo Sacramento na Igreja: "Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus! Neste momento, alguns fariseus interpelaram a Jesus no meio da multidão: Mestre, repreende os teus discípulos. Ele respondeu: Digo-vos: se estes se calarem, clamarão as pedras." São Lucas XIX, 37-39.
R.5: O povo fez do percurso de Nosso Senhor Jesus Cristo uma procissão, e Ele elogiou esse gesto. É possível dizer que um dos motivos pelos quais o Salvador repreendeu os fariseus contrários foi o de que "clamarão as pedras", remetendo-nos ao salmo de que a natureza deve clamar ao Senhor e, por isso, todos os instrumentos usados nessa procissão para louvar a Deus, desde a voz alta até mesmo o uso de ramos, eram bem-vindos.
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Papas proibiram instrumentos como bateria, pratos, piano e outros na música litúrgica?
Papas deram diretrizes sobre os cantos profanos ou em vernáculo na liturgia?
[1] Escada do Céu, A oração, Cap. XVIII
[2] Suma Teológica, IIa IIae parte, q. 187, art. 6, ad. 3. O texto citado, Opus Imperfectum in Matthaeum, não é hoje considerado de São João Crisóstomo, embora fosse muito popular na Idade Média e talvez, por isso, muito citado como se o fosse.
[3] Motu Proprio "Tra Le Sollecitudine", 22 de Novembro de 1903
[4] João XXIII; 1963, Ostia, IV Domingo da Quaresma. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=k_Pl5C4xISM
[5] Introdução ao espírito da Liturgia. 3ª Edição. Paulinas: Prior Velho, Portugal, 2010. pp. 146 e 147
[6] Padre Pio’s Letters, “Correspondence with his Spiritual Daughters (1915-1923)” Vol.III. Carta de Padre Pio para Annita Rodote, Pietrelcina, 25 de julho de 1915. Primeira edição (versão em Inglês), Editor; Edizioni Padre Pio da Pietrelcina, Alessio Parente, OFM Cap., Editor Edizioni Padre Pio Pietrelcina da, Nossa Senhora do Convento dos Capuchinhos Grace, San Giovanni Rotondo, Itália, 1994, Traduzido por Geraldine Nolan, pp 88-92.
[7] Um vídeo da dança pode ser visto nesse link:https://www.youtube.com/watch?v=WZNR7L3kWug
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Cor Mariae, Mãe Virgem Corredentora, ora pro nobis.




Chefe da Casa Imperial de Orléans e Bragança.







São Pedro, Príncipe dos Apóstolos e Primeiro Papa, adornado em sua festa com o Mantum e a 


Humildade, elevação de alma e Catolicidade 
Zelo Zelatus Sum Pro Domino Deo Exercituum
